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F1: Como foi 'azar do ano' da McLaren que impediu vitória de Norris no GP da Espanha

Britânico começou corrida de Madri com vantagem de mais de seis segundos sobre Antonelli na liderança, mas viu tudo se perder com safety car virtual

Dois segundos: essa foi a diferença entre o momento em que Lando Norris passou pela entrada dos boxes do circuito de Madri e o acionamento do safety car virtual que acabou com suas chances de vitória no GP da Espanha de Fórmula 1 — um desfecho que o vencedor da corrida, Andrea Kimi Antonelli, se beneficiou com 'sorte de campeão'. E como isso aconteceu?

O britânico da McLaren havia consolidado vantagem de mais de seis segundos sobre o italiano da Mercedes no início da 14ª volta e parecia ter total controle da ponta após superar uma primeira volta frenética — na qual o líder do campeonato o pressionou, mas acabou saindo da pista tanto na Curva 1 quanto na Curva 5. O cenário mudou completamente, porém, com o abandono de Lance Stroll.

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Com problemas no pedal de freio, o canadense da Aston Marin parou na Curva 20, ao final da volta. Assim, os comissários foram obrigados a reduzir o ritmo da volta com o VSC e, naturalmente, os pilotos aproveitaram para ir ao pit stop, inclusive Norris.

O problema é que ele já havia passado pela entrada dos boxes quase na mesma hora em que a corrida ficou mais lenta. E depois de dar uma volta completa para, enfim, parar, a bandeira verde foi acionada e quem vinha atrás ele acelerou. Resultado: caiu para a quarta colocação.

Ainda tinha conserto, afinal? O Motorsport.com traz o minuto a minuto do ocorrido e por que Norris acabou perdendo a chance de fazer um pit stop vantajoso durante carro de segurança virtual.

10h26 - Stroll para na Curva 20, durante a 12ª volta do GP da Espanha

Safety car virtual foi acionado após Stroll, com problemas no pedal de freio, parar na pista de Madri.

Safety car virtual foi acionado após Stroll, com problemas no pedal de freio, parar na pista de Madri.

Foto de: Alex Bierens de Haan / LAT Images via Getty Images

Stroll relatou à Aston Martin que já estava ficando sem freios, um problema que já havia afetado Lewis Hamilton algumas voltas antes. No caso do heptacampeão, a Ferrari não conseguia desacelerar o suficiente para fazer as curvas e ele foi forçado a reduzir o ritmo e levar o carro de volta aos boxes.

A Scuderia não queria prejudicar o stint planejado de Charles Leclerc com pneus duros para a parte final do GP da Espanha - daí a decisão de pedir a Hamilton que trouxesse o carro de volta aos boxes, mas o canadense não teve essa preocupação.

Ele até tentou facilitar a situação ao parar em frente ao posto dos fiscais de pista e conseguiu se posicionar quase na altura da abertura da barreira para que fosse empurrado para fora.

Hamilton também teve problema com os freios, mas conseguiu retornar aos boxes para abandonar a prova.

Hamilton também teve problema com os freios, mas conseguiu retornar aos boxes para abandonar a prova.

Foto de: Clive Mason / Getty Images

A bandeira amarela foi agitada depois de Norris escapar na Curva 14. Naquele momento, não havia indícios claros de que um safety car virtual seria acionado; a direção de prova poderia estar avaliando se Stroll poderia ser rapidamente removido.

"Olhando em retrospecto, teria sido uma boa ideia [parar nos boxes preventivamente], mas teremos de analisar com os engenheiros se era óbvio que a situação resultaria em um VSF", disse o chefe de equipe da McLaren, Andrea Stella.

Deixar Norris na pista, porém, teria sido muito arriscado, segundo o dirigente. "O prejuízo é de 27 segundos se você não parar durante um safety car virtual. Se você errar, a perda é enorme. Por isso, acho que uma boa regra é reagir aos fatos e à condição real da pista", continuou.

10h27 - O safety car virtual é acionado

Antonelli assumiu a liderança do GP da Espanha de F1 após todos os pilotos pararem - o último deles, Leclerc.

Antonelli assumiu a liderança do GP da Espanha de F1 após todos os pilotos pararem - o último deles, Leclerc.

Foto de: Federico Basile

Quando Norris pasou pelo carro de Stroll, a bandeira amarela ainda era exibida. A McLaren optou por não reagir preventivamente e o líder da corrida passou pelas curvas 21 e 22 — as duas últimas do circuito de Madring.

Logo depois, a direção acionou o safety car virtual; segundo os cálculos da McLaren, isso aconteceu com dois segundos de atraso para que pudessem chamá-lo aos boxes.

Antonelli, que estava 6s3 atrás, teve tempo suficiente para ser avisado — assim como Max Verstappen e George Russell. Para o italiano e o holandês, isso proporcionou a oportunidade de trocar seus pneus médios e macios, respectivamente, pelos duros, e garantiu que seguissem até o final do GP da Espanha.

Isso significava que Norris teria de completar pelo menos mais uma volta antes de fazer seu pit stop, mas havia um risco considerável de que o VSC terminasse cedo demais para que ele conseguisse realizá-lo ainda em ritmo lento — visto que o longo pit lane do circuito de Madri custava cerca de 30 segundos em velocidade normal.

