F1 - Ben Sulayem rebate críticas a comissários: "Também acham que FIA é contra britânicos"
Presidente da FIA abordou os comentários negativos contra comissários após as punições aplicadas a Franco Colapinto e Arvid Lindblad no GP da Holanda
Os comissários da FIA voltaram a ser alvos de polêmica no GP da Holanda de Fórmula 1 devido às penalidades aplicadas a Franco Colapinto e Arvid Lindblad, quando ambos estavam na disputa por pontos. Mohammed Ben Sulayem, presidente da Federação Internacional, defendeu o comissariado, afirmando que eles recebem comentários negativos sobre as punições envolvendo pilotos britânicos e sul-americanos.
Lindblad e Colapinto foram punidos com um drive-through por ultrapassarem outros pilotos sob bandeira amarela, logo após Max Verstappen ter batido contra o muro no final da primeira volta em Zandvoort.
Tanto o piloto da Alpine quanto o da Racing Bulls discordaram da decisão, enquanto também houve críticas por parte do público. O assunto também levou a uma análise detalhada do ex-piloto Jolyon Palmer, que explicou por que havia “atenuantes” que os comissários deveriam ter levado em consideração.
Ben Sulayem foi questionado sobre sua posição a respeito durante uma coletiva de imprensa no âmbito do Congresso Americano da FIA em Buenos Aires, bem como sobre a possibilidade de incorporar comissários sul-americanos nas corridas de F1.
"No momento, estamos realizando um treinamento. Chegamos até a organizar um curso de formação. Por isso, pedimos às autoridades esportivas dos países que nos enviem nomes para que possamos treinar os comissários, pois vamos fazer um rodízio entre os comissários”, comentou.
Ben Sulayem acrescentou que as reclamações sobre a atuação dos comissários esportivos não vêm apenas da Argentina ou da América Latina, mas que ele também recebeu comentários a esse respeito da Grã-Bretanha.
“Vou analisar isso, porque também ouvi outras pessoas dizerem que estão contra outras pessoas. Comigo acontece a mesma coisa. As pessoas [também] acham que a FIA está contra os britânicos, mas não estamos contra eles".
"Mas, sabe, às vezes é bom perguntar aos comissários e sempre se aproximar deles para dizer: sejam sempre justos. Podem ser rigorosos, mas precisam ser justos. A justiça é a missão da FIA”.
Por fim, o presidente da FIA prometeu conversar com Colapinto sobre o assunto para conhecer seu ponto de vista sobre o que aconteceu na Holanda. “Vamos analisar e ver. E vou conversar com ele. Vou ligar pessoalmente para o Franco. Vou ouvir o que ele tem a dizer".
Ben Sulayem reafirmou opinião contra o ódio online
Após o GP da Holanda, a FIA condenou o ódio na internet contra os comissários da F1, em particular devido à punição imposta a Colapinto em Zandvoort. Até mesmo um executivo de um dos principais patrocinadores do argentino chegou a questionar a integridade dos comissários em uma publicação na rede social X, que posteriormente foi excluída.
Ben Sulayem se mostrou firme ao afirmar que não tolerará esse tipo de comportamento, mas ressaltou que deve ser um esforço de toda a comunidade do automobilismo.
“Os abusos são direcionados contra os pilotos, os jornalistas, os comissários e muitos de nós. E há dois anos, dois anos e meio, eu disse que, se não fizesse algo a respeito, nosso esporte ficaria além de qualquer possibilidade de reparação”, afirmou.
“Porque me lembro que, em Miami, há dois anos, tivemos um problema. Uma de nossas comissárias era uma mulher da Espanha. A ameaçaram de morte, de matar sua família, e ela enviou uma carta dizendo: ‘Chega, não vou mais fazer isso’. Foi então que iniciamos essa união contra os abusos na internet. Governos, federações e mídia, todos juntos".
"E agora o impulso continua. As equipes estão conosco. Isso é uma maratona. Não posso fazer isso sozinho. A FIA não pode fazer isso sozinha. É um esforço conjunto".
O presidente da FIA também citou um estudo que indicava que a grande maioria dos abusos online vem do continente americano e que o problema vai além do automobilismo.
“70% dos abusos vieram das duas Américas (América do Norte e América do Sul). E o restante, na verdade, vem da Europa, talvez uns 18% ou algo assim. Portanto, o resto do mundo representa apenas 12% ou 10%. E isso ocorre em todos os esportes, não apenas no automobilismo”, concluiu.
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