F1: Audi demonstra intenção de recorrer contra decisão que livrou Tsunoda de punição e tenta 'herdar' P10 para Bortoleto
Japonês cruzou a linha de chega em 10º lugar, uma posição à frente do brasileiro
Foto de: Simon Galloway / LAT Images via Getty Images
A Audi informou formalmente à Federação Internacional de Automobolismo (FIA) que pretende recorrer da decisão de não penalização aplicada a Yuki Tsunoda durante o GP da Itália de Fórmula 1 que poderia ter colocado Gabriel Bortoleto em P10 após a bandeira quadriculada.
Durante o procedimento de relargada, após a bandeira vermelha causada pela batida de Charles Leclerc, o japonês parou no colchete de largada do lado errado do grid, à esquerda, e posteriormente foi informado que precisava se alinhar do lado direito. Por não ter colocado o carro de maneira 100% reta, a direção de prova decidiu fazer outra volta de apresentação.
Ao fim do GP, Yuki cruzou a linha de chegada em 10° e Gabriel Bortoleto, piloto da Audi, em 11º, uma posição de pontuar. Após a corrida, Tsunoda foi ouvido pelos comissários que decidiram não punir o piloto.
Na documento oficial da FIA, o diretor de prova assumiu a responsabilidade pela volta de formação extra, alegando que o japonês havia parado o carro de maneira correta, mas destacou que ele ainda não se sentia seguro de autorizar o início da corrida daquela maneira.
Confira a decisão na íntegra:
"Os comissários ouviram o piloto do carro nº 22 (Yuki Tsunoda), o representante da equipe, o diretor de prova da FIA e o diretor esportivo da FIA do Departamento de Monopostos, além de analisarem imagens de vídeo e gravações feitas pela câmera onboard.
O carro nº 22 aproximou-se do grid inicialmente em direção ao lado esquerdo da pista. Ao perceber que estava se dirigindo para a posição errada no grid, o piloto mudou de direção e posicionou o carro corretamente na sua posição de largada, dentro do espaço correspondente no grid. Isso foi verificado pelos comissários por meio de imagens de diferentes ângulos de câmera.
O diretor de prova declarou, durante seu depoimento, que foi uma decisão sua, baseada no comportamento do carro na aproximação à posição do grid, determinar a realização de uma volta de formação adicional. Ele afirmou que não se sentia confortável em iniciar a corrida com o carro naquela posição.
O representante da equipe declarou que:
(i) O carro não estava em uma posição de “falsa largada” — em referência ao Artigo B5.1.1c do regulamento da F1 — porque nenhum ponto de contato dos pneus dianteiros estava fora das linhas que delimitam o espaço do grid, tanto na frente quanto nas laterais;
(ii) Durante a reunião dos pilotos, o diretor de prova informou que, para a largada, os limites da pista seriam as paredes dos boxes e que, neste caso, embora o carro estivesse apontado para a direita, havia pelo menos quatro metros de espaço para que ele pudesse sair da posição de largada;
(iii) Nenhum outro piloto foi afetado pela posição do carro nº 22;
(iv) O piloto do carro nº 22 não foi a “causa” da volta de formação adicional;
(v) Em nenhum momento a equipe foi informada de que o Controle de Corrida considerava o carro nº 22 como a causa da volta de formação adicional.
Os comissários concordam com os pontos acima e consideram que a volta de formação adicional resultou da avaliação da situação feita pelo diretor de prova, e não foi causada diretamente pelo piloto do carro nº 22.
Surge aqui uma questão fundamental: para cumprir a exigência de entrar e largar do pit lane, o piloto precisaria saber que foi o responsável pela volta de formação adicional.
O representante da equipe citou situações em que voltas de formação adicionais foram iniciadas devido a circunstâncias externas, como a posição de um fotógrafo, entre outras.
Neste caso, nenhuma mensagem foi enviada à equipe ou ao piloto informando que eles eram considerados responsáveis pela volta de formação adicional.
A equipe, com base no fato de que o carro estava posicionado dentro de seu espaço no grid de largada e em conformidade com o regulamento, não tinha, em nossa avaliação, qualquer motivo para instruir seu piloto a entrar e largar do pit lane.
Dessa forma, independentemente de o piloto ter ou não causado diretamente a volta de formação adicional, a equipe e o piloto não sabiam que estavam sendo considerados responsáveis por ela. Portanto, determinamos que não podemos aplicar uma penalidade de Stop and Go neste caso e decidimos não tomar nenhuma outra medida.
Observamos que o diretor de prova agiu de boa-fé e por excesso de cautela ao determinar a realização de uma volta de formação adicional.
Também observamos que a FIA pode considerar a implementação de um procedimento para informar as equipes e os pilotos quando eles forem considerados responsáveis por uma volta de formação adicional, permitindo que cumpram os requisitos do Artigo B5.9.4.
Os competidores são lembrados de que têm o direito de recorrer de determinadas decisões dos comissários, de acordo com o Artigo 15 do Código Desportivo Internacional da FIA e com o Capítulo 5 das Regras Judiciais e Disciplinares da FIA, dentro dos prazos aplicáveis.
As decisões dos comissários são tomadas de forma independente da FIA e baseiam-se exclusivamente nos regulamentos, diretrizes e evidências relevantes apresentados."
Após a corrida, a Audi apresentou a "Notificação de Intenção" informando que vai recorrer da decisão, alegando que o artigo B5.9.4 não foi cumprido corretamente. Confira a nota na íntegra:
"Após o Grande Prêmio da Itália, manifestamos nossa preocupação quanto à aplicação do Artigo B5.9.4, que exige que o piloto responsável por uma volta de apresentação adicional entre no pit lane e retome a corrida a partir de lá. Os comissários decidiram não tomar nenhuma medida adicional, e notificamos nossa intenção de recorrer. Como a questão está agora sujeita ao processo de apelação da FIA, não faremos mais comentários nesta fase."
O artigo B5.9.4
O Artigo B5.9.4 estabelece que, se um piloto causar uma volta de formação adicional e conseguir participar dessa volta, ele deverá entrar no pit lane ao final dela e iniciar a corrida a partir do pit lane. Somente se o piloto deixar de fazer isso é que será aplicada a penalidade obrigatória de Stop and Go.
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