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Como a F1 se compromete com um calendário recheado de 24 corridas?

Enquanto o interesse em organizar um GP permanece em níveis recordes, o chefe da Fórmula 1 abre o jogo sobre o quebra-cabeças das corridas

Sprint Grid

Sprint Grid

Com o calendário da Fórmula 1 fechado em 24 corridas e com a categoria crescendo constantemente em suas métricas, garantir uma vaga parece mais difícil do que nunca. A popularidade da categoria levou a um 'boom' de cidades, países e governos candidatos, alguns mais credíveis do que outros.

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No entanto, políticos que declaram prematuramente que uma corrida é um "negócio fechado" dificilmente impressionarão a categoria. Na verdade, isso sugere que fechar um acordo pode não ser uma boa ideia se o anfitrião em potencial subestimar o escopo e a sustentabilidade a longo prazo de organizar um evento na era Liberty Media, ou se a F1 estiver sendo meramente usada como ferramenta para buscar influência política interna.

Comentários de autoridades indianas de que estariam de volta ao calendário em 2027 foram novidade para a gerência da F1 e prontamente descartados, alegações parecidas emanam regularmente da África do Sul.

Um retorno da categoria à Argentina também não parece estar nos planos à curto prazo, com Buenos Aires primeiro tentando a sorte de sediar com sucesso a MotoGP no renovado Autódromo Oscar y Juan Gálvez.

Há uma nova onda de interesse pela Fórmula 1 no país endividado graças à chegada do herói local Franco Colapinto, mas não há garantias que o piloto da Alpine sequer estará no grid quando a Argentina estiver pronta para sediar uma corrida. 

Estabilidade e Investimento

O que a gestão da F1 realmente quer ver de um novo mercado é um plano financeiramente sustentável que lhe dê confiança para concluir um acordo de longo prazo. Não é coincidência que a categoria tenha se movido em direção a contratos extremamente longos em mercados-chave nos últimos anos, com a maioria do calendário garantida até pelo menos 2032.

O popular evento no Red Bull Ring, na Áustria, foi renovado até 2041, com Melbourne, Madri, Bahrein e Montreal permanecendo por pelo menos mais uma década.

É uma situação de 'ganha-ganha' que dá a Liberty Media mais estabilidade e receita garantida, mas também ajuda promotores locais e governos a antecipar investimentos significativos em infraestrutura por um período mais longo. É um pedido difícil para um organizador concordar em construir um complexo de boxes novinho em folha sem garantias de que ele será usado mais do que apenas algumas vezes.

"Um dos pontos relevantes não é um pico de um ano", disse o CEO e presidente da F1, Stefano Domenicali, ao ser questionado pelo Motorsport.com sobre a ida a novos mercados. "É sobre como podemos ter a garantia de que, quando formos a um lugar novo, haja uma visão de vários anos para estar lá e que o mercado seja relevante."

"Não podemos ir a um lugar onde talvez eles tenham um pico fantástico de um ano e, no ano seguinte, qual é o plano de negócios? Qual é a sua base de fãs? Qual é o seu status comercial que nos dá a confiança de que estar lá por cinco ou dez anos é viável? Então, precisamos ver essa prova."

Mercado de Vendedores

A detentora dos direitos comerciais da F1 diz que continua a desfrutar de um interesse significativo em todo o mundo por parte de promotores em potencial e, com um limite rígido de 24 corridas, o mercado continua favorável ao vendedor. Isso significa que a categoria pode não apenas exigir uma alta taxa de licenciamento, mas também atingir seus outros objetivos em relação à mobilidade, hospitalidade, entretenimento e sustentabilidade.

"Há muito interesse de outras regiões, mas estamos bastante decididos em termos de pessoas que confiam em nós com um investimento de longo prazo, o que acreditamos ser bom", acrescentou Domenicali.

"Algo que eu sempre disse nas chamadas com investidores quando me perguntavam por que fizemos acordos de tão longo prazo: primeiro, faço porque acreditamos naquele mercado. Mas, em segundo lugar, é porque podemos pedir ao promotor para investir. Caso contrário, se você tivesse um acordo de três anos, como poderia pressionar o promotor a investir?"

"Por exemplo, você verá que Miami, nos próximos dois anos, construirá uma nova área de hospitalidade. Pressionamos a Austrália — você verá no ano que vem — para construir um novo paddock, novas instalações, porque estamos estendendo o contrato a longo prazo. Hungria e Austin são iguais."

