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F1: McLaren admite que duelo entre Norris e Piastri custou pódio na Itália

Andrea Stella defendeu a disputa entre seus pilotos, mas admitiu que o episódio precisa ser revisto e repensado para o futuro

Norris na grama, Piastri derrapando: a McLaren precisa “definitivamente conversar”

O chefe da McLaren, Andrea Stella, ficou satisfeito com a decisão de não interferir no duelo entre Lando Norris e Oscar Piastri no GP da Itália de 2026 depois da polêmica ordem de equipe na última temporada de Fórmula 1. No entanto, a equipe entende que a disputa acirrada entre seus pilotos custou o pódio em Monza.

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Norris terminou a corrida em Monza em quarto, apenas 0s197 à frente de Piastri, quinto colocado. As comunicações de rádio da equipe, porém, já indicavam que a disputa poderia ficar tensa mais adiante.

A partir da volta 48, o duelo entre os pilotos da McLaren se intensificou. Os dois haviam acabado de ser ultrapassados por Max Verstappen, que tinha pneus mais novos. Na volta 51, aconteceu o momento mais delicado.

Pelo rádio, Norris reclamou: "Achei isso simplesmente perigoso". Em seguida, completou: "Ele simplesmente reagiu à minha manobra [se moveu na frenagem], e isso não é permitido".

Norris saiu da Curva 2 com vantagem de velocidade sobre Piastri. Porém, o australiano não se deslocou para a direita, em direção à linha ideal, e permaneceu no lado esquerdo da pista. Provavelmente porque já havia antecipado, pelo retrovisor, o ataque que o atual campeão mundial tentaria fazer.

Posteriormente, Norris relativizou a crítica feita a Piastri pelo rádio e esclareceu que, na sua avaliação, a disputa havia sido justa. Ainda assim, Stella afirmou que a equipe analisaria o episódio: "Nós os deixamos passar, e isso acabou com um carro com as rodas na grama. Vamos ter que analisar isso".

Seis voltas: como foi o duelo da McLaren

O duelo entre Piastri e Norris não ultrapassou os limites da disputa leal, mas foi intenso durante seis voltas. Na volta 48, o carro #1 ultrapassou o companheiro de equipe pela primeira vez. Apenas uma volta depois, Oscar devolveu a ultrapassagem no mesmo ponto, depois de Lando não ter feito uma boa saída da Curva 2.

O episódio da volta 51, que inicialmente irritou Norris pelo rádio, também teve relação com a própria tentativa de ataque do piloto. Norris esperava que Piastri se deslocasse para a direita e, por isso, tentou encontrar espaço à esquerda, mas não havia uma brecha. Oscar manteve sua trajetória durante toda a manobra, sem sinalizar qualquer intenção de ceder a posição.

A disputa continuou até a última volta. Primeiro, Norris quase bateu na traseira de Piastri na Curva 1 e precisou utilizar a saída de escape.

Na aproximação à Ascari, porém, Norris usou todo o seu boost e conseguiu executar um ataque surpresa.

Naquele momento, a vantagem de bateria estava com Piastri, mas o australiano tinha pouco espaço para reagir. Na reta em direção à Parabólica, ele era claramente mais rápido, mas a última curva não é um ponto em que se espera um ataque entre companheiros de equipe na última volta.

A quantidade de energia que Piastri ainda tinha ficou evidente quando o piloto protagonizou mais uma derrapada espetacular no meio da curva.

Stella também avaliou o episódio de forma mais moderada após rever as imagens.

"Na situação em que Lando escapou para a grama com as rodas, ele se comunicou pelo rádio e disse que o outro o havia forçado para fora da pista ou algo assim. Mas, quando revimos a cena, percebemos que a situação foi muito menos acirrada do que talvez tenha parecido no calor do momento".

O que a McLaren poderia ter feito de diferente?

Em retrospecto, a principal questão para a McLaren é se uma intervenção da equipe poderia ter mantido Verstappen atrás de pelo menos um dos carros caso os dois pilotos não estivessem tão concentrados na disputa entre si. Com apenas 4,3 segundos separando Verstappen de Norris na chegada, a reflexão é ousada, mas legítima.

"Naquela situação, pensamos que Lando precisava primeiro ultrapassar Oscar se quisesse ter alguma chance contra Max", explicou Stella, justificando a decisão de não intervir.

"Os dois estavam com os mesmos pneus, o mesmo número de voltas, o mesmo carro. Por isso, não achamos que devíamos interferir no andamento normal da corrida. Deixamos que eles corressem à sua maneira e acreditamos que foi a decisão certa".

"Max simplesmente foi mais rápido no geral. Ele só ficou preso nesse ciclo que acontece este ano quando você perde o vácuo em Monza e precisa se defender de alguém", explicou Stella.

"Mas com certeza vamos analisar isso novamente, porque é verdade: quando se disputa, perde-se tempo. Teria havido uma maneira melhor para a McLaren enfrentar Verstappen? Vamos analisar isso. No muro dos boxes, não tivemos essa sensação e quisemos deixá-los correr para nos mantermos fiéis à nossa filosofia".

Stella explica por que mantém as 'regras papaia'

Stella reconheceu que colocar em prática os princípios da McLaren durante uma corrida nem sempre é simples.

"Mesmo tendo as experiências de 2024 e 2025 e, em 2025, termos conquistado os dois campeonatos mundiais com uma estratégia baseada em alguns princípios importantes — igualdade de tratamento, corrida livre e justiça —, na realidade é sempre difícil aplicar esses princípios ao desenrolar real da corrida".

"Se a gente observar, por exemplo, a corrida de hoje, escolhemos novamente uma estratégia que envolvia riscos consideráveis. [...] Se dissermos aos pilotos que eles não podem competir uns contra os outros e, no final, Lando terminar em quinto lugar, ele poderia dizer: 'Mas, por uma questão de justiça, eu gostaria de ter tido a chance de explorar minhas possibilidades'. Portanto, é um equilíbrio delicado".

“Para a nossa abordagem, na minha opinião, é importante que estejamos alinhados com os pilotos. Acho que é difícil quando uma equipe simplesmente diz: ‘É assim que vamos fazer, e vocês, pilotos, precisam se adequar a isso agora.’ A gente sempre quer garantir que todos os envolvidos possam dar sua contribuição.”

Stella, porém, reconhece que há um limite para essa liberdade quando os interesses da equipe estão em jogo.

“Mas, assim que percebemos que os interesses da equipe estão em risco ou podem ser prejudicados, talvez seja necessário dar um passo adiante e estabelecer diretrizes mais rígidas do ponto de vista da equipe. Essa é a base da nossa abordagem”, refletiu Stella, acrescentando: “Definitivamente, ainda teremos que ter algumas conversas internas sobre isso.”

A McLaren, porém, não é a única equipe que terá de lidar com esse tipo de discussão. Segundo Stella, “também haverá discussões na Mercedes e na Ferrari”.

Sobre seu antigo empregador, ele comentou após a corrida em Monza: “Lewis se pronunciou de forma muito clara sobre esse assunto. Tenho certeza de que na Ferrari também vão se debruçar sobre isso".

Monza será TUDO ou NADA! Os BASTIDORES da F1 ATUAL e do PASSADO com PIETRO FITTIPALDI e FELIPE MOTTA

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