F1: Mercedes vai impor ordens de equipe após Hamilton entrar na disputa pelo título de 2026?
Toto Wolff afirma que o time enfrenta uma “discussão interessante” sobre se deve continuar permitindo que Russell e Antonelli duelem livremente
Foto de: Andy Hone/ LAT Images via Getty Images
Chefe da Mercedes, Toto Wolff deu a entender que a equipe pode reconsiderar sua estratégia de deixar os pilotos, George Russell e Kimi Antonelli, competirem entre si após o GP de Barcelona, já que Lewis Hamilton surgiu como uma ameaça real ao título de 2026 da Fórmula 1.
A Mercedes teve um início muito forte na atual temporada, vencendo os seis primeiros GPs, mas a sequência foi interrompida por Hamilton e pela Ferrari.
Antonelli ainda lidera o campeonato, mas as 'Flechas de Prata' também têm enfrentado problemas de confiabilidade do carro. Com Russell e Antonelli perdendo pontos após abandonos no Canadá e em Barcelona, respectivamente, Wolff vê Hamilton de volta à briga com força total.
O heptacampeão está agora 41 pontos atrás do líder Antonelli e nove à frente de Russell na classificação, ajudado pela melhora no desempenho da Ferrari após um grande pacote de atualizações em Barcelona.
Wolff acredita que a Mercedes poderia ter disputado a vitória em Barcelona, já que considera que Antonelli tinha ritmo suficiente para vencer Hamilton, mas isso pode ter sido prejudicado pelo fato de Antonelli ter tido que disputar com seu companheiro de equipe.
O austríaco, que estimou que a Mercedes “perdeu cinco ou seis segundos” de tempo de corrida “com os dois duelando”, afirmou que a equipe deve discutir se deve intervir no futuro para impedir que os rivais se beneficiem.
“Isso é algo que teremos que analisar para as próximas corridas, quando um novo concorrente entrar na disputa”, disse o chefe de equipe. “Porque quando eles estão disputando entre si, tudo bem, pode ser muito esportivo, mas quando você está competindo contra outro carro, às vezes pode ser necessário deixar o mais rápido passar".
Wolff indicou que a equipe realizará discussões internas sobre o assunto.
Toto Wolff, Mercedes
Foto: Simon Galloway / LAT Images via Getty Images
Tendo se classificado em terceiro, Antonelli inicialmente seguiu Russell e Hamilton em Barcelona. Enquanto o piloto da Ferrari mudou para uma estratégia alternativa de trocas de pneus, Antonelli foi se aproximando gradualmente de seu companheiro de equipe da Mercedes por volta da metade da corrida.
A Mercedes optou por não interferir nessa disputa, embora tenha alertado Antonelli para tomar cuidado, já que ele corria o risco de receber uma punição por repetidas violações dos limites da pista. A equipe também lembrou aos dois pilotos que a disputa entre eles estava ajudando Lando Norris, que vinha logo atrás.
Antonelli, que parecia ter melhor ritmo do que Russell com os pneus duros, acabou encontrando uma maneira de ultrapassá-lo a cinco voltas do final. Naquele momento, porém, Hamilton já estava muito à frente.
Andrea Kimi Antonelli, Mercedes, Lewis Hamilton, Ferrari
Foto: Rudy Carezzevoli / Getty Images
“George teve um início de corrida inacreditável”, disse o executivo austríaco durante a coletiva de imprensa após a corrida. “Parecia que todo mundo estava parado atrás dele. Mas então o ritmo caiu. E nos outros dois stints, claramente Kimi levou vantagem. E não interferimos na disputa entre eles, porque é assim que sempre corremos".
“Mas é uma situação que precisamos analisar para o futuro, com os dois pilotos, sobre como lidar com uma situação em que há uma diferença de ritmo – se estivermos disputando a vitória, [e] correndo o risco de perdê-la".
“E essa vai ser uma discussão interessante. Mas sempre com total transparência, no melhor interesse da equipe".
Wolff: “Prefiro não disputar com” Hamilton
O desempenho de Hamilton tem sido uma surpresa para muitos este ano, depois que o heptacampeão enfrentou dificuldades durante sua primeira temporada na Ferrari. Mas, após não conseguir um único pódio em 2025, ele já terminou entre os três primeiros na China, em Mônaco e no Canadá antes de conquistar a vitória em Barcelona.
Wolff, que trabalhou com Hamilton por mais de uma década, não tem dúvidas de que seu ex-piloto pode complicar a vida da Mercedes este ano.
Lewis Hamilton, Ferrari
Foto: Bryn Lennon / Fórmula 1 via Getty Images
“Prefiro não disputar o título com ele, porque sei do que ele é capaz”, disse Toto. “Se ele sentir o cheiro de sangue, parte para cima. Já vi isso acontecer por muitos anos: de repente, o trem do Lewis Hamilton começa a andar e fica muito difícil pará-lo".
“Você vê que, no final da temporada, há uma diferença de 25 pontos [na classificação] e a disputa pelo título está totalmente em aberto".
“É por isso que não podemos nos dar ao luxo de não terminar a corrida e precisamos continuar aprimorando o desempenho do carro e da unidade de potência, não cometer erros, ser inteligentes com a estratégia e manter o foco total".
Rosberg: Vocês pilotam juntos pela vitória da equipe
Outro ex-piloto de Wolff, o alemão Nico Rosberg, acredita que a Mercedes pode ter sido muito justa com Russell em Barcelona e muito relutante em usar ordens de equipe para maximizar as chances de vitória de Antonelli.
O alemão lembrou que, durante o período em que correu ao lado de Hamilton na Mercedes, os interesses da equipe sempre tiveram prioridade sempre que os pilotos disputavam entre si.
Ele citou o GP de Mônaco de 2016, quando lhe pediram para deixar Hamilton passar, a fim de permitir que seu companheiro de equipe alcançasse Daniel Ricciardo. Apesar de estar em disputa pelo campeonato com Hamilton, Rosberg abriu caminho porque não tinha ritmo suficiente para desafiar a Red Bull.
Nico Rosberg e Lewis Hamilton, GP de Mônaco de 2016
Foto: Mercedes AMG
Rosberg acredita que a Mercedes deveria ter adotado a mesma abordagem em Barcelona.
“A Mercedes foi muito atenciosa com o George”, disse Rosberg em uma conversa com Ralf Schumacher no canal Sky Alemanha após a corrida. “Normalmente, mesmo na minha época, é sempre assim: assim que a equipe corre o risco de perder a vitória, você corre em conjunto pela vitória da equipe".
“E a Mercedes, na verdade, poderia e deveria ter feito isso mais cedo hoje, em retrospecto – mas é sempre mais fácil julgar depois do fato".
“Não existe piloto número um ou número dois. Também é muito cedo [para a equipe decidir isso]. Essa é uma regra muito clara, independentemente da situação da corrida: se a equipe corre o risco de perder a vitória, então é preciso correr em conjunto pela vitória".
“Era assim na nossa época também. Eu deixei o Lewis passar em Mônaco, lembra? Eu estava em segundo, ele em terceiro. O Ricciardo estava se distanciando na Red Bull. Eu deixei ele passar, mesmo estando em disputa pelo campeonato mundial", concluiu Rosberg.
Como a VITÓRIA de HAMILTON impacta Leclerc na Ferrari? KIMI x RUSSELL, Bortoleto e + | FELIPE MOTTA
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