F1: Audi estreia 'novo câmbio' em Monza; saiba mais
Equipe identificou problemas ainda nos testes de pré-temporada; solução demorou 24 semanas
Gabriel Bortoleto, Audi F1 Team
Foto de: Simon Galloway / LAT Images via Getty Images
A Audi chega em Monza para o GP da Itália de Fórmula 1 com uma novidade que vem sendo preparada há cerca de seis meses. O R26 terá uma nova configuração das relações de câmbio, uma mudança planejada depois que a equipe identificou, ainda nos testes de pré-temporada, um problema na distribuição das marchas.
De acordo com informações do Motorsport-Magazin.com, as simulações realizadas antes da estreia da nova unidade de potência não reproduziram com precisão todas as necessidades do carro em condições reais de pista. Quando o R26 começou a rodar, a Audi percebeu que a primeira marcha era curta demais, enquanto a oitava apresentava uma relação excessivamente longa.
Diferentemente de uma atualização aerodinâmica, porém, uma alteração nas relações de câmbio não pode ser implementada rapidamente, pois o processo envolve custos, produção e planejamento específicos. Como as engrenagens são fabricadas por um fornecedor externo, a Audi precisou esperar 24 semanas até ter os novos componentes disponíveis.
A estreia acontecerá justamente em Monza, um dos circuitos que mais exigem eficiência das unidades de potência ao longo da temporada. Com longas retas e poucas curvas, o traçado italiano coloca grande importância sobre o gerenciamento de energia e a eficiência do conjunto propulsor.
A principal intenção da Audi com a mudança é ampliar a eficiência da unidade de potência ao longo da volta. Ao reduzir a diferença entre a primeira e a oitava marcha, a equipe pretende manter o motor por mais tempo dentro da faixa de rotação considerada ideal para seu funcionamento.
Não se trata, portanto, de uma atualização que necessariamente produzirá um grande ganho de desempenho por si só. A expectativa é que a nova configuração elimine um compromisso que Nico Hülkenberg e Gabriel Bortoleto precisaram enfrentar desde o começo da temporada e permita que a unidade de potência seja utilizada de maneira mais eficiente.
Novos componentes podem afetar largadas
Um dos pontos que merece atenção será justamente a largada. Após muita dificuldade na primeira parte da temporada, essa é uma das áreas em que a equipe mais tem trabalhado nos últimos meses.
A equipe já havia introduzido um turbocompressor um pouco menor em Barcelona, medida que ajudou a melhorar o comportamento do carro. Além disso, Hülkenberg e Bortoleto também trabalharam no gerenciamento do procedimento de largada. Agora, a primeira marcha será mais longa, significando que alguns dos parâmetros usados pelos pilotos nas largadas precisarão ser novamente ajustados.
Será interessante observar o comportamento do R26 quando as luzes vermelhas se apagarem em Monza, especialmente porque a embreagem e o sistema responsável pelo seu controle continuam entre as áreas nas quais a Audi ainda busca evolução.
Custo pesou na decisão
Além dos desafios técnicos, a mudança representa uma operação relevante do ponto de vista financeiro. Alterações desse tipo precisam ser consideradas dentro do teto orçamentário da F1, o que torna a decisão ainda mais importante para uma equipe que precisa escolher cuidadosamente onde investir seus recursos.
A McLaren passou por uma situação semelhante. As relações de câmbio inicialmente escolhidas pela equipe de Woking foram definidas com base nos dados fornecidos pela Mercedes HPP no meio do ano. Quando os carros foram à pista, porém, ficou claro que os números não correspondiam perfeitamente ao comportamento observado.
O problema também apareceu nos primeiros testes do ano, em Barcelona, mas a diferença é que a McLaren decidiu não alterar as relações de câmbio, já que o custo da operação teria impacto significativo sobre o orçamento disponível. A equipe preferiu direcionar os recursos para o desenvolvimento aerodinâmico do carro.
Monza será TUDO ou NADA! Os BASTIDORES da F1 ATUAL e do PASSADO com PIETRO FITTIPALDI e FELIPE MOTTA
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