10h29 - Norris para logo após o fim do VSC

Norris acabou ficando com a terceira colocação e conseguiu garantir um pódio mesmo com o revés.

Norris acabou ficando com a terceira colocação e conseguiu garantir um pódio mesmo com o revés.

Foto de: Rudy Carezzevoli / Getty Images

Antonelli e Verstappen retornaram à pista após seus pit stops atrás de Leclerc, que também havia permanecido na pista, pois a bandeira amarela em todo o circuito foi acionada cedo demais para que ele arriscasse trocar os pneus duros. Se Norris tivesse feito a parada durante o VSC, provavelmente teria retornado à frente do piloto da Ferrari.

O britânico foi avisado de que faria a parada independentemente de o safety car virtual ainda estar em vigor; e de fato, o regime foi encerrado justamente quando ele contornava a Curva 21 e entrou prontamente no pit lane. Ele seguiu a instrução e realizou sua única parada para colocar pneus duros, embora isso tenha trazido complicações adicionais à sua corrida, pois a roda dianteira direita ainda demorou a sair.

Stella avaliou que a parada lenta não fez grande diferença prática, pois Norris teria saído atrás de Russell de qualquer maneira. O alento nisso é que o piloto da Mercedes precisaria parar novamente, pois calçou médios. Após alcançá-lo, passou três voltas andando a menos de um segundo dele, até que o adversário foi para os boxes ao final da 28ª volta.

"Para sermos justos e completos, tivemos um pit stop de sete segundos, então, certamente há lições a tirar, inclusive em relação às nossas operações", ressaltou Stella, que viu pontos a melhorar mesmo com o azar do VSC. "Não é a primeira vez que temos uma parada lenta, mas em termos da corrida em si, isso não fez diferença."

Como foi a conversa entre Norris e McLaren no safety car virtual

Will Joseph (engenheiro de Norris): Bandeiras amarelas na curva 20. Safety car virtual acionado, safety car virtual acionado. Mantenha o delta.

Lando Norris: Vamos para os boxes?

WJ: Se durar tempo suficiente.

LN: Qual é a gravidade da batida?

WJ: Acho que são os freios de alguém. Há fiscais na pista na curva 20, não vi o que aconteceu. Apenas tente manter o delta.

WJ: Lando, confirmando que vamos para os boxes nesta volta, independentemente disso.

LN: Confirmado.

WJ: Ainda achamos que há fiscais na pista.

WJ: Safety car virtual encerrando, safety car virtual encerrando.

LN: Confirmado o pit stop?

WJ: Sim, pit stop confirmado. Entre nos boxes nesta volta.

A McLaren deveria ter optado por stint mais longo? 

Verstappen, da Red Bull, que também se viu envolvido em 'vitória tirada', fechou em segundo, à frente de Norris.

Verstappen, da Red Bull, que também se viu envolvido em 'vitória tirada', fechou em segundo, à frente de Norris.

Foto de: Federico Basile

A questão que resta é: a McLaren deveria ter adiado a parada de Norris com o objetivo de abrir vantagem? Com ​​Leclerc segurando Verstappen e Antonelli, é possível argumentar que o britânico talvez conseguisse completar mais algumas voltas, construir o gap de 30 segundos para, no mínimo, voltar à frente do italiano ou manter-se logo atrás de Leclerc enquanto aguardava o pit stop da Ferrari.

O problema é que Norris corria com pneus médios desgastados e a diferença para o monegasco antes do VSC era de apenas 13s8. Embora ele ainda fosse mais rápido que o piloto da Ferrari, a diferença de tempo por volta vinha diminuindo: 0s506 mais rápido na volta 10, 0s272 na volta 11, 0s264 na volta 12 e 0s027 na volta 13.

Assim, tentar abrir essa vantagem era algo inviável, especialmente porque Leclerc não apresentava degradação nos pneus duros naquela fase e continuava a ganhar ritmo à medida que o combustível era consumido. Para a McLaren encontrar uma margem segura de pit stop, precisaria de pelo menos 16 segundos após o fim do VSC — o que era, essencialmente, impossível.

Vitória de Antonelli aumentou vantagem do jovem italiano na liderança da F1 2026 para 81 pontos.

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Foto de: Sam Bagnall / Sutton Images via Getty Images

No fim, foi uma questão de má sincronia por parte de todos. Norris brincou dizendo que a equipe foi "rápida demais" durante o fim de semana e que, se estivesse em sua posição habitual, ele teria sido beneficiado pela sorte com o safety car virtual.

"Consideramos permanecer na pista, mas é preciso aceitar o fato de que você está com pneus médios relativamente usados, enquanto quem vem atrás está com pneus duros novos", explicou Stella sobre a questão de fazer ou não um stint mais longo. "Você nunca conseguiria abrir vantagem sobre pilotos com pneus duros novos".

"Às vezes falamos sobre falta de sorte. Acho que, por vezes, esse argumento é usado em situações demais, mas, neste caso, trata-se quase de uma definição matemática de má sorte", concluiu o chefe da McLaren.

KIMI já começou a ser FAVORECIDO vs GEORGE a partir de Monza? Lewis TEM RAZÃO sobre LECLERC/Ferrari?

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