Da Alfa Romeo à Mercedes: Quais foram as maiores fabricantes de cada 'era dos motores' da F1?
Categoria mundial já passou por diferentes fórmulas de unidades de potência em 76 anos de campeonato
Foto de: Mercedes AMG
A era dos motores V6 turbo híbridos da Fórmula 1 é, de forma geral, dominada pelas unidades de potência da Mercedes, incluindo títulos duplos (pilotos e construtores) entre 2014 e 2020 da equipe de fábrica e 2025 com a cliente McLaren.
No entanto, outras eras da categoria máxima do automobilismo foram comandadas por outras fabricantes, incluindo algumas que nem estão mais presentes no Campeonato Mundial, como a Ford-Cosworth (por mais que a marca americana esteja hoje na F1, em parceria com a Red Bull).
Em outras, o duelo entre fornecedoras definiu disputas épicas pelos títulos de pilotos e de construtores. Separamos os 75 anos de F1 em diferentes períodos para definir: quem dominou cada era da F1?
Primeiros motores (1950-1967)
Foto de: Motorsport Images
Nos anos iniciais do Campeonato Mundial, os carros passaram dos pesados motores na dianteira e mecânicas herdadas dos carros da era dos GPs para monopostos com unidades na traseira e mais leves.
Outro fator é a variedade de fabricantes vencedoras de títulos, como as britânicas BRM, Climax e Vanwall; as já presentes Ferrari e Mercedes; as italianas Alfa Romeo e Maserati e a australiana Repco.
Os motores da Alfa Romeo foram os que equiparam os carros campeões de 1950 e 1951 de Giuseppe Farina e Juan Manoel Fangio, enquanto a Ferrari venceu em 1952 e 1953, com Alberto Ascari.
No domínio de Fangio entre 1954 e 1957, teve uma situação particular: em 1954, ele foi campeão de Maserati e Mercedes, o único a conquistar o título por duas construtoras no mesmo ano. Em 1955, ele triunfou "somente" de Mercedes, seguido por uma conquista com a Ferrari e outra com a Maserati.
Apesar da importância dos construtores e seus motores a partir do 'ano 1' da categoria, foi a partir de 1958 que foram definidos 'campeões' entre as equipes, com quatro títulos de carros equipados com unidades da Climax (1959, 1960, 1963 e 1965), seguidos por um empate entre Ferrari (1961 e 1964) e Repco (1966 e 1967), além de um título da Vanwall e BRM.
Domínio do Ford-Cosworth (1968-1979)
Foto de: Rainer Schlegelmilch / Getty Images
Em 1968, os motores DFV V8 de alta rotação da Ford-Cosworth iniciaram um domínio de mais de sete anos na F1, com o título de Graham Hill com a Lotus como o primeiro troféu da fabricante anglo-americana.
Um aspecto interessante da soberania dos DFV V8 até 1974 foi a variedade de diferentes carros equipados com o mesmo motor, passando pela já citada Lotus com Hill, Matra com Jackie Stewart, Lotus de Jochen Rindt, Brabham com Stewart, Lotus com Emerson Fittipaldi, Tyrrell com Stewart e McLaren com Fittipaldi.
Só foi a partir de 1975 que a hegemonia da Ford-Cosworth foi quebrada, com o título da Ferrari e de Niki Lauda no campeonato de pilotos e construtores. Em 1976, a Scuderia ainda venceu o título de construtores e motores, mesmo com o triunfo de James Hunt, da McLaren.
Já em 1977, o título voltou para a Ferrari e Lauda, mas, em 1978, os motores Cosworth voltaram ao topo, com o título de Mario Andretti pela Lotus. 1979 marca o último título da Ferrari, com um motor flat 12, até Michael Schumacher.
Nesse recorte de 1968 até 1979, foram sete títulos da Ford-Cosworth e quatro da Ferrari. É importante destacar que, desde 1977, os motores turbo já estavam presentes na F1, com os V6 turboalimentados da Renault.
A era turbo (1980 - 1988)
Foto de: Getty Images
Curiosamente, o começo da era marcada pela popularização e hegemonia dos carros equipados com motores turboalimentados foi vencida, inicialmente, por carros com o V8 aspirado da Ford-Cosworth, no caso o Williams de Alan Jones em 1980, e o Brabham de Nelson Piquet em 1981.
