ANÁLISE: Que obstáculos Pietro Fittipaldi enfrenta para garantir patrocínio na F1?

Lado privado se vê com grandes dificuldades de desembolsar quase R$ 100 milhões e garantir um piloto brasileiro na maior categoria do automobilismo mundial desde 2017

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Um grande movimento nas redes sociais foi visto nos últimos dias com fãs marcando os perfis de grandes empresas: tudo na busca por atenção e, consequentemente, apoio financeiro para Pietro Fittipaldi em sua busca pela vaga de titular da Haas para a temporada 2022 da Fórmula 1.

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O assento está vago pela dispensa do russo Nikita Mazepin, mas o 'buy in' não é barato. Segundo apurado pelo Motorsport.com, a quantia que colocaria Pietro como favorito ao assento da Haas é de € 15 milhões, quase R$ 83 milhões.

Mas, quais obstáculos separam o piloto brasileiro desta quantia e, por conseguinte, do grid titular da F1, que não tem um brasileiro em tempo integral desde 2017, quando Felipe Massa se despediu da categoria?

'Fator tempo'

Fontes ouvidas pelo Motorsport.com explicaram a complexidade de uma operação que envolve boa parte do orçamento de marketing de grandes empresas. E o primeiro obstáculo visto é justamente esse: o tempo.

Grandes quantias de investimento requerem planejamento. Ou seja, o destino de mais de R$ 80 mi poderia ser uma plataforma como a F1, mas o planejamento para dar destino a essa verba teria de ser definido no ano anterior. Conseguir tal dinheiro, segundo especialistas, é de extrema dificuldade.

Indústria 'trancada'

Além disso, os possíveis alvos também seriam limitados por causa da própria F1. É quase inimaginável conseguir tais valores em uma montadora de carros, petrolíferas ou fabricantes de pneus, pois a categoria e as equipes já têm as suas marcas pré-definidas. Exemplo? Pirelli.

A saída 'mais fácil' de Pietro seria ter apoio de uma multinacional com amplitude global, para poder aproveitar efetivamente a F1 como plataforma em todas as suas 23 etapas. Isto é, não 'só' no GP de São Paulo. Ou, então, conseguir patrocínio de uma estatal, o que exigiria influência política.

Concorrência interna

Uma grande empresa brasileira ou multinacional que atua no mercado interno também tem outros atrativos que, no final, concorrem com a F1. Mesmo com a categoria vivendo grande momento no País, com o boom causado pela temporada 2021, além de Netflix e cobertura em TV aberta via Band.

Quem explica mais é Pedro Boesel, partner da XP Private e piloto com passagens por Stock Car e Porsche Cup. Com tal conhecimento de mercado e automobilismo, ele destaca: "Se você patrocinar outros eventos, você pode gastar menos e ter um retorno de mídia local, aqui no Brasil, similar".

Aspecto cultural

O futebol é um exemplo e acaba servindo como 'vilão'. Segundo um executivo de marketing de uma grande empresa, com R$ 80 milhões, é possível uma marca estar estampada no uniforme dos três clubes mais populares -- e como patrocinador máster. A cobertura futebolística é superior a da F1. Para se ter uma ideia, um time grande teria dado mais de R$ 7 bilhões de retorno a uma marca em um ano, tendo a sua patrocinadora máster investido cerca de R$ 20 milhões.

"Sob essa ótica [do retorno], talvez possa não fazer tanto sentido, para algumas marcas brasileiras, [patrocinar uma equipe de F1] na questão do custo-benefício. Agora, para empresas brasileiras que tenham atuação global, acho que é muito legal e faz sentido", afirma Boesel.

E a Haas...

Outro fator que dificulta um grande retorno de investimento a uma marca é justamente o fato de a Haas ser uma equipe do fundo do grid. Além disso, dificilmente a marca terá grande destaque nos carros -- a não ser que seu cheque seja vultuoso.

Vale lembrar que a bandeira russa no carro da Haas com a logo da Uralkali foi possível apenas pelo fato de Dmitry Mazepin, pai de Nikita, ter desembolsado cerca de € 35 milhões ou R$ 190 milhões, algo inimaginável para os tempos atuais.

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