F1: Mercedes ainda carrega grande arrependimento da era Schumacher
Para membros da equipe que trabalharam com heptacampeão, a falta de vitórias com o alemão deixou uma ferida aberta
Antes de se tornar uma máquina de vitórias em 2014, a Mercedes precisou montar sua equipe, nascida da aquisição da Brawn GP no final de 2009. Na época, a montadora alemã marcava seu grande retorno oficial como equipe de fábrica na Fórmula 1. O projeto ainda foi associado a volta de Michael Schumacher, recrutado para liderar o time.
Ao lado de Nico Rosberg, Schumacher correu com as cores da Mercedes por três temporadas, antes de se aposentar definitivamente no final de 2012. No entanto, o alemão não venceu nenhum GP durante esse tempo, motivo de grande pesar para aqueles que conviveram com ele na época.
Isso porque o heptacampeão mundial poderia ter conquistado uma vitória no GP de Mônaco de 2012, quando foi pole position. No entanto, ele não conseguiu tirar proveito disso, pois precisava cumprir uma penalidade de cinco posições no grid, recebida no GP anterior, na Espanha.
“Eu estava nas nuvens e acredito que tenha sido uma das melhores voltas que ele provavelmente fez na vida”, confessou James Vowles há alguns anos, então responsável pela estratégia da equipe de Brackley, ao podcast Beyond the Grid. “Mas eu realmente estava de coração partido por ele, pelo cara que todos nós queríamos ver vencer uma corrida, porque ele merecia, francamente".
"Ele se esforçou tanto pela equipe, dedicou tanto da sua vida, que aquilo era uma recompensa para ele. Era sua oportunidade no ano. Fiquei de coração partido pelo fato de ter sido em um GP em que ele foi penalizado. Senti e ainda sinto compaixão. Ele não obteve todos os resultados que merecia, considerando o investimento que fazia pela equipe", acrescentou.
Michael Schumacher em 2012 com a Mercedes.
Foto de: Steve Etherington
Com a Mercedes, Schumacher só conheceu a alegria do pódio uma vez, em Valência, novamente em 2012. E Vowles está longe de ter sido o único a lamentar a ausência de vitórias com o piloto alemão naquela época.
“Vendo como ele nos ajudou a progredir, certamente é um dos meus maiores arrependimentos não ter visto Michael vencer uma corrida conosco”, testemunha o diretor esportivo Ron Meadows. “Ele era um piloto de um nível que nunca tínhamos visto até então. Acredito sinceramente que todos nós queríamos que ele vencesse, mas não aconteceu. Dois anos depois, não parávamos mais de vencer e parte do mérito é dele”.
Vowles também destaca a atitude adotada por Schumacher na época, quando ele já tinha conquistado seus maiores sucessos na Fórmula 1, com a Benetton e depois com a Ferrari.
"Ele sabia onde estavam suas fraquezas, as aceitava e tentava melhorá-las constantemente. Ele tinha lacunas na maneira de pilotar o carro em comparação com o Nico, estava perfeitamente ciente disso e fazia tudo o que podia para corrigi-las. Mas as áreas que, na verdade, estavam ligadas à sua idade, nas quais ele não podia ser ajudado de forma alguma, estavam bem ali. Acho que ele também sabia que tinha chegado a hora [de parar]", concluiu.
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