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F1: Após segundo lugar de Hamilton no Canadá, Ferrari é favorita em Mônaco?

Com as baixas temperaturas de Montreal, heptacampeão soube aproveitar a maior carga traseira do SF-26 para ultrapassar Red Bull de Verstappen

Lewis Hamilton, Ferrari

A Ferrari continua sendo a segunda força e se mantém firme: no GP do Canadá de Fórmula 1, com a superioridade da Mercedes dada como certa, previa-se que a McLaren e a Red Bull a ultrapassariam. A equipe de Woking se autosabotou com uma escolha estratégica de pneus errada, enquanto o RB22 de Max Verstappen teve que se render à recuperação imponente de Lewis Hamilton, particularmente à vontade em um circuito como o de Montreal, que ele considera seu “quintal”. 

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Foto de: Cristobal Herrera-Ulashkevich / via Getty Images

A Scuderia, finalmente, colhe frutos na F1, pois a queda na bolsa de valores na reabertura das negociações de terça-feira (26) tornou o dia muito difícil para quem possui ações da Ferrari: queda de 6%.

O mercado rejeita o Ferrari Luce, o primeiro carro elétrico da marca apresentado na segunda-feira (25) em Roma. A “provocação” de Maranello está destinada a gerar discussão: o estilo se destaca deliberadamente dos outros carros da marca. Talvez seja preciso se acostumar com algo diferente, assim como a motorização elétrica é diferente: 1.050cv e 990 Nm de torque com tecnologia de ponta e interior extraordinário.  

A Ferrari quer ser diferente de todas as outras e, para encontrar sua identidade, está disposta a pagar um preço alto. Os colecionadores vão disputar para tê-la. Mas ela não deve ser julgada no imediato, e sim em uma perspectiva de médio prazo. O mesmo vale para o Luce e para o SF-26

Andrea Kimi Antonelli, Mercedes, Lewis Hamilton, Ferrari

Andrea Kimi Antonelli, Mercedes, Lewis Hamilton, Ferrari

Foto de: Alex Bierens de Haan / LAT Images via Getty Images

O carro projetado por Loic Serra não consegue acompanhar o ritmo da Mercedes e, mesmo que não queiram falar sobre isso, em Maranello há uma forte suspeita de que a questão da taxa de compressão aumentada, aliada a uma gasolina especial desenvolvida especificamente para esse uso do motor de combustão interna, possa ter ampliado a diferença de potência para além dos 20cv estimados desde o início da temporada.

A partir de 1º de junho, os critérios de medição da taxa de compressão mudam, passando da temperatura ambiente para 130°C e com o carro em funcionamento: em Brixworth dizem que nada vai mudar. É possível, mas vamos ver.

O que se diz é que a Ferrari tem o melhor chassi e a aerodinâmica mais inovadora, mas com uma unidade de potência que não está à altura, que é inadequada. Aguarda-se a decisão da FIA sobre a concessão do ADUO, na esperança de reduzir (pela metade?) a diferença de potência e voltar à disputa para desafiar também as Mercedes. 

Lewis Hamilton, Ferrari

Lewis Hamilton, Ferrari

Foto de: Guido De Bortoli / LAT Images via Getty Images

O Canadá, porém, ofereceu algumas interpretações interessantes que não devem ser negligenciadas. O segundo lugar de Hamilton deve ser analisado, pois oferece pontos de reflexão. Na longa reta que antecedia a chicane com o 'Muro dos Campeões', a Ferrari perdeu 2,7 km/h para a Red Bull, que possui um motor quase igual ao da Mercedes.

Uma diferença não tão impressionante, considerando que o heptacampeão ficou pouco mais de um décimo atrás do vencedor Kimi Antonelli. E se buscarmos uma explicação, podemos dizer que a asa traseira é uma joia, pois, em comparação com a versão padrão, a “Asa Macarena” vale 8,5 km/h! 

O SF-26 possui uma carga traseira invejada por todos: com 13°C de temperatura do ar e 17°C do asfalto, a Scuderia conseguiu controlar melhor do que os outros as baixas temperaturas e a dificuldade de manter os pneus na faixa de funcionamento correta.

Hamilton, além disso, em comparação com Charles Leclerc, aceitou correr um pouco mais de risco nas escolhas de configuração, apostando em um ângulo de cambagem maior: menor superfície de contato no asfalto nas retas e maior nas curvas.

Lewis apostou em um ajuste que o expunha a uma frenagem menos precisa, mas teve a coragem de tentar, encontrando finalmente aquela satisfação que buscava desde que chegou a Maranello. 

Lewis Hamilton, Ferrari

Lewis Hamilton, Ferrari

Foto de: Geoff Robins / LAT Images via Getty Images

E é justamente Hamilton, após o segundo lugar em Montreal, que de olho em Mônaco. Se é verdade que no Principado o motor não é o elemento principal do desempenho, mas sim o chassi e a carga aerodinâmica, é legítimo esperar uma Ferrari capaz de buscar o melhor resultado. Pole position e vitória. 

“É um processo longo para dar passos à frente", explicou Lewis em Montreal, "mas se conseguirmos um segundo lugar em uma pista onde a potência é determinante, então acho que nos circuitos onde a potência terá menos influência, talvez possamos fazer ainda melhor. Olho para frente e penso em Mônaco...”. 

Frederic Vasseur, Ferrari

Frederic Vasseur, Ferrari

Foto de: Ryan Pierse / Getty Images

Fred Vasseur, chefe de equipe da Ferrari, do Canadá voltou sua atenção diretamente para a Espanha, onde a Scuderia colocará em pista o segundo pacote aerodinâmico. Para o francês, a recuperação pode começar em Barcelona, pulando Mônaco. 

Mas o circuito da terra natal de Charles parece ter sido desenhado propositalmente para realçar todas as qualidades do SF-26, colocando em segundo plano as falhas. Por isso, é lógico que os torcedores da Scuderia esperem um carro competitivo já a partir da próxima etapa do calendário. 

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