Cinco momentos memoráveis do GP da Malásia de F1
Sepang encerrará seu hiato na F1 em 2026 e, durante sua passagem anterior de 1999 a 2017, o circuito malaio proporcionou muito drama
Foto de: Steven Tee / Motorsport Images
A Malásia encerrará uma ausência de nove anos da Fórmula 1 em 2026 ao retornar como palco substituto do GP do Bahrein - que sai do calendário devido aos conflitos no Oriente Médio.
A notícia foi anunciada no último domingo. Com isso, Sepang receberá uma corrida pela primeira vez desde 2017, embora o nome do evento seja Grande Prêmio do Bahrein na Malásia.
Apesar das circunstâncias, continuar sendo um dos retornos mais aguardados da categoria, principalmente por Sepang ser tão popular e ter produzido vários momentos memoráveis ao longos dos anos.
Confira cinco momentos memoráveis do GP da Malásia:
GP da Malásia de 1999: dobradinha da Ferrari restaurada de forma controversa
Eddie Irvine, Ferrari F399 takes the win
Photo by: Sutton Images
A Malásia estreou na F1 em 1999 como a penúltima etapa daquela temporada, que envolvia uma disputa acirrada entre McLaren e Ferrari pelo campeonato de construtores, além de Mika Hakkinen e Eddie Irvine pelo título de pilotos.
Isso obviamente dominou as discussões no início do fim de semana de corrida, mas também o retorno de Michael Schumacher, que tinha acabado de se recuperar de uma perna quebrada, sofrida em Silverstone apenas três meses antes.
Embora a maioria dos atletas leve muito tempo para voltar à sua melhor forma após uma lesão prolongada, Schumacher não é a ‘maioria dos atletas’. O então bicampeão mundial teve o retorno perfeito ao conquistar a pole position em uma dobradinha da Ferrari, com a McLaren em 3º e 4º, liderada por David Coulthard.
Embora Schumacher talvez não quisesse que Irvine fosse o cara a acabar com a seca de títulos da Ferrari — seu último título de pilotos havia sido conquistado por Jody Scheckter em 1979 —, ele certamente deixou o orgulho de lado em Sepang ao deixar o norte-irlandês passar na quarta volta para, em seguida, segurar Coulthard e Hakkinen.
Schumacher atuando como ‘número dois’ — irônico! — certamente funcionou, pois permitiu uma vitória relativamente tranquila para Irvine, que transformou sua desvantagem de dois pontos para Hakkinen em uma liderança de quatro pontos, enquanto o piloto da McLaren ficou em terceiro, atrás da dobradinha da Scuderia.
Mas então o drama pós-corrida se desenrolou. Imediatamente, ambos os carros da Ferrari foram desclassificados devido aos defletores laterais do seu F399 serem supostamente 1 mm mais largos do que o permitido e, com isso, Hakkinen e a McLaren se tornaram campeões automaticamente.
A Ferrari, no entanto, protestou contra a decisão, e seis dias depois a sua dobradinha foi restaurada, já que o Tribunal Internacional de Apelação da FIA considerou que os comissários da corrida não tinham equipamentos precisos o suficiente e que as peças do carro eram, na verdade, legais.
“Um dia ruim para o esporte”, foi como o chefe da McLaren, Ron Dennis, resumiu a situação, mas ele ainda teve motivos para sorrir na final em Suzuka, pois uma vitória de Hakkinen deu ao finlandês o seu primeiro título. A Ferrari, contudo, ainda conseguiu acabar com a sua seca de 16 anos no campeonato de construtores ao terminar a prova em segundo e terceiro.
Grande Prêmio da Malásia de 2003: Raikkonen conquista a sua primeira vitória
Kimi Raikkonen, McLaren
Photo by: Sutton Images via Getty Images
A temporada de 2026 da F1 provavelmente verá a jovem sensação (Andrea) Kimi Antonelli conquistar o seu primeiro título mundial, mas 2003 foi o ano em que o "Kimi" original despontou de vez no cenário. Estamos falando de Kimi Raikkonen, que garantiu a sua primeira vitória na categoria durante a segunda etapa daquele ano, em Sepang.
