Em meio a incertezas no Oriente Médio, F1 define prazo final para fechar calendário de 2026; saiba mais
Decisão sobre permanência ou substituição dos GPs do Catar e Abu Dhabi deverá ser tomada nos próximos meses e Domenicali admite que EUA está fora dos planos
Ao decidir que a Malásia receberá o GP do Bahrein de 2026, marcado para o início de outubro, a Fórmula 1 resolveu de maneira criativa um dos problemas gerados pelo conflito entre EUA/Israel e Irã no Oriente Médio. Porém, outras duas etapas em países vizinhos continuam programadas e os prazos para uma decisão sobre elas se aproximam.
Catar e Abu Dhabi ainda estão previstas como as duas últimas provas da temporada, após Las Vegas, completando três fins de semana de competição consecutivos. Porém, a situação no Oriente Médio continua instável, sem previsão de normalização. O Campeonato Mundial de Endurance (WEC), também uma categoria FIA, inclusive já anunciou a substituição das rodadas finais no Catar e no Bahrein por corridas em Barcelona e Monza, em outubro e novembro.
CEO da F1, Stefano Domenicali, agora confirmou que deixará a decisão sobre os dois últimos GPs para o mais tarde possível, em meados de setembro e, caso tenham de ser cancelados, serão substituídos por uma etapa europeia, em vez de acrescentar outra prova na América do Norte.
"Em relação ao fim da temporada, estamos em contato com todos os outros campeonatos", disse Domenicali a veículos selecionados, incluindo o Motorsport.com. "Sei que o WEC anunciou que não irá ao Oriente Médio no fim do ano e ficará na Europa. Da forma como estamos estruturados, vamos usar o máximo de tempo possível para ver como a situação vai se desenvolver e tomaremos a decisão no momento certo. Mas isso não será antes de meados de setembro".
"Portanto, para nós hoje, as corridas no Catar e em Abu Dhabi estão confirmadas. Aliás, elas já estão esgotadas. É um sinal incrível de quanto o esporte é maior do que o problema que o nosso mundo está vivendo. Mas se a situação não estiver mais clara da forma como acreditamos que deveria estar, antes de setembro, tomaremos a decisão. E quero confirmar a vocês que, se isso não for possível, o fim da temporada será na Europa, porque não podemos ir para outros lugares", acrescentou.
"Há algumas possibilidades sobre a mesa, mas não acho correto fazer promessas ou antecipar um conjunto de coisas. Essa é a situação de hoje. Portanto, mesmo que eu realmente espere que não seja o caso, se a situação não nos permitir estar lá [no Oriente Médio], vamos terminar na Europa", reforçou.
Circulou no paddock a informação de que outra corrida no Circuito das Américas (COTA), em Austin, nos EUA, estava sendo cogitada, assim como uma rodada dupla em Las Vegas.
No entanto, embora isso fizesse sentido do ponto de vista logístico, na semana após o GP de Las Vegas, marcado para 21 de novembro, é o feriado de Ação de Graças nos EUA. Ou seja, isso significaria marcar um fim de semana de corrida adicional contra uma série de jogos da National Football League (NFL), que tem cinco jogos marcados de 25 a 27 de novembro, incluindo partidas em Los Angeles e Dallas.
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Photo by: Getty Images
Além disso, embora a F1 esteja empenhada em fazer do GP de Las Vegas um sucesso, já que a própria categoria é a promotora do evento, a prova ainda passa por ajustes na busca pelo equilíbrio ideal entre o atendimento VIP e a entrada geral. A edição inaugural de 2023 foi marcada por contestações de atores locais e por áreas VIP visivelmente pouco ocupadas, indicando uma superestimativa da demanda.
Neste mês, a Liberty Media, empresa detentora da F1, concordou em pagar três milhões de dólares (cerca de R$ 15,3 milhões na cotação atual) para encerrar uma ação coletiva movida por espectadores que foram retirados das arquibancadas antes do TL1 em 2023, após a sessão ter sido adiada para reparos emergenciais no asfalto.
Entre as alternativas europeias cotadas, Ímola surge como a principal candidata a sediar o encerramento do campeonato. Pistas na Turquia e em Portugal, que em tese teriam um clima mais ameno nessa época do ano, passam por reformas estruturais para se adequarem aos padrões necessários para retornar ao calendário nas próximas temporadas.
"Se eu olhar as estatísticas da temperatura na Europa nessa época [início de dezembro], é menos frio do que a temperatura média de Las Vegas quando estamos correndo", afirmou Domenicali.
"É algo em que ninguém sabe para onde a temperatura vai ou como estará o tempo. Acho que, na verdade, vemos nesta situação a evolução das mudanças climáticas está acontecendo. Não há certeza sobre nada disso. Mas posso garantir que não faremos nenhuma outra corrida nos EUA. Havia a possibilidade de ter duas corridas em Las Vegas, mas não queremos 'arruinar' algo que está crescendo ao subvalorizar o que estamos fazendo lá", continuou.
"E não podemos esquecer que, nesse período do ano, estamos disputando nos EUA contra a NFL. Esse é um grande esporte que é, não quero dizer atraente, mas há muitos fãs assistindo. Precisamos evitar qualquer tipo de situação que nos colocaria diante de algo que ainda é muito grande nos EUA. Portanto, a única possibilidade é terminar na Europa dentro do mesmo cronograma, esperando que não haja neve, como podemos esperar em outros lugares. Mas acho que o clima deve nos permitir", finalizou.
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