F1 - Horner critica falta de lealdade de Newey e relembra saída do projetista da Red Bull: "Não podia confiar nele"
Ex-chefe da Red Bull deu detalhes sobre relacionamento com 'mago da engenharia' nas últimas duas décadas
Adrian Newey, Chief Technology Officer, Red Bull Racing, Christian Horner, Team Principal, Red Bull Racing
Foto de: Mark Sutton / Motorsport Images
Pouco mais de um ano depois de ter sido demitido da Red Bull, Christian Horner compartilha alguns detalhes sobre as duas décadas a frente da equipe de Fórmula 1. O britânico se prepara para o lançamento de uma autobiografia em outubro e, em nova entrevista ao jornal The Times, também faz revelações interessantes sobre um de seus relacionamentos profissionais mais próximos: Adrian Newey.
Horner foi o responsável pela contratação de Newey pela Red Bull, no fim de 2005. O projetista já havia vencido seis campeonatos de construtores com a Williams e um com a McLaren, se juntando ao time austríaco na posição de chefe técnico por uma salário de seis milhões de libras anuais.
Em um trecho da autobiografia divulgada pelo The Times, o ex-chefe de equipe conta ter tido a ajuda de David Coulthard durante as negociações, tendo sido necessário convencer também a ex-exposa de Newey, Marigold. Na Red Bull, o engenheiro garantiu mais seis campeonatos de construtores e oito de pilotos (quatro de Sebastian Vettel e quatro de Max Verstappen).
No entanto, mesmo reconhecendo a competência de Newey e alegando que ainda continuam amigos, Horner critica a falta de lealdade do projetista, relembrando um momento que abalou o relacionamento dos dois em 2014. Na época, a F1 introduziu os motores híbridos e a Mercedes surgiu como força dominante da categoria, fazendo com que a Red Bull perdesse um espaço conquistado nos anos anteriores.
O engenheiro então não só recebeu uma proposta de trabalho da Ferrari como a considerou. "Eu o apoiava e acreditava que ele fazia o mesmo por mim. Mas, ao primeiro sinal de adversidade, Adrian quis abandonar o barco. Fiquei muito triste com isso… Já não podia confiar nele. Nossa parceria não era tão sólida como eu tinha acreditado até então", confessou Horner em entrevista ao jornal britânico.
Newey anunciou sua despedida da Red Bull em maio de 2024 e, em setembro, confirmou que se juntaria a Aston Martin no início de 2025. Em trecho da autobiografia, Horner relembra conversas que teve com o projetista na época, compartilhando que o engenheiro "parecia entusiasmado, mas após uma dobradinha impressionante no Japão em abril, o clima azedou".
O ex-chefe da Red Bull cita "uma pressão pública de outras equipes" ao saberem da saída iminente de Newey, mas ainda acreditava "que Adrian seria transparente comigo, especialmente considerando os quase 20 anos de trabalho juntos". Porém, Horner ficou sabendo por meio de um conselheiro do time que Newey havia escrito uma carta a um dos acionistas anunciando que deixaria o time.
O britânico diz então ter ficado surpreso com a informação e foi confrontar Newey, que trabalhava em um escritório em frente ao seu próprio. Segundo Horner, quando o engenheiro foi questionado sobre a saída, pediu que o chefe "falasse com meu agente, Eddie Jordan".
"Fiquei incrédulo. Eddie Jordan? Sinceramente, pensei que ele estivesse brincando. Eddie era um bom sujeito, que tinha alcançado muito na F1, mas eu não conseguia imaginar uma dinâmica de trabalho entre ele e Adrian", conta na autobiografia.
"Olha, Adrian. Se quer mesmo ir embora ou fazer algo diferente, não vou me meter no seu caminho. Já temos idade e experiência suficientes para resolver isto entre nós", respondeu Horner. Newey disse então que "as coisas simplesmente parecem diferentes agora".
"Eu conseguia empatizar com essa emoção — as coisas mudam, é a vida. Mas eu também tinha de fazer o que era melhor para a equipe. Ninguém era maior do que a Red Bull Racing. Nem eu, nem Adrian, nem ninguém. Concordei com ele que ele devia sair. O que eu não esperava era que Adrian anunciasse sua assinatura com a Aston Martin numa conferência de imprensa numa manhã, enquanto ainda era funcionário da Red Bull. Ele voltou a Milton Keynes para almoçar na cantina dos funcionários no dia seguinte, como se nada tivesse acontecido", finaliza.
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