Raikkonen, então em sua segunda temporada pela McLaren, não teve a melhor das classificações. Uma escapada o deixou apenas na sétima posição do grid, mas o cenário mudou rapidamente. Logo na primeira volta, o finlandês pulou para quarto graças a um toque entre Jarno Trulli (Renault) e Michael Schumacher (Ferrari). Na segunda volta, ele já tomava o terceiro lugar de Nick Heidfeld, seu ex-companheiro de equipe na Sauber, na aproximação da Curva 1.
O terceiro lugar rapidamente virou segundo quando o carro de David Coulthard, seu colega de equipe, sofreu uma pane elétrica na terceira volta. Com isso, restava apenas Fernando Alonso à frente — o espanhol tinha acabado de se tornar o pole position mais jovem da história da F1, liderando a primeira dobradinha da Renault na primeira fila desde o GP da França de 1983.
Mas foi nesse momento que a estratégia fez a diferença: a McLaren havia largado com muito mais combustível que a Renault. Enquanto Alonso foi para os boxes na volta 14, Raikkonen se manteve na pista por mais cinco voltas. Foi exatamente aí que a corrida foi decidida, já que o carro bem mais leve durante esse breve stint permitiu ao finlandês cravar tempos de volta muito mais rápidos.
Dessa forma, quando Kimi finalmente fez o seu pit stop, voltou à frente de Alonso. A partir daí, ele dominou a prova até a bandeirada, cruzando a linha de chegada com 40 segundos de vantagem para o segundo colocado, Rubens Barrichello, que também havia superado a Renault na tática de boxes.
GP da Malásia de 2009: corrida com pontos pela metade
Jenson Button, Brawn GP BGP001 Mercedes sits on the grid after the race was stopped
Photo by: Andrew Ferraro / Motorsport Images
Um fator que sempre deve ser lembrado no Grande Prêmio da Malásia é o seu clima, que costuma ser imprevisível, e a edição de 2009 é o maior exemplo disso. A classificação aconteceu com pista seca, assim como o início da corrida, mas as equipes sabiam que a chuva estava chegando. Isso tornou a disputa por posição de pista durante o stint inicial fundamental.
O campeão mundial daquele ano, Jenson Button, acabou prevalecendo, recuperando a liderança após uma primeira volta ruim que o fez cair para o quarto lugar. Essa recuperação aconteceu exatamente quando a Ferrari se tornou a primeira equipe a arriscar, trocando os pneus de pista seca pelos pneus de chuva extrema no carro de Kimi Raikkonen.
Mas, nessa ocasião, o tiro saiu pela culatra: sem água parada na pista, seus pneus Bridgestone perderam rendimento rapidamente. Isso não impediu que outras equipes seguissem o exemplo pouco depois. Na volta 19, mais pilotos mergulharam nos boxes para colocar pneus de chuva extrema, embora os intermediários fossem a escolha mais adequada para aquela fase de transição.
Quem acertou na estratégia foi recompensado. Calçados com pneus intermediários, Button, Nick Heidfeld e Timo Glock lideravam na volta 31, quando a chuva finalmente atingiu o circuito em cheio. A partir daí, porém, não houve mais trégua: a tempestade se tornou torrencial e as condições ficaram impraticáveis, com direito a fortes trovoadas.
Assim, a prova em Sepang seguiu apenas até a 33ª volta, momento em que a direção de prova considerou a pista perigosa demais para continuar. Isso resultou na distribuição de pontos pela metade pela primeira vez desde o GP da Austrália de 1991. Depois disso, levariam mais 12 anos — até o GP da Bélgica de 2021 — para a F1 enfrentar um cenário semelhante.
Grande Prêmio da Malásia de 2013: “Multi 21”
Mark Webber, Sebastian Vettel, Red Bull Racing
Photo by: Sutton Images
Antigamente, a Red Bull não era tanto uma "equipe de um só piloto" como é hoje, porque Mark Webber era capaz de bater de frente com Sebastian Vettel ocasionalmente. Às vezes, havia até atritos entre a dupla de 2009 a 2013, sendo a etapa da Malásia, neste último ano, um exemplo claro.
