Bortoleto defende uso de IA nos motores da F1: "Estamos desenvolvendo a tecnologia do futuro"
Brasileiro da Audi comentou sobre o uso de algoritmos nas parte elétrica das unidades de potência híbridas
Foto de: Andy Hone/ LAT Images via Getty Images
O debate sobre o uso de algoritmos e de inteligência artificial na Fórmula 1, especialmente no controle do uso de energia do motor híbrido, agitou a categoria nos últimos dias, com críticas por parte de pilotos como Oscar Piastri. Gabriel Bortoleto, no entanto, defendeu o uso de ferramentas tecnológicas para auxiliar os pilotos para que eles possam focar nas corridas em 2026.
Depois da corrida em Spa-Francorchamps, Piastri, da McLaren, criticou como o grid de largada das corridas de 2026 é definido pelo 'bom ou mau funcionamento do computador', o que gerou questionamentos sobre o que isso significa para a categoria.
No dia de mídia do GP de Hungria, o brasileiro da Audi foi questionado sobre isso e respondeu de forma mais receptiva ao uso da tecnologia de machine learning (ou aprendizado de máquina), destacando como a F1 evoluiu com a tecnologia.
"Bem, estamos na F1, não é mesmo? Estamos desenvolvendo a tecnologia do futuro. Se não estivermos usando todas as ferramentas disponíveis no mundo a nosso favor, então não sei qual é o sentido da F1".
"Acho que as pessoas costumavam reclamar porque, hoje em dia, os pilotos têm coisas demais para fazer. Agora que há sistemas fazendo isso por nós, estamos reclamando porque eles estão fazendo isso por nós, então acho que estou feliz com o rumo que as coisas estão tomando.
"Acho legal que o software seja capaz de se adaptar e entender o que e quanta energia você está usando ao longo da volta e como evoluir nas voltas seguintes que você está fazendo. Não acho que isso deva mudar. Para ser bem sincero, essa é a minha opinião".
Mudanças no estilo de pilotagem
Outro tema que Bortoleto foi questionado foi o estilo de pilotagem em 2026, o que ele, anteriormente, já defendeu que não mudou drasticamente para a temporada passada, quando estreou na F1.
Mais uma vez, o piloto paulista defendeu que tal forma não mudou e reafirmou que é o papel dos pilotos se adaptarem ao novos regulamentos da categoria
"Não acho que tenha mudado muito minha maneira de pilotar, mas, novamente, não gosto da expressão 'estilo de pilotagem', porque não acredito que um piloto de F1 deva dizer isso, já que devemos ser capazes de nos adaptar, mesmo que talvez não seja natural, mas devemos ser capazes de nos adaptar a qualquer tipo de carro e à maneira como é preciso pilotá-lo".
"É por isso que fazemos o que fazemos e é por isso que somos os 22 pilotos do mundo que competem na F1. Acho que é apenas uma questão de qual carro você tem e como precisa pilotá-lo, e acho que, desde o ano passado, não mudei muito a maneira de pilotar".
Mesmo afirmando que mudou pouco em relação ao ano passado, Bortoleto ainda destacou que precisa ser mais analítico em 2026.
"Mas, obviamente, você faz alguns ajustes aqui e ali, você sabe como a energia é liberada em algumas curvas, então sabe se pode forçar mais na entrada e se preocupar menos na saída, porque não há energia sendo liberada ali, ou se, na verdade, precisa ser um pouco mais cuidadoso na entrada, porque haverá uma longa reta e muita energia sendo liberada, então você precisa se adaptar. No ano passado, por exemplo, era tudo constante, então não era preciso fazer isso".
Pilotos precisam ser agressivos?
Gabriel também negou as suposições que o estilo de pilotagem de 2026 necessita que os pilotos sejam mais agressivos.
"Não sei como são os outros carros, mas posso falar do meu, e não acho que precisemos ser mais agressivos. Acho que tenho feito o mesmo que no ano passado, e não me considero um piloto agressivo, acho que entendo o que você quer dizer, porque as pessoas têm comentado sobre alguns pilotos que realmente forçam nas entradas e pressionam com o eixo dianteiro".
"Não acho que esse seja o nosso caso, não acho que piloto assim. Acho que sou mais do tipo que gosta que a traseira se mova bastante, mas não gosto de forçar o eixo dianteiro, por exemplo, e não acho que isso torne nosso carro mais rápido se eu fizer isso. Já tentei também, mas é, acho que a forma como estamos desenvolvendo o carro e a maneira como estamos fazendo as coisas não vão nessa direção".
Questionado sobre a forma que a pilotagem é feita em 2026 é diferente da forma como correu em toda a carreira, incluindo no kart, Bortoleto afirmou que sim, mas que nem tudo deva ser mantido da mesma forma ao longo da vida, especialmente em relação às curvas.
"Não é assim [tão extremo] em todas as curvas. É diferente. Se você quiser um exemplo, vou te dar um bom exemplo: na saída da curva 13 em Spa, nós não tínhamos nenhuma entrega da bateria".
"Então, basicamente, se você atacasse um pouco mais a curva, você podia espalhar um pouco mais na curva 12 e ainda assim pisar fundo no acelerador bem cedo para a curva 13. Como você não tem a entrega de potência e nós temos muito downforce (pressão aerodinâmica), o carro não ia desgarrar nem perder a traseira, porque você não tem potência suficiente".
"Então é uma forma diferente de abordar. Mas, novamente, acho que o automobilismo não deveria ser sobre apenas um jeito de pilotar. Não é porque aprendemos algo no kart que precisamos fazer a mesma coisa pelo resto da vida. E acho que é importante você ser capaz de se adaptar a tudo".
"Vai ter momentos em que vou ficar frustrado por não conseguir fazer alguma coisa, mas essa é a parte divertida do automobilismo também".
Pilotos continuam rápidos?
Questionado se os pilotos rápidos ainda conseguem ser rápidos, independentemente de tudo, Bortoleto foi claro: "Você acha que o [Max] Verstappen está lento? Você acha que um heptacampeão mundial está lento este ano? Você acha que o [Charles] Leclerc está lento? Não vejo eles lentos, ainda os vejo muito competitivos, então não diria que pilotos rápidos estão lentos, na verdade".
"O Lewis [Hamilton] está um pouco melhor do que no ano passado, o Max continua com um desempenho incrível, levando aquele carro ao topo, Lando [Norris], o campeão mundial, ele continua rápido quando o carro não quebra, essa é a verdade".
"Então, não acho que tenhamos visto pilotos lentos do ano passado se tornando rápidos, e os rápidos ficando lentos; acho que ainda é corrida".
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