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ESPECIAL: A renovação mental de Felipe Nasr após período na F1

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ESPECIAL: A renovação mental de Felipe Nasr após período na F1
20 de dez de 2018 13:00

Um ano fora da principal categoria do automobilismo deu a Felipe Nasr uma nova perspectiva de sua carreira e um título do IMSA. Confira como isso aconteceu com as palavras do próprio piloto

Por Felipe Nasr para o Autosport.com

Desde criança, a Fórmula 1 era o meu sonho. Foi algo que sempre desejei e trabalhei duro. Eu vim pela primeira vez para a Europa quando tinha 16 anos e dentro de sete anos eu estava na F1 - tudo aconteceu bem rápido.

A minha primeira corrida na Austrália em 2015 é uma das melhores memórias dos meus dias de F1. A situação legal significava que nenhum de nós tínhamos certeza se iríamos correr, tínhamos nossos carros retidos, tudo foi confiscado pelos tribunais e eu perdi o primeiro treino livre em uma pista que nunca pilotei antes.

Albert Park não é fácil de aprender, mas estudei meu caminho e terminei em quinto. Isso foi algo muito especial.

Naquele ano, tínhamos um motor da Ferrari que não era como a versão atualizada, mas consegui 27 pontos. No ano anterior, a Sauber marcou zero! Foi ótimo para mim, nascemos com um bom carro e ficamos até o final do ano sem atualizações.

Em 2016, a equipe estava em uma fase de transição e não tinha dinheiro para dar suporte a dois carros. Por exemplo, ainda estávamos usando aquecedores de pneus dos dias de BMW.

A temperatura máxima era de 110 graus e sempre tentamos estar no nível ideal, mas você sairia para a classificação e teria temperaturas diferentes em cada um dos pneus, mas as pessoas não percebem isso.

Você não pode controlar essas coisas, esse era o ambiente que tínhamos na época.

Tudo o que eu poderia fazer na pista, eu fiz. Trabalhei duro e terminei o ano marcando dois pontos no Brasil, o que salvou a equipe, dando-lhes um bônus por terminar entre os 10 melhores construtores.

Eu parei a Manor e, ao mesmo tempo, a Sauber não queria assinar comigo novamente depois de eu trazer a maior quantia de dinheiro que eles poderiam receber. Isso é F1 para você.

Para as equipes menores que querem apenas sobreviver, o piloto não é uma preocupação primordial e, quando recebi a notícia depois de Abu Dhabi, já era tarde demais para fazer qualquer outra coisa para  2017.

A F1 é muito exigente e a temporada deixa todo mundo cansado, mas ao mesmo tempo é o auge do automobilismo, então quando os pilotos não a têm mais, eles se sentem vazios.

Para começar, foi o mesmo para mim. Eu não sabia para onde ia ou o que ia acontecer. Mas eu sabia que ia ser um ano para me conhecer novamente e, ao mesmo tempo, ganhei um ano para restaurar toda energia.

Eu comecei a tocar guitarra, conheci meus amigos novamente e viajei para lugares que eu queria ir. Tudo isso me deu uma perspectiva muito maior da vida longe da pista - com quem você sai, onde você gasta seu tempo e onde você coloca sua energia.

Desde antes de entrar na F1, sempre tive um treinador extremamente atencioso, o que foi uma vantagem para mim. Mas esse ano me fez perceber que você pode se tornar um piloto que acaba esquecendo o quanto você é humano.

Você sai com pilotos e tudo o que eles falam é sobre corridas. Eles querem ser pilotos de corrida o tempo todo e não têm essa compreensão de seu lugar longe da pista.

Acho que, como pilotos, colocamos muita energia e estresse em coisas desnecessárias. Talvez eles vão passar pelo que eu passei quando eles tiverem 40 anos e não serão mais pilotos, vão estar deprimidos!

Talvez tenha sido um ano de merda sem dirigir, mas foi muito bom para mim porque me ajudou a perceber o quanto eu amo o que faço. Meu primeiro teste com a equipe Action Express foi como se eu nunca tivesse saído e dentro de cinco ou dez voltas eu estava lá.

Não importava que fosse um protótipo e não um carro de F1. Eu só sabia que queria seguir em frente como piloto de corridas, então toda vez que estou em um carro de corrida desde então, dava tudo o que tinha.

Estou com mais fome do que nunca e agora sinto o equilíbrio certo entre pressão e prazer, porque todo final de semana no IMSA eu sou capaz de vencer corridas ou estar no pódio.

Pode ser que alguns pilotos percorram de 10 a 15 anos na F1 e nunca subam ao pódio, mas pensam “eu preciso estar na F1”. Mas quem está pedindo para você estar na F1? É sua mente, ou é o seu senso de realização como piloto?

Para mim, era natural que eu precisasse voltar às corridas vencendo e lutar por um campeonato, e foi exatamente isso que fizemos.

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Categoria Fórmula 1 , IMSA