De Norris a Verstappen, pilotos da F1 lamentam saída de Zandvoort do calendário
Na véspera do último GP da Holanda, competidores se despedem de um dos circuitos favoritos
Há apenas 10 anos, poucos poderiam ter previsto que a Fórmula 1 voltaria ao circuito de Zandvoort, um traçado apertado e à moda antiga. Mas, depois de terem desfrutado de um convite anual para a tradicional festa do GP da Holanda, casa de Max Verstappen, desde 2021, os pilotos agora ficam tristes ao se despedirem das dunas.
O Circuito de Zandvoort sedia seu sexto e último GP da Holanda na era moderna, encerrando um ciclo marcante impulsionado pelo sucesso de Max Verstappen. A pista se destaca por desafios de alto risco, como as curvas com inclinação lateral. Além disso, a curva final Arie Luyendyk permite que os carros entrem a toda velocidade na reta principal, prolongando a aceleração nesse traçado técnico.
Apesar da aprovação do grid, o evento se despede do Mundial devido ao fim do contrato e à ausência de apoio governamental para cobrir os riscos financeiros. Diante da saturação da popularidade da F1 no país, os organizadores optaram por encerrar as atividades enquanto o evento está no topo, deixando um sentimento de nostalgia entre os pilotos.
“Vai ser uma pena”, respondeu Oscar Piastri, da McLaren, quando questionado pelo Motorsport.com sobre a saída de Zandvoort - o australiano foi o vencedor da prova no ano passado.
“Como circuito para pilotar, é um dos melhores que temos durante o ano todo. É verdade que, como circuito de corrida, talvez não seja o mais emocionante e, mesmo apenas do ponto de vista logístico, é bem pequeno para a F1".
“Obviamente, é preciso encontrar um equilíbrio. Há tantos países diferentes que querem sediar uma corrida de F1. Para nós, pilotos, todos os circuitos históricos são provavelmente os mais agradáveis de correr".
“Se for para substituí-lo por uma Ímola ou Spa no futuro, então ficarei bastante satisfeito com isso. Mas se for por um outro circuito de rua que talvez não seja o melhor, então há um ponto ideal a ser encontrado. Mas sentiremos falta dele, porque é um lugar legal".
O companheiro de equipe, Lando Norris, acrescentou: “Estou bastante decepcionado porque gosto do evento em si, dos fãs. Embora a maioria deles esteja aqui por um piloto específico, ainda assim é sempre um evento divertido, com boa atmosfera e muita paixão, e é isso que nós queremos. É uma pena e espero que ele volte um dia".
O veterano da Audi, Nico Hulkenberg, que venceu em Zandvoort em 2006 na categoria A1GP, há muito tempo extinta, também elogiou a atmosfera animada do circuito: “Corri aqui muitas vezes na época das categorias de formação e a atmosfera é um pouco como a de uma balada. Tem um clima de verdadeiro festival e eu adorei estar aqui nos últimos anos. Então, vou sentir saudades".
Lance Stroll, da Aston Martin, disse que o alto fator de risco e recompensa das áreas de escape limitadas de Zandvoort aumentava o desafio: “Acho que é simplesmente uma daquelas pistas da velha guarda. Corremos em muitos circuitos modernos com áreas de escape. A gente perde um pouco daquela essência de como é pilotar em uma pista à moda antiga".
“Aqui, ainda é um daqueles lugares com cascalho e grama. Se você sair da pista, está em apuros. É isso que a torna especial".
Lance Stroll, Aston Martin
Foto: Eric Le Galliot
O circuito é uma relíquia de tempos passados, e isso tem seus prós e contras. Os pilotos apreciam seu traçado irregular, as curvas rápidas e o fato de ser estreito e implacável. Mas isso também significa que o circuito é apertado demais para que os carros modernos de F1 ofereçam um espetáculo emocionante.
Isso não é culpa do circuito, mas há um motivo pelo qual somente uma onda sem precedentes de interesse por um herói nacional tornou possível, em primeiro lugar, o GP da Holanda: Verstappen.
O tetracampeão venceu sua corrida em casa três vezes consecutivas, incluindo uma edição eletrizante em 2021, que ocorreu no auge de sua acirrada disputa pelo título com Lewis Hamilton.
Depois de ver a McLaren roubar a cena nos últimos anos, parece improvável que Verstappen represente uma ameaça à vitória em 2026, mas ele ainda assim se mostrou grato pela experiência de correr diante de 100 mil torcedores apaixonados por seis anos consecutivos.
“A história deste lugar, a enorme quantidade de fãs que amam o automobilismo e o traçado da pista é incrível”, resumiu Verstappen ao falar de seu amor por Zandvoort. “É definitivamente muito gratificante quando você acerta tudo; é uma pilotagem bem à moda antiga".
“É sem dúvida uma das melhores pistas do calendário, comparada a algumas que carecem um pouco de personalidade. Com certeza sentiremos saudades dela. Sempre foi muito divertido pilotar aqui".
“Mesmo que eu não fosse holandês, pilotar aqui sempre teria sido incrível. Mas, por ser holandês, isso tornou tudo ainda mais especial".
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