F1: "Alguns circuitos foram assassinados" pelas regras de 2026, critica Alonso
Espanhol revelou ter conversado recentemente com o presidente da FIA sobre como melhorar a categoria
No grid da Fórmula 1 desde 2001, o bicampeão Fernando Alonso continua em busca de melhorias para a categoria enquanto pondera sobre seu futuro. Nesta quinta-feira, o espanhol voltou a criticar o regulamento atual, argumentando que pistas importantes foram "assassinadas" por causa das regras de 2026.
Espera-se que Alonso continue na Aston Martin por mais uma temporada, porém, as frustrações contínuas com o regulamento técnico de 2026, o qual enfatiza a gestão de bateria, coloca esse cenário em cheque. A FIA já confirmou mudanças técnicas para 2027, visando chegar a uma divisão de 60/40 entre combustão e a parte elétrica em 2028, mas o espanhol quer ir além.
Décimo nono colocado no campeonato de pilotos, Alonso teve um início de ano muito complicado com o time de Silverstone, entretanto, sua principal preocupação é com a categoria como um todo. Recentemente, o espanhol manteve conversas com o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, para expressar seu descontentamento, discutindo também o plano da Federação de repensar o ADUO para fabricantes de unidades de potência em dificuldades, como a Honda.
"Somos menos competitivos do que o grid sim, mas não acho que esse seja o ponto crítico para eu tomar uma decisão", disse quando questionado pelo Motorsport.com para esclarecer suas conversas com a F1 e a FIA. "No próximo ano, já há uma mudança com a proporção 60-40 e isso vai melhorar as coisas, mas talvez haja mais coisas em que precisamos pensar para continuar melhorando".
Fernando Alonso, Aston Martin Racing
Photo by: Alastair Staley / LAT Images via Getty Images
"Como disse em Madri, isso também é minha responsabilidade. Pilotei aqui tempo suficiente e acho que todos viemos das fórmulas de base, do karting, da F3, F2, em que pilotamos com esse instinto de ir rápido; atacar as curvas e correr alguns riscos. E então você chega à F1 e precisa rebobinar o que aprendeu nos últimos 20 anos da sua carreira pois precisa pilotar com um método diferente. Isso só acontece na F1", continuou.
"Não há outra categoria no automobilismo em que seja preciso pilotar devagar para ser rápido. Este ano houve algumas corridas boas e corridas ruins e acho que precisamos aprender com elas", justificou.
O maior incômodo de Alonso é como alguns dos circuitos favoritos dos pilotos da F1, com curvas de alta velocidade, perderam o brilho: "Acho que foram talvez Mônaco e Budapeste [melhores do que o esperado]. Tivemos algumas corridas boas e, depois, corridas muito ruins. Tivemos Silverstone, um circuito incrível... já não é mais divertido. Tivemos Spa, que foi meio constrangedor. Eau Rouge, Suzuka, a 130R... Alguns circuitos foram assassinados este ano".
Fernando Alonso feels the 2026 have "killed" iconic circuits like Silverstone, Spa and Suzuka.
Photo by: Alastair Staley / LAT Images via Getty Images
"Acho que com as lições deste ano talvez ainda haja espaço para aprender e ter um esporte melhor no próximo ano. Essa é a conversa que está em andamento entre mim, Stefano [Domenicali, CEO da F1], Mohammed e as equipes em geral", detalhou.
Domenicali frequentemente falou de 2026 como um ano "incrível" para a F1. Porém, quando questionado se há uma desconexão entre o chefe da F1 e os pilotos, Alonso reconheceu que a categoria está em uma posição saudável do ponto de vista comercial.
"Tendo a concordar sobre o esporte em geral. Estamos no melhor momento em que já estivemos. A F1 está crescendo e há novos fãs chegando. Às vezes as corridas são divertidas de assistir e acho que os eventos são ótimos. O GP de Miami, por exemplo, é incrível. Sempre levo minha família e adoraria ir a Miami como VIP e espectador", falou.
"Ao volante, especialmente se você pilotou em diferentes categorias ou conheceu outra era da F1, provavelmente haja um pouco de frustração. Essa [frustração] é a que estamos comunicando. Talvez eu seja mais direto e claro nos meus comentários e Max [Verstappen] também. Alguns pilotos ficam um pouco quietos, mas acho que todos sentimos o mesmo", concluiu.
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