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F1: Corridas 'ioiô' não serão tendência em 2026; entenda razão

Particularidades do Circuito de Albert Park pode ter gerado uma percepção distorcida do novo regulamento e das ultrapassagens nesta temporada

General view of the circuit

Foto de: Dom Gibbons / Formula 1 via Getty Images

As corridas em formato de 'ioiô' serão mesmo uma tendência na Fórmula 1 com a mudança no regulamento das unidades de potência? A grande quantidade de ultrapassagens durante o GP da Austrália levantou um questionamento que pode não refletir necessariamente a tônica da temporada.

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A corrida em Melbourne foi bastante criticada pelos pilotos devido à artificialidade atribuída às inúmeras ultrapassagens em sequência na reta, principalmente nas disputas entre George Russell e Charles Leclerc. Contudo, muito desse comportamento dependerá do tipo de pista utilizada.

PISTA RECUPERAÇÃO DE ENERGIA MÁXIMA
Monza 6 MJ
Jeddah 6,5 MJ
Albert Park, Red Bull Ring 7 MJ
Montreal, Las Vegas 8 MJ
cZandvoort, Interlagos, Lusail, Yas Marina 8,5 MJ
Xangai, Suzuka, Sakhir, Miami, Mônaco, Spa Francorchamps, Hungaroring, Madri, Baku, Singapura, Austin, México 9 MJ

Por apresentar um limite de recuperação de energia muito baixo — com poucas zonas de frenagem forte, poucas curvas de baixa velocidade e longos trechos de aceleração contínua — o circuito de Albert Park Circuit fez com que, ao chegarem às retas, as ultrapassagens acontecessem quase exclusivamente por conta do nível de bateria disponível. Nesse cenário, o gerenciamento de energia acabou sendo o principal fator determinante para as manobras.

Em comparação, o circuito de Xangai apresenta características praticamente opostas. O traçado oferece diversas zonas de frenagem forte e várias curvas de média e baixa velocidade.

Com isso, recursos como clipping, super-clipping e lift and coast tendem a ser utilizados com mais parcimônia. Ao terem mais oportunidades de recuperar energia de forma natural ao longo da volta, a bateria não deve se esgotar no meio das retas, tornando a entrega de potência mais estável. Assim, as ultrapassagens tendem a ocorrer de forma menos 'gratuita'.

Além da China, outras 11 etapas do calendário apresentam traçados com alto potencial de recuperação de energia. Circuitos como Barcelona, Silverstone, Zandvoort, Interlagos, Lusail e Yas Marina (com níveis de recuperação entre 8 e 8,5 MJ) também devem proporcionar maior estabilidade energética ao longo das voltas. No fim das contas, é possível presumir que apenas quatro das 22 provas do calendário tenham maior probabilidade de apresentar corridas com efeito 'ioiô'.

A abertura da temporada na Austrália pode, portanto, ter gerado uma percepção distorcida sobre o novo regulamento. O circuito de Melbourne é justamente uma das raras exceções do calendário em termos de recuperação de energia.

Ultrapassagens "ARTIFICIAIS" vão ditar NOVA F1? Pilotos na BRONCA e fãs SATISFEITOS? | FELIPE MOTTA

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