F1: Ferrari mantém ritmo máximo durante pausa, com foco em treino de pit stops
Motorsport.com acompanhou um dia de atividades em Maranello em meio à preparação para o GP de Miami
Na Fórmula 1, tempo é tudo. Não apenas o que está no cronômetro, mas também o tempo necessário para projetar, desenvolver e corrigir. É o parâmetro que separa o sucesso do fracasso. As equipes vivem imersas em uma corrida contínua contra o relógio: cada detalhe é planejado, cada atividade é cronometrada, cada margem de erro é reduzida ao mínimo. Nada é deixado ao acaso.
O cancelamento dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita, porém, impôs uma pausa inesperada: um mês inteiro de folga, comparável à pausa de fim de ano. Uma interrupção que, vista de fora, poderia parecer uma oportunidade para desacelerar, se reorganizar, talvez até respirar. Mas a realidade é bem diferente.
O Motorsport.com passou um dia em Maranello, no coração da Ferrari, descobrindo um cenário que desmente todos os clichês. Na sede da equipe não há sinal de pausa: os ritmos continuam acelerados, os padrões inalterados. As atividades prosseguem sem desvios, como se o calendário não tivesse sofrido nenhuma interrupção. Porque na F1, mesmo quando tudo para, o tempo continua correndo.
Loïc Serra - Diretor Técnico de Chassis da Ferrari
Foto de: Ferrari
Entre departamentos técnicos, simuladores e escritórios operacionais, as semanas passaram sem interrupções. Não houve uma pausa de verdade, apenas uma mudança de perspectiva. Mais tempo, se é que houve, para analisar mais a fundo.
“Ter mais tempo disponível nos permitiu aprofundar as análises”, conta Loic Serra, diretor técnico de chassi da equipe, “porque não recebemos um novo fluxo de dados de uma corrida subsequente. Você pode se dar ao luxo de se deter mais, de entrar nos detalhes”.
“Pausa? Não houve nenhuma pausa”, diz o diretor esportivo Diego Ioverno com um sorriso. “Simplesmente decidimos não deixar que se tornasse uma pausa. Preenchemos as semanas com atividades que não estavam previstas, ou distribuímos melhor as que já estavam planejadas”.
Lewis Hamilton com o SF-26 no teste em pista molhada em Fiorano para a Pirelli
Foto de: Pirelli
O calendário não ficou vazio: ele se transformou. O teste da Pirelli, o teste com carro antigo em Mugello, o dia de filmagem em Monza: tudo já estava definido. Mas, com mais tempo disponível, cada atividade assumiu um peso diferente, mais profundo.
A parte “invisível” do trabalho: o desafio logístico
A logística, na F1, é uma máquina perfeita que trabalha nos bastidores. Enquanto tudo funciona, ela permanece invisível. Mas basta retirar uma peça para que toda a sua complexidade venha à tona. Após a pré-temporada, os boxes no Bahrein foram deixados intactos. O plano era voltar e encontrar tudo pronto para o fim de semana do GP. Hoje, porém, aquela montagem ainda está lá, suspensa, à espera de um novo destino.
Cada equipe dispõe de sete kits de montagem de boxes que viajam por via marítima para reduzir custos. As duas semanas de pausa previstas entre os GPs de Miami e do Canadá se devem justamente ao tempo necessário para transportar o equipamento de um país para o outro.
As pausas entre algumas corridas nunca são aleatórias: servem para permitir que esse material atravesse oceanos e continentes. Interromper esse fluxo significa reescrever todo o quebra-cabeça.
Diego Ioverno - Diretor Esportivo da Ferrari
Foto de: Ferrari
“Hoje, a eficiência é fundamental – explica Ioverno – porque até mesmo o transporte do material está incluído no teto orçamentário. Nessas semanas, estamos tentando entender como gerenciar a rotação do material; esperamos que logo se abra um corredor para permitir a recuperação do kit que ficou retido no Bahrein, pois está previsto seu uso no Azerbaijão. Mas, de qualquer forma, precisamos estar prontos com um plano B”.
O “mundo” dos pit stops não conhece pausas
E enquanto uma parte da equipe redesenha rotas e estratégias, outra continua se movimentando seguindo um ritmo que nunca muda. No mundo dos pit stops não existem pausas.
“Começo dando um passo atrás – explica Ioverno – felizmente os resultados não mostraram isso, mas chegamos à primeira corrida deste ano com o menor número de treinos em comparação com as temporadas anteriores".
"A fase de pré-temporada (shakedown em Barcelona + duas semanas no Bahrein) foi muito intensa; começamos os testes na semana em que normalmente estaríamos na terceira semana de treinos. Nas duas semanas anteriores, trabalhamos em turnos noturnos e diurnos, então realizamos um terço dos pit stops que tínhamos programado”.
Ferrari SF-26: mecânicos da Cavallino trabalhando incansavelmente
Foto de: Marcel van Dorst / EYE4images / NurPhoto via Getty Images
Nas últimas temporadas, as equipes perceberam que não podiam mais contar com uma equipe estável dedicada aos pit stops. Estamos falando de um grupo composto por 27 pessoas e, como em todas as outras áreas, o aumento do calendário impôs uma rotação de pessoal.
“Não há uma corrida em que a equipe de pit stop seja a mesma da anterior, então este mês de pausa inesperada foi uma dádiva de Deus", admitiu Ioverno, "porque pudemos recuperar as sessões que não conseguimos realizar em janeiro e fevereiro”.
Desde que a equipe voltou de Suzuka, todos os dias seguiram o mesmo esquema. “Uma sessão dividida em três partes, com a rotação de três equipes diferentes, que são uma projeção do que acontecerá em Miami, Canadá, Mônaco e Barcelona”.
MOLINA é ENFÁTICO sobre momento CAÓTICO da F1, além de motores, Hamilton, Verstappen, Bortoleto e +
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