F1: 'Barrichello já tinha aceitado deixar Schumacher passar', revela Todt sobre polêmico GP da Áustria de 2002
Chefe da Ferrari falou sobre bastidores da equipe antes de lance polêmico
Michael Schumacher, Ferrari F2002, follows team orders and takes over team mate Rubens Barrichello, Ferrari F2002
Foto de: LAT Photographic
"Hoje não, hoje não, hoje sim... hoje sim?". A indignação na voz do narrador Cléber Machado materializou o sentimento de milhares de brasileiros quando Rubens Barrichello deixou Michael Schumacher ultrapassá-lo na última volta do GP da Áustria de 2002 de Fórmula 1, seguindo ordens da Ferrari. 24 anos depois, Jean Todt compartilhou alguns detalhes sobre o momento.
Em entrevista ao podcast High Performance, o então chefe de equipe da Ferrari explicou que "para a disciplina da equipe, em determinado momento da temporada, demos prioridade ao piloto". Segundo Todt, a manobra fora combinada com antecedência, contando inclusive com a concordância do piloto brasileiro.
"Naquela corrida, concordamos que, se Rubens estivesse à frente de Michael antes do último pit stop, teria que deixá-lo passar. Certo ou errado, isso já tinha sido combinado e aceito. Em retrospecto, provavelmente poderia ter sido uma má decisão, mas naquela época talvez não tivesse sido. E, de qualquer forma, era uma decisão aceita, todos sabiam disso", lembrou o francês.
Barrichello havia largado na pole, com Schumacher tendo ultrapassado o irmão, Ralf, na largada. A dupla da Ferrari liderou toda a prova e, a oito voltas para o fim, veio a ordem para deixar o heptacampeão passar. O brasileiro deixou nos últimos metros da última volta.
"Rubens não queria respeitar o que havia sido decidido, o que causou um grande constrangimento. Tenho que dizer que ele não gerenciou bem, colocou o time em uma situação muito controversa. Foi muito constrangedor e Michael também ficou muito envergonhado", acrescentou Todt.
"Normalmente eu não falava pelo rádio, havia engenheiros e Ross Brawn. Naquela ocasião, tive que fazer isso e lembrá-lo do que havia sido combinado. Era parte do meu trabalho, ser líder de uma equipe também significa ser bombeiro. Se houver um incêndio, você deve apagá-lo. Você não deixa o fogo continuar queimando. Eles nos atacaram, sim, mas era só fumaça. É melhor ser atacado por um bando do que por uma aposentadoria", finalizou o ex-chefe da Ferrari.
Barrichello ve Schumacher podyumda
Foto de: Motorsport.com Turkey
Em entrevista a revista Playboy em 2012, uma década após o episódio, Barrichello disse que "foram oito voltas de guerra. É muito raro eu perder a calma, mas, naquele rádio, saiu gritaria. Fui até o final, até a última curva, falando que não ia deixar ele passar. Até que eles falaram algo relacionado a alguma coisa mais ampla. Não era contrato. Era uma situação que deixou no ar".
No pódio, Schumacher tentou 'remediar' a situação, descendo do primeiro lugar do pódio, para que Barrichello subisse à posição mais alta. Ainda assim, a Ferrari foi muito vaiada e precisou pagar um milhão de dólares em multa meses depois por quebrar o protocolo na cerimônia do pódio.
MOLINA é ENFÁTICO sobre momento CAÓTICO da F1, além de motores, Hamilton, Verstappen, Bortoleto e +
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