Em 1982, mesmo com o título de pilotos de Keke Rosberg com a Williams, o troféu de construtores e, por consequência, de motores, foi da Ferrari, equipada com uma máquina V6 turbo.
Em 1983, um carro equipado com motor turbo, mas de quatro cilindros em linha, venceu o campeonato de pilotos (Brabham-BMW de Nelson Piquet), mas a Ferrari V6 turbo garantiu o segundo título de construtores seguido.
Em 1984 e 1985, os títulos de pilotos e de construtores foram conquistados pelos carros da McLaren equipados com o motor TAG-Porsche V6 turbo, mas por pilotos diferentes (Lauda e Alain Prost, respectivamente).
Até o fim da 'era turbo', o domínio foi da unidade da Honda, que seguiu mesmo depois do banimento dos motores turboalimentados, seja pela Williams, em 1986 e 1987, (mesmo com Prost vencendo o campeonato de construtores pela McLaren em 1986) ou com a McLaren em 1988, com o título de Ayrton Senna com o lendário MP4/4.
Nesses nove anos, foram dois títulos da Ferrari, dois da Ford Cosworth, dois da TAG Porsche e três da Honda.
Hegemonia dos V10 (1989-2005)
Foto de: Motorsport Images
A partir de 1989, apenas unidades aspiradas de 3.0 litros foram permitidas, sem limitação quanto à quantidade de cilindros, com motores V8, V10, V12 e até W12 (na infame Life Racing).
No entanto, a maior parte dos títulos foi conquistada por carros equipados com motores V10, com a configuração de 10 cilindros se transformando no padrão da categoria a partir de 1998.
No primeiro ano das unidades 'aspiradas', a Honda, junto da McLaren, continuou dominando, com o título de Prost em 1989 com o MP4/5 equipado com motor V10, seguido pelo de Senna em 1990. Em 1991, Senna triunfou pela terceira vez, mas com o MP4/6 com motor Honda V12.
Em 1992 e 1993, a William, agora com motor Renault V10, venceu os dois títulos de cada ano, um com Nigel Manssell e outro com Prost. Em 1994, Michael Schumacher venceu o troféu de pilotos com a Benetton-Ford, mas a Wiliams-Renault venceu o de construtores. Já em 1995, foi a vez da Benetton, agora com motor Renault V10, vencer o título duplo.
Em 1996 e 1997, a Williams-Renault voltou ao topo, com Damon Hill e Jacques Villeneuve. Já em 1998, a McLaren, agora com o motor Mercedes FO110G V10, venceu os dois campeonatos, mas, em 1999, mesmo com o bicampeonato de Mika Hakkinen, foi a vez da Ferrari vencer o torneio de construtores, com o Ferrari Tipo 048 V10.
De 2000 até 2004, o domínio da Ferrari e de Michael Schumacher foi absoluto, com os motores Tipo 049, 050, 051, 051B, 052 e 053 responsáveis pelo pentacampeonato consecutivo da Scuderia. Antes da mudança do regulamento das unidades em 2006, o último campeão da 'era V10' foi Fernando Alonso, com a Renault, em 2005.
A 'grande era' dos motores aspirados teve apenas um título com motor V12 (1991) e 16 com unidades V10. Entre as fabricantes, Renault foi a que mais levou troféus, com sete (1992-1997 e 2005), seguido pelo domínio da Ferrari entre 1999 e 2004. Honda conquistou três, entre 1989 e 1981, e a Mercedes apenas um, em 1998.
V8 e últimas unidades totalmente à combustão (2006-2013)
Foto de: Red Bull Racing
A mudança do regulamento para motores V8 de 2.4 litros em 2006 padronizou todas (menos uma, o da Toro Rosso, por questões financeiras) as unidades dos carros de F1 até 2013, com a introdução da unidade de potência híbrida.
Apesar disso, a Renault conquistou outro título em 2006, novamente com Fernando Alonso, com o motor RS26 equipando o carro do bicampeonato do espanhol. Em 2007 e 2008, a Ferrari foi a campeã de construtores, com o título de Kimi Raikkonen e o vice de Felipe Massa.
Em 2009, com uma significante mudança nas regras aerodinâmicas dos carros, foi a vez da Mercedes voltar ao topo, agora com a Brawn GP e Jenson Button, que conquistou o título de pilotos e de construtores com o que seria a base da equipe de fábrica da marca alemã.
