F1: Entenda como 'segredo' nas rodas levou McLaren à vitória na Holanda
Modificação nas rodas dianteiras garantiram temperatura ideal de pneus e impulsionou segundo triunfo consecutivo de Norris
O triunfo de Lando Norris e da McLaren no GP da Holanda de Fórmula 1 passou por um certo aspecto técnico das atualizações da equipe de Woking para a etapa de Zandvoort: as novas rodas e calotas dianteiras, utilizadas para aquecer os pneus de forma mais efetiva.
Antes da Holanda, as virtudes do MCL40 já haviam aparecido na Espanha e em Spa-Francorchamps, até então a melhor versão do carro no ano. Quanto mais rápida e longa for a curva, mais o modelo se torna competitivo.
Os pacotes de atualização entregaram o downforce necessário para transformar o carro na grande referência nesses trechos — com uma força nas seções de alta velocidade que surpreendeu até a própria engenharia da equipe.
No entanto, as tais mudanças nas rodas dianteiras já haviam sido reveladas por Neil Houdley, diretor técnico de engenharia da McLaren, mas sem destaque inicial.
Foto de: Clive Mason / Getty Images
(Modelo de Zandvoort na direita)
“Trouxemos uma pequena modificação na parte traseira do assoalho para gerar um pouco de downforce extra, além de intervenções menores nos dutos de freio traseiros. Também temos novas rodas dianteiras, que nos ajudam a gerar mais temperatura nos pneus. Não são atualizações substanciais em tempo de volta, mas nos tornam mais competitivos”, explicou.
O chefe de equipe Andrea Stella destacou que tanto Budapeste quanto Zandvoort eram pistas de alto downforce favoráveis ao carro. No entanto, em Mônaco — onde a equipe esperava brigar na frente —, o MCL40 não brilhou.
O problema em Monte Carlo não foi a velocidade em curva, mas sim a falta de downforce e a dificuldade de deixar os pneus na janela correta de temperatura, o que reduzia drasticamente a aderência. Limitação semelhante já havia sido vista na Austrália e na China, onde o carro sofreu com o graining.
Havia o receio de que o graining reaparecesse na Holanda no eixo dianteiro. O grande ponto do fim de semana, porém, era fazer os pneus atingirem a janela ideal logo na classificação.
Isso ficou evidente na tentativa final do Q3 no sábado: a McLaren cravou a pole de primeira, enquanto rivais como a Ferrari sofreram para aquecer os compostos e precisaram de voltas extras de preparação.
Com a liberação do desenvolvimento das rodas no regulamento de 2026, novos caminhos se abriram, permitindo que os engenheiros controlem as temperaturas e pressões dos pneus por meio das construções das rodas. O desenho interno das peças cria cavidades que permitem transferir o calor do conjunto de freio para o pneu de forma passiva.
Em Zandvoort, a McLaren atuou justamente nesse ponto para gerar mais calor na roda e, consequentemente, nos pneus. A alteração foi feita apenas no conjunto dianteiro, fornecido pela japonesa Enkei, acompanhada de uma calota mais fechada para restringir a entrada de ar frio vindo do exterior.
A parte traseira permaneceu inalterada. A escolha se justificou porque a degradação do eixo traseiro já era um desafio natural do circuito — agravado pelas rajadas de vento.
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