O exemplo de Budapeste é relevante porque tem sido naturalmente mais difícil garantir esses investimentos de longo prazo na Europa do que em Estados petrolíferos ou outros mercados emergentes. O número de corridas no Velho Continente tem sido pressionado, com Barcelona e Bélgica alternando e os organizadores do GP da Holanda reconhecendo que uma extensão de contrato além de 2026 seria um risco financeiro muito grande.

A F1 conseguiu estender alguns de seus pilares europeus em Silverstone, Monza e Mônaco, no entanto, e a adição de acordos de curto prazo como Portugal — que assinou para 2027 e 2028 para ocupar a vaga de Zandvoort — dá à categoria certa flexibilidade para preencher o calendário de 24 corridas até que alguns desses eventos de longo prazo se materializem.

Novos Horizontes e Limites nos EUA

Promotores em potencial que parecem ter seguido o caminho certo, até agora, são Tailândia e Coreia do Sul, que traçaram planos para corridas de rua em Bangkok e Incheon, respectivamente. Embora nenhum dos países pareça particularmente próximo de uma conclusão — com a recente agitação política da Tailândia atrasando as coisas — ambos apresentaram planos sólidos, incluindo investimentos significativos, sejam públicos ou privados.

Os planos de Incheon também dependem do resultado das próximas eleições municipais, o que destaca ainda mais como pode ser complicado para a F1 encontrar a janela certa para fechar um negócio.

Mas enquanto crescer nos EUA continua sendo um objetivo fundamental, com muito em jogo em seu novo acordo de transmissão com a Apple, Domenicali jogou um balde de água fria nas ideias de adicionar ainda mais corridas no país, apesar do interesse de cidades como Nova York, Chicago e San Francisco.

Embora a F1 esteja ansiosa para expandir sua presença no Extremo Oriente se a oportunidade for adequada, ela já sedia cinco corridas na América do Norte: Miami, Montreal, Austin, México e Las Vegas.

"Acho que há muito interesse nos EUA de outros lugares, isso está crescendo", disse Domenicali, observando que qualquer adição seria realisticamente possível apenas se uma das corridas existentes saísse. Do bloco de corridas norte-americanas, o contrato recentemente renovado do México é o primeiro a expirar — em 2028 — embora as autoridades locais estejam ansiosas para trabalhar em outra extensão.

"Precisamos estar atentos. É claro que, se no futuro não tivermos mais o México ou outras coisas que aconteçam naquela região do mundo, poderemos considerar. Aliás, eles querem renovar. Mas ter mais [corridas] agora, eu acho que não seria equilibrado."

O Quebra-Cabeça Logístico

Construir um relacionamento de longo prazo também dá à F1 mais vantagem para otimizar ainda mais o calendário geograficamente, visando atingir suas ambiciosas metas de CO2. Um desejo antigo que agora foi alcançado foi trocar o Canadá com Mônaco, para que o primeiro pudesse ser pareado com Miami, evitando viagens de carga adicionais através do Atlântico.

O intervalo de duas semanas entre as duas corridas ainda significa que a equipe precisa fazer essa viagem extra, então a conversa sobre tornar as viagens mais sustentáveis parece mais voltada para os recursos logísticos do que para os humanos.

Somando fatores como clima local, feriados públicos e religiosos e a necessidade de férias no meio e no fim do ano, fica claro por que montar um calendário de 24 corridas é um quebra-cabeça tão complexo. Vizinhos geográficos também fazem questão de espaçar suas corridas para evitar a competição direta pela base de clientes um do outro.

Domenicali sentiu que o calendário atual da F1 agora tem o equilíbrio certo entre as demandas comerciais e logísticas, que muitas vezes puxam em direções opostas. "Acho que já demos um grande passo em termos de otimização do calendário, mesmo que precisemos lembrar que não há apenas o fluxo logístico a ser respeitado, mas também o lado comercial de cada evento", disse ele.

"Você pode dizer que, logisticamente, poderia ter as quatro corridas no Oriente Médio uma atrás da outra, e as americanas [também], mas comercialmente isso não se encaixaria. Portanto, acho que em termos de equilíbrio, já demos um grande passo à frente este ano com o Canadá vindo depois dos EUA."

"E, portanto, acredito que, logisticamente, o calendário está bem definido, considerando as restrições do lado comercial."

MOLINA é ENFÁTICO sobre momento CAÓTICO da F1, além de motores, Hamilton, Verstappen, Bortoleto e +

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