No entanto, entre 2010 e 2013, a Red Bull, equipada com as unidades da Renault, estabeleceu um grande período de domínio liderado pelo, então jovem, Sebastian Vettel, em quatro anos consecutivos de títulos para a escuderia austríaca e a fabricante francesa.
Nesse período, antes da introdução do motor híbrido, foram cinco títulos da Renault, seguida pela Ferrari, com dois, e outro troféu único da Mercedes.
A era turbo híbrida (2014 - 2025)
Lewis Hamilton, Mercedes AMG F1 W08, kicks up sparks under braking
Foto de: Zak Mauger / Motorsport Images
Em 2014, foi a vez dos motores turbo de 1.6 litros voltarem para a F1, depois de 24 anos de motores exclusivamente aspirados.
No entanto, as novas 'unidades de potência' agora teriam um elemento a mais: o motor elétrico, desenvolvido a partir do KERS, presente na categoria desde 2009 mas que agora teria maior capacidade e importância nos carros, deixando de ser algo suplementar e nomeado, agora, de MGU-K.
Além do sistema de recuperação de energia pela cinética, o MGU-H também foi introduzido, que utilizava a energia térmica do exaustor para carregar a bateria.
Uma fabricante dominou a era turbo híbrida: a Mercedes, com 10 títulos de construtores e oito de pilotos, com um domínio absoluto entre 2014 e 2020 com a equipe de fábrica e um troféu de escuderias em 2021.
Além disso, os motores da 'Flecha de Prata' também fizeram parte dois títulos da McLaren de construtores (2024 e 2025) e um de pilotos (Lando Norris, 2025).
Até 2025, apenas uma fabricante quebrou a hegemonia da Mercedes: a Honda, em parceria com a Red Bull, que venceu os títulos de construtores de 2022 e 2023 e o tetracampeonato de Max Verstappen (2021-2024).
Conclusão
Com exceção dos anos iniciais do campeonato de construtores da F1, todas as 'grandes eras' dos motores da F1 foram dominadas por poucas fabricantes, seja em hegemonias contínuas ou em disputas entre duas, três ou, no máximo quatro marcas.
Um exemplo disso é o domínio absoluto da Ford-Cosworth entre 1968 e 1974 e os títulos da fabricante anglo-americana até 1985, revezando apenas com os sempre presentes motores da Ferrari e, depois de dois títulos da TAG Porsche, uma sequência da Honda e da Renault.
Apenas um único título da Mercedes (1998) separa as eras de domínios da Renault e da Ferrari entre 1992 e 2008, com outro título 'solo' da Mercedes (2009) antes de quatro seguidos da Renault (2010-2013) e a hegemonia das 'Flechas de Prata' na era híbrida (2014-2021 e 2024-2025), separados por dois triunfos da Honda.
O futuro?
Os novos regulamentos técnicos da F1, que aumentam a importância do motor elétrico na unidade de potência para quase 50% da força total, ainda continuam a gerar polêmica pelas diferenças no estilo de pilotagem, incluindo freadas em curvas de alta velocidade, a queda da potência em retas e o uso de táticas de gerenciamento de baterias.
Se o futuro reserva uma categoria mais híbrida e até mais dependente de unidades elétricas ou o retorno dos motores aspirados V8, V10 ou V12, mas com combustíveis sustentáveis, ainda não sabemos.
Di Grassi DESMISTIFICA MAX, se surpreende com Audi de BORTOLETO e é SINCERO sobre HAMILTON, F1 e F-E
Ouça versão áudio do PODCAST MOTORSPORT:
ACOMPANHE NOSSO PODCAST GRATUITAMENTE:
Faça parte do nosso canal no WhatsApp: clique aqui e se junte a nós no aplicativo!
Compartilhe ou salve este artigo
Inscreva-se e acesse Motorsport.com com seu ad-blocker.
Da Fórmula 1 ao MotoGP relatamos diretamente do paddock porque amamos nosso esporte, assim como você. A fim de continuar entregando nosso jornalismo especializado, nosso site usa publicidade. Ainda assim, queremos dar a você a oportunidade de desfrutar de um site sem anúncios, e continuar usando seu bloqueador de anúncios.
Principais comentários