BMW explica por que não está interessada em entrar na F1
Fabricante alemã considera que corridas de carros esportivos oferecem maior transferência de tecnologia para seus modelos de produção
A BMW não pretende seguir os passos de Mercedes e Audi e entrar na Fórmula 1. Segundo Frank van Meel, chefe da BMW M, a principal razão é a dificuldade de transferir para os carros de produção as tecnologias desenvolvidas na principal categoria do automobilismo.
“A F1 está muito distante para nós; é muito parecida com um laboratório e não se traduz bem o suficiente em carros de produção”, afirmou van Meel ao Motor1 Alemanha, publicação irmã do Motorsport.com.
“Na F1, seria um centro tecnológico completamente separado, isolado do resto. Nossos clientes e fãs certamente gostam da F1, mas também gostam de um automobilismo mais direto e próximo dos carros de produção. A história por trás da M é que trazemos o automobilismo para os carros de produção. E a F1 simplesmente não se encaixa nisso para nós.”
A posição mantém a fabricante de Munique distante da F1 mesmo em um momento de expansão da categoria entre as montadoras. A BMW está fora do campeonato desde que vendeu sua participação majoritária na Sauber, em 2009. A própria equipe suíça posteriormente foi assumida pela Audi.
As mudanças de regulamento também contribuíram para atrair outras grandes marcas, como Cadillac e Ford, esta última como parceira de motores da Red Bull. A Porsche chegou a negociar uma parceria com a equipe austríaca, mas as conversas terminaram sem acordo em 2022.
#20 BMW M Team WRT BMW M Hybrid V8: Rene Rast, Robin Frijns
Photo by: Jakob Ebrey
Enquanto permanece longe da F1, a BMW concentra seus esforços nas corridas de carros esportivos, que considera mais alinhadas à filosofia da divisão M. O BMW M Hybrid V8 compete pelo time de fábrica WRT no WEC e na IMSA, participando de provas como as 24 Horas de Le Mans e as 24 Horas de Daytona.
“Para nós, não se trata apenas do WEC, mas também da IMSA”, explicou van Meel. “Os EUA, com cerca de 40% do nosso volume de vendas, são o mercado individual mais importante para a BMW M. A BMW cresceu muito nos EUA por meio do automobilismo. É por isso que a IMSA é extremamente importante para nós.”
Segundo o executivo, essas categorias também permitem uma ligação tecnológica mais direta entre as pistas e os veículos vendidos pela fabricante.
“O WEC e o IMSA também são uma boa opção para nós devido à transferência direta de tecnologia. Por exemplo, o M Concept New Class incorpora elementos do M4 GT3, como o capô e o difusor com fluxo de ar otimizado. Os gráficos de iluminação vêm do nosso carro de corrida LMDh.”
“Há também transferência de tecnologia para os motores. Usamos um V8 híbrido no automobilismo e temos V8 híbridos no M5 e no XM. Em alguns casos, os mesmos engenheiros trabalham nesses motores. Podemos testar certos aspectos mais rapidamente e de uma forma mais próxima da produção em série por meio dessas categorias de corrida.”
Além dos protótipos, a BMW mantém forte presença nas categorias GT, comercializando versões GT3 e GT4 do M4 para equipes clientes ao redor do mundo. Para a fabricante, esse modelo de competição oferece uma ligação mais direta entre o automobilismo e seus carros de rua — justamente a conexão que, na avaliação da marca, a Fórmula 1 atualmente não proporciona.
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