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F1: Binotto vê Audi com o "quarto melhor chassi" de 2026

Para o dirigente da Audi, o problema do projeto deste ano claramente está no motor; Binotto prevê uma melhora neste fronte apenas em 2028

Nico Hulkenberg, Audi F1 Team

Os resultados na temporada 2026 da Fórmula 1 não indicam isso. A classificação no Mundial também não. Mas Mattia Binotto está convencido de que, por baixo da superfície, a Audi possui algo muito mais promissor do que os números mostram.

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O projeto da marca alemã chegou oficialmente à F1 com a intenção de construir uma estrutura capaz de disputar vitórias e campeonatos, embora sempre tenha assumido que o caminho seria longo.

Ninguém dentro da Audi esperava entrar em 2026 dominando a categoria, especialmente com o enorme desafio de desenvolver uma unidade de potência própria do zero em uma era técnica cada vez mais complexa. No entanto, se há uma área em que Binotto acredita que a equipe já deu um salto importante, essa é o chassi.

Durante sua participação no podcast oficial da F1, Beyond The Grid, o italiano surpreendeu ao fazer uma avaliação muito otimista sobre o desempenho real do carro que atualmente compete com as cores da Audi.

“Acho que podemos conseguir”, disse ele quando questionado especificamente sobre o desempenho do monoposto além do motor. “E estou muito satisfeito com o chassi”.

Uma afirmação que poderia parecer normal na boca de qualquer chefe de equipe, mas que foi seguida por uma avaliação muito mais contundente.

“Acho que nosso carro é bastante rápido nas curvas”, explicou. “Chegamos até a acreditar que talvez sejamos a quarta equipe em termos de chassi, o que, para a antiga Sauber, é um resultado extraordinário”.

A afirmação chama especialmente a atenção porque surge num momento em que a Audi continua longe das posições que tradicionalmente ocupam as grandes equipes do grid.

A Mercedes iniciou a nova era regulamentar como a equipe a ser batida, enquanto Ferrari, McLaren e Red Bull continuam formando o grupo da frente. Atrás delas, equipes como Williams, Racing Bulls ou Haas conseguiram, em vários fins de semana, aproveitar melhor suas oportunidades.

Justamente a Williams se tornou uma referência incômoda para a Audi. A equipe britânica convenceu Carlos Sainz a se juntar ao seu projeto e, embora o início de 2026 tenha sido complicado devido a problemas de desenvolvimento, as últimas melhorias parecem ter devolvido Grove à luta pela liderança do meio do pelotão.

Uma situação que contrasta com a relativa estabilização da Audi após o impulso inicial demonstrado nas primeiras corridas. Para Binotto, no entanto, a explicação é clara: O problema não está na base aerodinâmica do carro.

“Temos uma boa correlação entre o túnel de vento e o simulador. Do ponto de vista da engenharia, isso era o mais importante”, explicou. “Demos um passo à frente em nossos processos e metodologias”.

De fato, o italiano considera que o trabalho realizado em Hinwil demonstra que a transformação já está em andamento.

“Ainda não somos a referência, não somos os melhores, mas acredito que estamos no caminho certo”, garantiu. A chave está em outro lugar. E Binotto não a escondeu durante a entrevista.

Enquanto o chassi recebe elogios internos, a unidade de potência continua sendo o grande ponto fraco do projeto. O próprio dirigente reconheceu que a distância em relação às fabricantes mais consolidados ainda é considerável e que a recuperação não será imediata.

“Se medirmos nossa diferença em relação aos melhores concorrentes, provavelmente a maior lacuna está no desempenho da unidade de potência, em seus controles e na dirigibilidade”, admitiu. 

A Audi está tão convencida disso que o próprio Binotto apontou 2028 como o primeiro grande ponto de inflexão do projeto.

“Acreditamos que não será possível atingir o nível adequado em 2027, mas sim em 2028”, afirmou, explicando que, para diminuir a diferença, será necessário modificar elementos fundamentais do motor.

Por isso, embora os resultados atuais possam parecer modestos, dentro da Audi existe a sensação de que a parte mais difícil de construir um carro competitivo já está começando a aparecer. O chassi, segundo Binotto, já está pronto. Agora falta que o motor permita demonstrar isso na pista.

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