Copa Truck: Veterano das pistas, Adalberto Jardim mostra que ainda tem muita lenha para queimar
Com 38 anos de carreira, piloto do Mercedes #5 foi um dos protagonistas da primeira etapa da Copa Truck, em Campo Grande
Adalberto Jardim
Foto de: Vinicius Branca
Com 38 anos de carreira, Adalberto Jardim é um dos últimos competidores raiz do automobilismo brasileiro. Protagonista da Stock Car nos anos 90 e há 20 anos respirando caminhões, o piloto paulista é o mais experiente do grid da Copa Truck.
Lenda do esporte a motor, Adalberto é um dos poucos pilotos ativos a ter batido roda com lendas do automobilismo nacional, como Wilson Fittipaldi, Chico Serra, Ingo Hoffmann, Paulo Gomes, Zeca Giaffone, Alencar Jr., Alfredo Guaraná Menezes, Fábio Sotto Maior e Marcos Grácia, só para citar alguns nomes clássicos dos anos 70 e 80.
Com toda essa experiência - e agora competindo apenas como piloto ao fazer uma parceria entre sua equipe, a AJ5, e a PP Motorsport, Jardim foi um dos protagonistas da abertura da temporada 2026, em Campo Grande, ao liderar a maior parte da segunda corrida e ser superado na última volta pelo tetracampeão Felipe Giaffone (filho de Zeca Giaffone) chegando em segundo lugar.
Claro que ele admitiu não ter ficado nada satisfeito em ter perdido a vitória após ser questionado com bom humor se "piloto velho ainda faz corrida boa", e fez questão de elogiar o rival multicampeão pela disputa: "Depende, não foi uma corrida tão boa, mas o pódio chegou. Estava esperando faz tempo. E com o Felipe não dá para bobear, um errinho e ele está lá! Felipe é um cara muito decente na disputa. É gostoso disputar com quem sabe andar".
O fato curioso é que, já há alguns anos, Jardim tem como chefe de equipe sua filha, Fernanda, que divide com o pai a paixão pelo automobilismo e testemunha a resiliência do veterano em fazer o que mais gosta. "Ao trabalhar como chefe de equipe ao lado dele, vejo que a resiliência dele vem da consistência, leitura de prova e controle emocional — coisas que só a experiência e o tempo de pista traz. Ele consegue em sua pilotagem trazer estratégia, experiência e inteligência de corrida", comenta Fernanda.
"Sempre o admirei como profissional, justamente por sua resiliência, capacidade de enfrentar desafios e de não esmorecer. Obviamente que, como filha, sempre fui e sempre serei grande torcedora, mas eu não alivio no rádio por ser pai! E ele não alivia tão pouco por eu ser filha! Muito pelo contrário, a exigência é ainda maior", continua.
"Ver ele competindo de igual pra igual com pilotos mais jovens mostra o quanto ele segue sendo competitivo e apaixonado pelo que faz. Acho que isso inspira não só a equipe, mas todo mundo que acompanha o automobilismo. E interligado a isso ele transborda esse comprometimento ao ser representante das equipes na categoria, buscando formas de trazer sempre melhorias para o nosso automobilismo", completa Fernanda.
Na próxima etapa, em Santa Cruz do Sul (RS), marcada para os dias 11 e 12 de abril, Adalberto Jardim vai encontrar um velho conhecido: o apaixonado público gaúcho, que acampa ao redor da pista com mate, churrasco e muitas histórias de automobilismo - algumas delas escritas pelo próprio Jardim.
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