BYD quer equipe de fábrica, mas precisa apresentar "proposta séria" para entrar na F1
Presidente da FIA admitiu ter conversado com montadora chinesa, mas ressaltou que negociações devem ser feitas nos termos da Federação
Starting grid
Foto de: Peter Fox
A Fórmula 1 pode voltar a ter 12 equipes no grid, mas isso dependerá de uma proposta capaz de convencer a categoria e a FIA. Uma das principais fabricantes chinesas da atualidade, a BYD está entre os nomes ligados a um possível novo projeto, mas terá de demonstrar que pode agregar valor esportivo e comercial ao campeonato.
Falando no Novo Fórum Econômico, em Madri, o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, não descartou a chegada de uma nova equipe nos próximos anos, porém, destacou que o processo deve ser feito "nos termos e regulamentos" da Federação.
"A FIA pode se abrir para uma 12ª equipe. Mas nós precisamos de uma equipe? Não. Precisamos da equipe", disse. "Nós agora temos três corridas nos Estados Unidos e temos um time, a Haas, mas precisávamos de uma OEM [sigla em inglês para fabricante de equipamento original]. Então eu falei e até o promotor concordou que nós precisamos de uma equipe que deve vir da China".
A F1 passou pelo processo de receber uma nova equipe recentemente, com a entrada da Cadillac no início de 2026. O procedimento foi iniciado em 2023 e o time de Dan Towriss foi o único candidato a ter sucesso.
"Eu tive reuniões com eles [fabricantes interessados], e eles disseram: ‘Precisamos estar presentes [na F1]’. Uma delas era a BYD e outra era a Geely. Então dissemos: ‘Tudo bem, vamos abrir a manifestação de interesse se vocês realmente vierem’", continuou.
“Mas os regulamentos não vão ser alterados apenas por causa dos fabricantes chineses. Não podemos fazer isso. Os regulamentos precisam permanecer estáveis e garantir continuidade", acrescentou.
É válido lembrar que a F1 passou por uma das maiores mudanças de regulamento de sua história este ano, estreando carros com maior nível eletrificação e uso de combustíveis sustentáveis. As mudanças implementadas foram importantes para atrair novas fabricantes (como a Audi) e a permanência da Honda, que trocou a Red Bull pela Aston Martin.
“Eu sei que os chineses estão liderando na eletrificação, mas essa é a única maneira de alcançarmos nosso objetivo de eletrificação? O que estamos buscando? Um meio ambiente mais limpo e ar mais limpo. Existem várias maneiras de chegar lá. Estamos abrindo espaço para o hidrogênio, para os híbridos, para a eletrificação no WRC [Campeonato Mundial de Rally] no futuro e para os combustíveis sustentáveis", continuou.
"Então, quando tive as reuniões, fui muito claro. ‘Por que vocês não assumem uma equipe para começar?’ — isso foi com a BYD. E eles disseram: ‘Não. Queremos ter uma equipe própria’. Eu disse: ‘Tudo bem. Então voltem com uma proposta séria, que possamos avaliar e ver que realmente vai funcionar’. Essas são as nossas regras".
“Temos uma corrida na China. É enorme. Temos os fabricantes, tivemos um piloto chinês [Zhou Guanyu, no grid entre 2022 e 2024] e a tecnologia chinesa está presente. Mas tudo precisa ser feito de acordo com nossos termos e nossos regulamentos, que precisam ser justos para todos. Essa também é uma responsabilidade da FIA", concluiu.
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