F1: McLaren cria divisão 'focada no desempenho do motor' após desvantagem em relação a Mercedes
Diretor técnico do time de Woking deu detalhes sobre nova divisão de operação dentro da equipe
Oscar Piastri, McLaren
Foto de: Guido De Bortoli / LAT Images via Getty Images
A McLaren se viu diante de um velho dilema da Fórmula 1 em 2026: extrair o ritmo ideal de um motor fornecido por outra equipe. Cliente da Mercedes, que tem dominado a temporada, o time de Woking enfrentou dificuldades com sua unidade de potência e, por isso, decidiu agora montar um grupo de trabalho focado exclusivamente em decifrar o motor.
Logo após a abertura da temporada, em Melbourne, Andrea Stella destacou que, pela McLaren ser uma equipe cliente, aquela era "a primeira vez que sentiram estar em desvantagem" no novo conjunto de regras. O time precisou correr contra o tempo para recuperar terreno em relação à Mercedes.
Segundo Mark Temple, um dos três diretores técnicos da McLaren, a equipe mantém contato com profissionais da Mercedes High Performance Powertrains [HPP], divisão de motores da marca alemã. Porém, o time decidiu mudar internamente.
"Existem novas funções. Temos uma equipe dedicada ao desempenho da unidade de potência agora, algo que não tínhamos antes. Eles estão focados em entender como extrair o máximo do motor", falou ao site oficial da equipe.
"Eles vão estudar os dados de pista e trabalhar com a engenharia de corrida, mas também usar nosso simulador e ferramentas offline para maximizar nosso desempenho. É definitivamente um novo conjunto de habilidades e uma nova forma de trabalhar, porque essas são coisas com as quais realmente não precisávamos nos preocupar antes", continuou.
Temple ainda explicou que, como cliente, apesar de a McLaren opinar sobre algumas configurações do motor, dizendo o que deseja na unidade de potência, a Mercedes continua tendo a palavra final. Por isso, o novo grupo do time de Woking também atuará buscando entender as melhores oportunidades a partir daquilo que é fornecido pela marca alemã.
"Nós temos uma contribuição considerável, mas, em última análise, a MGP [Mercedes Grand Prix, nome oficial da equipe Mercedes] tem a palavra final com a HPP sobre o que acontece. Isso não deve ser interpretado como se fôssemos ignorados — apenas não estamos no controle total".
"A forma como a HPP trabalha em um fim de semana de corrida é com uma equipe principal e equipes de suporte ao cliente. Trabalhamos muito próximos com a equipe de suporte e temos bons relacionamentos com as pessoas do programa principal", acrescentou.
"É a mesma coisa com o cronograma. Na preparação para a corrida, recebemos informações da HPP, mas há tomadas de decisão e evoluções das quais não fazemos parte. Quando descobrimos o que temos em mãos, muitas vezes não há muito tempo para reagir e responder — por isso, parte do que estamos tentando fazer este ano é construir e melhorar nosso processo para tornar isso uma limitação menor", concluiu.
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