La Monumental: curva mais exigente da F1 está em Madri, segundo a Pirelli
Circuito europeu estreia na categoria no GP da Espanha com atenções voltadas a trecho inclinado que virou motivo de preocupação e debate
O circuito de Madri, a mais recente adição à Fórmula 1, já havia gerado muita discussão no paddock antes do fim de semana. A maior parte das conversas girava em torno da segurança e se a pista seria uma "destruidora de carros", como várias equipes temiam após o teste caótico da F3. E um dos pontos principais, a temida curva La Monumental.
Esse trecho contém 13,5 graus de inclinação lateral, o que equivale a cerca de 24% em relação ao restante do traçado, menos do que os últimos metros de Zandvoort, com 18 graus, mas, apesar disso, a Pirelli descreve a curva espanhola como a mais exigente para os pneus em todo o calendário.
"Basicamente, o pico de energia vertical não é maior do que em outras curvas do calendário, como no Catar, Zandvoort, etc. A questão principal é o tempo sob carga e a carga contínua a que o pneu é submetido", explicou Simone Berra, engenheiro-chefe da Pirelli.
"Então, basicamente, em vez de dois ou três segundos, temos 5,5s sob essas cargas. Ou seja, o dobro do ciclo de trabalho nessa área. Esse é o ponto principal a ser considerado e o que estamos levando em conta nos nossos cálculos", adicionou o cientista.
Por enquanto, a realidade da pista parece corresponder aos cálculos que a Pirelli realizou antes do fim de semana, confirmou Berra ao ser questionado pelo Motorsport.com. "No momento, está tudo alinhado com as nossas simulações, mas ainda estamos verificando todas as cargas e todos os dados", declarou.
"Analisamos apenas três ou quatro equipes até agora, mas o que vimos até o momento está de acordo com o que esperávamos", afirmou na noite de sexta-feira, após as disputas do TL1 e TL2 do GP da Espanha.
Fornecedora de pneus da categoria, Pirelli classificou a curva como a mais 'exigente' do calendário.
Foto de: Clive Mason / Getty Images
Isso significa que não há preocupações de segurança no momento, como já houve no Catar anteriormente — primeiro devido às chamadas zebras em formato de pirâmide e, mais tarde, por causa da carga extrema. Em Madri, medidas como a limitação da duração dos stints ou outras intervenções não estão sendo consideradas, ao menos por enquanto.
"No momento, não há motivo para preocupação", confirmou o engenheiro. "Estamos trabalhando e precisamos analisar todos os dados, 'dissecando' os pneus para verificar todas as estruturas internas. Esse procedimento ainda não foi concluído. No sábado de manhã, vamos cortar outros pneus utilizados no TL2 e também faremos o mesmo com os do TL3, mas, por enquanto, não há preocupações".
Quais equipes acertaram na curva de Madri? Pirelli revela diferenças nas simulações
Além da questão da segurança, havia outra dúvida sobre a "La Monumental" antes do evento: seria possível ou não fazê-la com o pé embaixo? A curva final de Zandvoort, por exemplo, é facilmente feita com aceleração total, mas a sua equivalente em Madri é diferente.
O trecho do circuito espanhol é maior e apresenta variação de elevação mais acentuada. Ela começa em um ponto mais alto, antes de os pilotos descerem; depois, volta a subir em direção à saída, para então descer novamente no caminho para a Curva 13.
Devido a essa complexidade, as simulações das equipes apresentaram divergências consideráveis, como revelou Berra. "Foi interessante observar se as simulações das equipes estavam alinhadas em relação à La Monumental, pois algumas delas esperavam enfrentar limitações de aderência. Elas previam que teriam de aliviar o acelerador naquele trecho, enquanto outras esperavam fazê-lo com aceleração total", explicou.
Equipes e pilotos se comportaram de maneira diferente ao entrarem em La Monumental.
Foto de: Andy Hone/ LAT Images via Getty Images
"A realidade é que as equipes que simularam aliviar o acelerador estavam certas. Especialmente na primeira parte da curva, cerca de 30% ou 40%. E, então, após dois segundos, podiam pisar fundo novamente. Isso foi interessante, pois afeta as cargas nos pneus e a análise de integridade que realizamos a cada fim de semana", continuou o engenheiro.
Isso também pode ser observado nos dados do TL2, incluindo os dos três pilotos mais rápidos. Charles Leclerc e Lewis Hamilton, da Ferrari, iniciavam a curva com o acelerador totalmente pressionado antes de aliviarem significativamente, enquanto Andrea Kimi Antonelli já se mostrava mais cauteloso ao dosá-lo em sua Mercedes na entrada de La Momunental. Na segunda parte, todos iam ao máximo.
Segundo os pilotos, é justamente isso que torna o trecho um desafio e um local onde é possível ganhar tempo de volta, como Max Verstappen já havia previsto na quinta-feira. "Acho a inclinação legal. Não vai ser fácil fazer de pé embaixo, acredito. Exige certa habilidade, o que acho sempre bom", disse o piloto da Red Bull.
A classificação para o GP da Espanha, com os competidores indo ao limite em La Monumental, está marcada para as 11h deste sábado (12) no horário de Brasília. A corrida será no sábado, a partir das 10h. Ambos os eventos têm transmissão do SporTV na TV fechada e do Globoplay e F1TV Pro no streaming.
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