F1: Horner vê possibilidade de adoção de voto secreto como "uma vergonha" para a categoria

O chefe da Red Bull se mostrou favorável à proposta, classificando como vergonhoso a pressão que as fornecedoras de motores aplicam nas equipes clientes

F1: Horner vê possibilidade de adoção de voto secreto como "uma vergonha" para a categoria

A carta aberta escrita por Zak Brown na semana passada, pedindo a introdução de votos secretos na tomada de decisões da Fórmula 1, segue repercutindo no paddock. Segundo o chefe da Red Bull, Christian Horner, seria "uma vergonha" se esse modelo fosse adotado no futuro.

Em sua carta, Brown pediu a mudança para as votações da Comissão da F1, que decide as mudanças de regulamento na categoria. O CEO da McLaren disse que isso neutralizaria afiliações pouco saudáveis entre equipes maiores e menores, garantindo que as votações levassem em consideração apenas o que é melhor para a F1 como um todo.

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Mas Horner sente que seria uma vergonha se a F1 tivesse que seguir esse caminho para garantir que as equipes possam ser independentes em suas votações.

"Eu ouvi sobre isso, e só posso acreditar que isso venha por conta da pressão aplicada pela fornecedora [de motores]. E, se for o caso, é uma vergonha. Seria uma vergonha termos que passar para votações secretas, mas uma equipe tem o direito de pleitear por isso".

"Mas se isso for necessário para termos votações independentes, não vejo um grande problema nisso".

Mas Horner foi o único levantando preocupações sobre essa possibilidade durante o final de semana da F1 em Portugal, com a proposta recebendo apoio de Mercedes, Ferrari e Alpine, as três equipes que também são fornecedoras de motores neste ano.

Toto Wolff defendeu que a Mercedes nunca tentou usar sua posição como fornecedora de motores para influenciar na votação de suas clientes, mas sente que o sistema de voto secreto ajudaria.

Toto Wolff 2020

Toto Wolff 2020

Photo by: Motorsport Images

"Falando da votação secreta, é muito fácil. Vimos no passado que a Toro Rosso [agora AlphaTauri] vota seguindo a Red Bull e a Haas já foi com a Ferrari. No nosso caso, nunca tentamos influenciar uma equipe".

"Obviamente já discutimos algumas coisas quando temos um tópico em comum, como os motores. É claro que nesse ponto as equipes votam juntas, nenhuma votaria contra seu próprio interesse".

"Então, a ideia de uma votação secreta é boa. Duvido que Franz [Tost, chefe da AlphaTauri] não receberá instruções, e o mesmo vale para Gunther [Steiner, chefe da Haas]. Mas a tentativa é obviamente boa. Nenhuma equipe deve ser influenciada por parceiras ou fornecedores".

Laurent Mekies, diretor esportivo da Ferrari, revelou que já existe um mecanismo dentro do sistema de governança que permite votações secretas, e que as equipes não devem ter vergonha de buscar sua adoção.

"A opção do voto secreto existe há muito tempo na governança. A questão é que não usamos com muita frequência, ou na verdade não fizemos isso nos últimos anos. Mas é bom termos a chance de usá-lo".

Carlos Sainz Jr., Ferrari SF21, Lewis Hamilton, Mercedes W12

Carlos Sainz Jr., Ferrari SF21, Lewis Hamilton, Mercedes W12

Photo by: Mark Sutton / Motorsport Images

"Se poderemos usar de modo sistemático ou não, depende de uma equipe requerer o voto secreto em quaisquer situações ou em todas. É um mecanismo que já está previsto com a FIA e a F1 na governança".

"Somos a favor. Se uma equipe não está confortável com um item que precisa ser votado, ela deve levantar a mão e garantir o voto secreto. Se for assim o tempo todo, ótimo para nós. Na nossa visão, é ótimo para o esporte, então estamos completamente a favor".

A Alpine é a única equipe na F1 com motores Renault, o que significa que não possui nenhuma afiliação à outras equipes, e também é a favor da mudança.

"Somos a favor. Não porque mudará alguma coisa para nós, mas porque acreditamos que todas as equipes devem votar pensando em seus interesses e o que é melhor para si", disse Marcin Budkowski, diretor-executivo da Alpine.

"Vimos certas situações no passado, as que o Zak se referiu, onde algumas equipes votaram contra seus próprios interesses. Isso não é bom para a Fórmula 1. Precisamos manter o equilíbrio e não podemos ter equipes votando contra seus próprios interesses por conta de afiliações".

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