F1: Em meio aos rumores sobre a BYD, quais são os obstáculos para uma possível 12ª equipe no grid?
Possível entrada da gigante automotiva chinesa pode ser dificultada por uma série de fatores do Campeonato Mundial
Os valores recordes das equipes e a enorme complexidade envolvida significam que qualquer caminho possível para a gigante chinesa BYD ingressar na Fórmula 1 como 12ª equipe será uma batalha difícil.
A gigante chinesa de veículos elétricos tem os olhos voltados para a F1; Stella Li, vice-presidente executiva e CEO da BYD para as Américas, Europa e Oriente Médio, nunca escondeu que vê o campeonato mundial como o palco perfeito para elevar a imagem da marca da empresa.
Exatamente como a BYD poderia garantir uma vaga na F1 continua sendo um assunto em debate, mas, conforme analisado anteriormente, parece haver três caminhos lógicos.
Um patrocínio master no estilo da Gucci, que garantiu o nome para a equipe Alpine a partir de 2027, ou até mesmo uma aquisição total da identidade de marca de uma equipe, como a Alfa Romeo fez com a Sauber por alguns anos é um deles.
Em segundo lugar, há a aquisição de uma equipe existente e, por último, a criação de uma 12ª equipe de expansão do zero.
Após conversas exploratórias no início deste ano em torno do GP da China, o Motorsport.com apurou que Li estará presente na próxima semana no GP de Mônaco e se reunirá com executivos da F1 antes do fim de semana, mas acredita-se que as coisas ainda estejam em um estágio muito inicial de levantamento de informações e muito distantes de qualquer decisão sobre o que a BYD desejará fazer a seguir.
Foto: Red Bull Content Pool
Nas últimas semanas, no entanto, a possível entrada da empresa chinesa na F1 foi associada a um potencial retorno de Christian Horner à F1, que agora poderia, tecnicamente, voltar ao campeonato mundial após sua saída da Red Bull e que, segundo se sabe, se reuniu com várias equipes atuais e potenciais da F1, além de investidores, para discutir seu próximo passo.
Horner foi fotografado com Li no Festival de Cinema de Cannes, em um evento que parecia uma operação de relações públicas cuidadosamente planejada, seja para dar mais credibilidade ao interesse da BYD em entrar na F1, seja para manter o nome de Horner sob os holofotes, talvez para pressionar outros projetos nos quais o ex-chefe da Red Bull Racing está envolvido.
Horner também está envolvido em um consórcio para adquirir a participação de 24% da Otro Capital na equipe Alpine, pela qual seu grupo está disputando com a Mercedes, e acredita-se que haja outras marcas esperando nos bastidores para competir com empresas como a BYD por uma eventual entrada na F1.
De qualquer forma, a opção de patrocínio é facilmente viável. Mas se o controle total é importante, então todos os caminhos levam à aquisição de uma equipe existente ou à formação de uma 12ª equipe, expandindo o grid da F1. Esses caminhos, porém, provavelmente serão cheios de obstáculos.
Nos últimos meses, sabe-se que vários fundos de investimento e um grande grupo automotivo abordaram equipes com ofertas de aquisição superiores a dois bilhões de dólares, apenas para receber um educado “não, obrigado” como resposta.
Ninguém está disposto a vender, mesmo diante de valores que, há apenas três ou quatro anos, teriam superado em muito os valores de uma equipe de primeira linha. O consenso é que tais cifras das equipes subirão ainda mais nos próximos anos.
Como resultado, ninguém quer correr o risco de acordar com uma ressaca de bilhões de dólares por perder a paciência antes do momento estrategicamente perfeito para aprovar uma venda.
A ideia de criar uma 12ª equipe é ainda mais complicada do que comprar uma já existente, com a F1 tendo apenas aprovado o projeto Cadillac-GM após um processo demorado.
A F1 ainda não viu o impacto total da adição de uma 11ª equipe nesta fase, seja comercialmente ou logisticamente, mas paddocks apertados de GPs - como os de Mônaco ou Montreal - não podem, por mágica, continuar ganhando espaço da noite para o dia; e, dadas as avaliações das equipes mencionadas acima, há também a questão de concordar com o que provavelmente será uma taxa de compensação aos outros times ainda mais alta.
Foto de: Guido De Bortoli / LAT Images via Getty Images
A BYD tem recursos para absorver isso facilmente e fechar acordo com um fabricante de automóveis (OEM) já estabelecido para obter suporte técnico inicial, mas, de acordo com fontes no paddock de Montreal, o momento para uma 12ª equipe ainda não parece adequado, mesmo que a F1 tenha atualmente a estrutura de governança para chegar a 12 equipes.
Embora o próximo fim de semana em Mônaco possa oferecer mais pistas sobre o rumo a seguir, não há evidências suficientes, neste momento, de que a BYD acabará sendo uma proposta séria, além de especulações cuidadosamente elaboradas que já geraram muita publicidade para todos os envolvidos.
No entanto, isso reforça a ideia de que a F1 é um mercado favorável aos vendedores e que está atraindo o interesse do vasto mercado chinês, que tanto o CEO da F1, Stefano Domenicali, quanto o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, estariam ansiosos para explorar ainda mais.
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