F1: FIA pretende acabar com equipes clientes em 2031; entenda situação
Entidade reguladora está considerando abandonar o uso de unidades de potência fornecidas pelos fabricantes, passando a oferecer motores de terceiros
Foto de: James Sutton / LAT Images via Getty Images
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA), órgão regulador da Fórmula 1, está considerando fornecer motores às equipes clientes a partir de 2031, já que a categoria parece destinada a adotar o retorno do V8.
O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, e o chefe da F1, Stefano Domenicali, estão de acordo quanto à mudança para unidades de potência mais baratas, mais leves e mais barulhentas para o próximo ciclo de regulamentos.
Ao introduzir motores mais baratos, o órgão poderia forçar as equipes a construir seus próprios motores ou adquirir unidades de potência - já prontas - de terceiros, encerrando efetivamente a era dos times clientes.
Em declarações à mídia britânica em Silverstone, Ben Sulayem apontou: “Não haverá controle sobre as equipes — a equipe A sobre a equipe B — no que diz respeito ao fornecimento de motores”, segundo a Reuters.
"Se for viável financeiramente, teremos um único motor para as equipes clientes, para que ninguém possa pressioná-las e dizer: 'Votem assim ou não vamos fornecer um bom motor'".
Em entrevista exclusiva ao Motorsport.com em abril Domenicali disse que ter a opção de oferecer motores 'carta branca' também ajudaria a categora a manter mais flexibilidade em relação às variações nos interesses e políticas dos fabricantes.
"Se tivéssemos um fabricante independente, poderíamos ter dito: 'vamos oferecer um motor carta branca às equipes que querem correr. Assim como o antigo Ford Cosworth, o motor independente e assim por diante. Mas não fizemos isso. Não havia ninguém naquela época."
Stefano Domenicali, CEO do Grupo de Fórmula 1; Toto Wolff, da Mercedes; Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA; Zak Brown, diretor executivo da McLaren
Foto: Mark Thompson / Getty Images
“Os fabricantes são uma peça fundamental. Precisamos agradece-los todos os dias e todas as noites porque sem eles seria impossível. Mas não podemos mais ficar em uma situação em que os fabricantes possam ditar o ritmo do esporte. Essa é uma lição que aprendemos.”
Motores de terceiros costumavam ser comuns na F1, com nomes como a Cosworth, que forneceu pela última vez em 2013, para a Marussia. Mas o advento da era das unidades de potência hibrídos turbo em 2014 pôs fim a essa cultura devido ao custo e à complexidade envolvidos.
Atualmente, a Mercedes HPP está fornecendo motores para três equipes clientes — McLaren, Williams e Alpine —, e sabe-se que a fabricante já estava disposta a reduzir de três para duas equipes clientes a partir de 2031.
A Red Bull Ford Powertrains está fornecendo motores tanto para a Red Bull Racing quanto para sua equipe irmã, a Racing Bulls, enquanto a Ferrari está 'alugando' unidades de potência para a Haas e a Cadillac.
A Audi é uma equipe de fábrica genuína, assim como a Aston Martin, que firmou uma aliança com a Honda. Enquanto isso, a Cadillac se prepara para entrar como fabricante de motores em 2029 e sabe-se que também está interessada na mudança para o V8.
Ben Sulayem afirma que alguns fabricantes já demonstraram disposição para aderir à ideia. Mas, até que os regulamentos sobre unidades de potência para 2031 estejam bem definidos e colocados no papel, não há como se preparar.
“Sempre que um novo regulamento for divulgado, vamos dar uma olhada e ver se é algo tecnicamente interessante”, disse Zak Brown no GP de Mônaco. “Será que faz sentido do ponto de vista financeiro? Acho que passaremos por esse processo quando isso acontecer.”
Embora a McLaren considera a ideia, sabe-se que a equipe não está dispostar a montar uma super operação para fabricar suas próprias unidades de potência, como a Red Bull fez.
As discussões sobre os futuros motores foram adiadas devido ao trabalho em andamento do atual ciclo de regulamentos, com a revisão do ADUO - solicitado pela equie de Milton Keynes - e os ajustes acordados para 2027 e 2028 ocupando tempo da entidade reguladora.
O atual Pacto de Concórdia e de unidades de potência tem duração até o fim da temporada de 2030, portanto, a FIA poderia decidir unilateralmente e impor a nova regulamentação a partir de 2031, se assim o desejasse.
Mas isso representaria um enorme risco: alienar e afastar os fabricantes de equipamentos originais (OEMs) que o órgão se esforçou tanto para atrair nos últimos anos, por isso, provavelmente tentará encontrar um consenso.
Se for alcançada uma supermaioria entre os seis PUMs atuais — que incluem os cinco fabricantes de motores atuais, bem como a General Motors —, a transição para os V8s poderia até mesmo ser antecipada para 2030.
“Em 2031, com os V8, a FIA terá o poder de fazer isso, sem precisar de votos dos PUMs”, disse Sulayem em maio. “Essas são as regras. Mas queremos antecipar isso em um ano. Tenho certeza de que eles querem que isso aconteça.”
Acredita-se que a maioria dos fabricantes concorde amplamente com a mudança para os V8. A Audi está empenhada em manter um turbocompressor nos regulamentos futuros, embora se acredite que ela seja a única a defender essa posição.
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