"F1 não pode ser refém" das fabricantes de motores, afirma diretor de monopostos da FIA
Nikolas Tombazis explicou um dos motivos por trás da maneira como atual regulamento foi pensado e projetou o futuro
Foto de: Peter Fox
Quando o regulamento de 2026 da Fórmula 1 foi definido, há alguns anos, a indústria automobilística vivia um forte impulso pela eletrificação. Esse cenário acabou influenciando a categoria a adotar uma abordagem que também contemplasse isso, dando origem aos motores atuais, com uma divisão quase igualitária entre a parte de combustão interna e a elétrica.
No entanto, a mudança - pensada especialmente para a chegada de marcas como a Audi, além do retorno da Honda - não tem dado um resultado tão positivo quanto o esperado. Com críticas de pilotos e fãs e a necessidade de mudanças após a terceira etapa, já existem conversas sobre o novo conjunto de regras, programado para estrear em 2031.
Diretor de monopostos da Federação Internacional de Automobilismo, Nikolas Tombazis reconheceu que "o cenário político" da indústria automotiva mudou em relação a anos anteriores, sem descartar a possibilidade da volta de um protagonismo do motor a combustão. Além disso, relembrou a adoção de combustíveis totalmente sustentáveis a partir deste ano.
"Quando discutimos os regulamentos, as empresas automotivas, que estavam muito envolvidas, nos disseram que jamais voltariam a fabricar outro motor de combustão interna. Iriam descontinuá-los e, em determinado ano, seriam totalmente elétricos. Obviamente, isso não aconteceu. Não estou subestimando a importância da eletrificação globalmente, mas não avançou tanto quanto se dizia", disse em coletiva nessa segunda-feira (27). " Avançamos para combustíveis totalmente sustentáveis, e acho que foi um resultado razoavelmente bom".
Em meio a discussões iniciais sobre a possibilidade de retorno dos motores V8, desta vez abastecidos por combustíveis sustentáveis, justamente para manter da relevância para a indústria, Tombazis esclareceu a importância de o esporte se proteger das 'oscilações' do mercado.
"Em termos de futuro, precisamos proteger o esporte da economia mundial. Ou seja, não podemos ser reféns das empresas automotivas decidindo participar ou não da nossa categoria", explicou. "Queremos que elas façam parte, claro, é por isso que trabalhamos tanto para garantir a participação de novas [fabricantes]. Mas também não podemos estar numa posição em que, se elas decidirem que não querem mais participar, fiquemos vulneráveis de repente. Precisamos continuar trabalhando para a redução de custos".
Ele ainda finaliza esclarecendo o porquê não é cedo demais para já começar a pensar no próximo regulamento da categoria: "O tempo que leva para fazer uma unidade de potência, um motor e tudo mais é bastante longo. Então pode parecer um pouco estranho discutir esses assuntos apenas algumas corridas depois de termos começado, mas esse é o ciclo natural da discussão".
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