Tanto que isso causou o hoje infame caso do "Multi 21".
Tudo começou com Vettel na pole position, mas Webber fez uma largada excelente saindo de quinto e liderava uma dobradinha da Red Bull na volta 15, graças a ter acertado o momento ideal de trocar para os pneus de pista seca. Obviamente, o futuro tetracampeão mundial havia perdido a liderança, mas a equipe austríaca instruiu seus carros a manterem as posições.
"Sebastian, multi-map 2-1, multi-map 2-1, e cuide dos seus pneus, por favor", foi a mensagem do engenheiro de corrida Guillaume Rocquelin para Vettel na volta 25.
Mas 18 voltas depois, restando 13 para o final, o alemão desafiou a ordem de equipe ao atacar Webber com uma investida frustrada por dentro na Curva 1. "Isso é ridículo, Seb", foi a reação de Christian Horner, mas Vettel continuou atacando de forma insistente.
"Sim, belo trabalho de equipe", ironizou Webber, antes de ser informado pelo rádio: "Ok, Mark, ele foi avisado — ele foi avisado!".
Vettel acabou conseguindo a ultrapassagem e venceu com quatro segundos de vantagem, com Lewis Hamilton, da Mercedes, completando o pódio. Webber, ainda visivelmente frustrado, levou a sua raiva para a sala de espera do pódio e disparou: "Multi-21, Seb, é, Multi-21", enquanto encolhia os ombros.
"No fim das contas, Seb tomou sua própria decisão hoje e terá proteção como de costume, e é assim que as coisas são", acrescentou Webber nas entrevistas do pódio. Vettel pediria desculpas mais tarde.
GP da Malásia de 2016: as chances de título de Hamilton vão pelos ares
Max Verstappen, Red Bull, Daniel Ricciardo, Red Bull, Nico Rosberg, Mercedes
Photo by: Pirelli
A Malásia foi o ponto de virada na amarga disputa pelo título entre Hamilton e Nico Rosberg durante a temporada de 2016. O britânico chegou com uma desvantagem de oito pontos, estava prestes a transformá-la em uma vantagem de cinco pontos e colocar fim à sequência de três vitórias consecutivas de Rosberg, mas acabou deixando o Sudeste Asiático 23 pontos atrás, restando apenas cinco Grandes Prêmios em disputa.
O britânico havia feito tudo certo, a começar pela classificação, na qual conquistou a pole position liderando uma dobradinha da Mercedes com quatro décimos de vantagem. Em seguida, fez uma largada limpa enquanto o caos se instalava logo atrás. Esse ‘caos’ envolvia Rosberg, que rodou e caiu para o fundo do pelotão após ser tocado pela Ferrari de Vettel, que havia mergulhado por dentro na Curva 1.
Assim, enquanto o seu rival na luta pelo título foi forçado a fazer uma corrida de recuperação, o então atual campeão, Hamilton, controlava tudo lá na frente. Parecia ser um daqueles dias em que ninguém conseguiria pará-lo. Exceto pela sua unidade de potência, que estourou dramaticamente a apenas 15 voltas do fim, fazendo a sua Mercedes parar por completo.
“Algo, ou alguém, não quer que eu vença este ano”, foi a reação de um Hamilton muito abatido, que já havia sofrido com vários problemas de confiabilidade naquela temporada. O que tornou as coisas ainda piores foi o fato de a quebra ter entregado um lugar no pódio no colo de Rosberg, logo atrás de uma dobradinha da Red Bull. O alemão também conseguiu superar uma controversa punição de 10 segundos por um toque em Raikkonen na Curva 2.
Com isso, o episódio deixou a vantagem na briga pelo título nas mãos do carro #6 das Flechas de Prata. Uma vitória na corrida seguinte, no Japão, seguida por quatro segundos lugares consecutivos atrás de Hamilton, rendeu a Rosberg a sua primeira coroa mundial… e, logo depois, a aposentadoria.
RBR faz OFERTA para MANTER MAX, Câmara TESTA FERRARI, Lewis x Leclerc | Russell PREJUDICADO vs Kimi?
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