ANÁLISE F1: Por que vantagem da Mercedes nos treinos em Baku pode não refletir a realidade
George Russell liderou as duas sessões de treinos com tranquilidade, porém, para o chefe adjunto, ainda não é hora de festejar
A Mercedes chamou atenção no primeiro dia de treinos do GP do Azerbaijão de Fórmula 1, com George Russell liderando as duas sessões desta quinta-feira (24) a pouco menos de um segundo (0,827s) do terceiro colocado, Max Verstappen (Kimi Antonelli teve o segundo melhor tempo). Mesmo sem atualizações, as quais chegarão apenas na Malásia, o ritmo do time alemão impressionou os rivais, mas ainda há dúvidas sobre o verdadeiro nível da superioridade.
A Red Bull pode contar com o último grande pacote de atualizações para o RB22 esta semana, mas o diretor técnico Pierre Waché admite que não esperava tamanha desvantagem para a Mercedes.
“Não esperava uma diferença tão grande, sobretudo nas retas. Depois temos de analisar se vem do vácuo [ou de outra coisa]. Mas temos trabalho a fazer para alcançar o que eles alcançaram”, disse Waché quando questionado sobre a diferença pelo Motorsport.com.
“Espero estar mais próximo, mas parece que eles são muito mais rápidos do que nós. Vamos ver o que podemos fazer para tornar o carro mais rápido, mas se este for o delta real, então será difícil para nós", foi o que declarou Isack Hadjar, que retorna a pista neste fim de semana. "É muito impressionante. Acho que temos um bom carro e temos estado na luta com a McLaren e a Ferrari, mas a Mercedes está fora de alcance".
George Russell, Mercedes
Photo by: Guido De Bortoli / LAT Images via Getty Images
A própria Mercedes, no entanto, ainda não está totalmente convencida de que está tão acima de todos os outros. O chefe adjunto da equipe, Bradley Lord, que assume o comando este fim de semana na ausência de Toto Wolff, ressalta que a equipe não deve, de forma alguma, festejar cedo demais.
“Não acho que seja uma diferença representativa, sinceramente. Fizemos mais voltas cronometradas com o pneu macio no TL2. Max só teve uma tentativa, tal como as McLarens", começou.
“Não se deve tirar conclusões precipitadas, porque a cada volta cronometrada que se fazia os tempos melhoravam. Fizemos uma a mais do que todos os outros e, por isso, provavelmente encontramos um pouco mais na pista e no pneu do que eles”, explicou.
Dito isto, Russell pareceu dominante durante todo o dia de treinos. O britânico falou em Madri que já não se vê mais na luta pelo título e que só pode lutar por vitórias em corridas, mas o início do fim de semana em Baku revelou-se muito promissor.
“O George esteve bastante doente aqui no ano passado e ainda assim terminou em P2. Portanto, é um circuito… quer dizer, ele anda bem em todos os circuitos, mas este é um daqueles onde tradicionalmente tem tido alguns resultados realmente fortes”, disse Lord.
“E é isso que se procura como equipe: se um carro tiver problemas, que o outro esteja lá em cima liderando o caminho. Ele fez isso hoje e esperamos que consiga continuar a fazê-lo durante o resto do fim de semana".
Quando Lord menciona que “um carro tiver problemas”, essas palavras referem-se logicamente a Antonelli. O líder do campeonato sofreu um problema hidráulico durante a primeira sessão de treinos, o que lhe custou tempo em pista – um fator ainda mais importante do que o habitual num circuito de rua.
Fan of George Russell, Mercedes
Photo by: Michael Potts / LAT images via Getty Images
“Obviamente isso o atrasou, por isso ele perdeu tempo de pista, mas, ao mesmo, foi um excelente trabalho dos mecânicos. O carro voltou 15 minutos depois do treino e estava pronto para sair do box exatamente quando a bandeira vermelha apareceu no TL2. Portanto, fizeram um trabalho épico para trocar o motor, tirar o antigo e pôr o novo", elogiou Lord.
“Não houve punição porque é um que já está no conjunto. E sim, estávamos prontos para sair. Portanto, pelo menos recuperamos o máximo possível da sessão", finalizou.
O resultado final são dois carros da Mercedes no topo, com uma grande diferença para os restantes. Isso impressionou a concorrência, embora o chefe da Ferrari, Frederic Vasseur, tenha minimizado a importância dos tempos de quinta-feira: “Estou ficando velho demais para prestar muita atenção à sexta-feira!”
Quando lhe é apontado que, na verdade, ainda era quinta-feira, Vasseur conclui com uma gargalhada: “Se a sexta-feira é inútil, imaginem a quinta-feira!".
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