F1: Leclerc e Hamilton correram com configurações aerodinâmicas diferentes em Baku
Em busca de estabilidade e velocidade na reta, pilotos da Ferrari tomaram caminhos opostos que se refletiram diretamente na pista do GP do Azerbaijão
A busca pelo equilíbrio do SF-26 no GP do Azerbaijão de Fórmula 1 gerou uma clara divisão na Ferrari. Sem encontrar uma janela ideal no circuito de rua de Baku, Charles Leclerc e Lewis Hamilton disputaram a classificação e a corrida com configurações aerodinâmicas diferentes.
A divergência centrou-se no acerto dos bargeboards na borda de entrada do assoalho. Enquanto Leclerc manteve a especificação aprovada para o fim de semana, composta por apenas um elemento vertical mais inclinado para favorecer a velocidade máxima nas longas retas, Hamilton exigiu mudanças no carro antes do treino classificatório.
Insatisfeito com o comportamento nos treinos livres, o heptacampeão migrou para a versão equipada com três elementos verticais na endplate, pensando em uma configuração com maior carga aerodinâmica.
A escolha de Hamilton visava aumentar a tração e proporcionar maior estabilidade ao eixo traseiro, além de tentar facilitar o aquecimento dos pneus dianteiros, um dos maiores gargalos do britânico ao longo do fim de semana. No entanto, o ganho de downforce cobrou seu preço em arrasto e gerou uma saída de dianteira incômoda nas curvas.
No GP do Azerbaijão, a aposta de menor arrasto de Leclerc mostrou-se nitidamente mais eficiente. O monegasco apresentou um ritmo de corrida superior e registrou uma volta mais rápida quase quatro décimos (0s386) abaixo do tempo do companheiro de equipe.
A telemetria da corrida confirmou o impacto direto das duas filosofias. Na reta do primeiro setor, a configuração mais leve garantiu a Leclerc uma vantagem de quase dois décimos (0s177) sobre o britânico.
Hamilton deu o troco no setor intermediário, o mais travado da pista, sendo um décimo (0s099) mais veloz graças à maior carga aerodinâmica, enquanto no terceiro setor os dois empataram praticamente na mesma casa decimal. A diferença de velocidade máxima no speedtrap foi de apenas 1,8 km/h a favor do monegasco (341,9 km/h contra 340,1 km/h de Hamilton).
O impasse técnico enfrentado pelos dois pilotos expõe a encruzilhada vivida por Maranello na temporada 2026. Mesmo com a introdução de atualizações e do motor ADUO2, a Ferrari precisa recorrer a acertos mecânicos extremos e comprometer a eficiência aerodinâmica para tornar o SF-26 guiável, uma limitação que vem custando caro na disputa direta contra Red Bull e McLaren.
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