F1 - "Não será a mesma Spa": Como carros de 2026 irão se comportar na Bélgica?
Lando Norris, está preparado para um desafio de pilotagem menos exigente enquanto Lewis Hamilton procura pontos positivos
O regulamento de 2026 da Fórmula 1, promovendo maior eletrificação das unidades de potência, mudou a cara de várias pistas e curvas icônicas este ano. Porém, em nenhum lugar se espera que a diferença seja tão marcante quanto em Spa-Francorchamps, uma das favoritas dos pilotos.
Apesar de várias medidas para diminuir os problemas em relação à bateria, incluindo a redução dos limites de uso de energia e a adição de mais zonas de aerodinâmica ativa, o tempo relativamente curto que os carros passam freando ao longo do circuito de 7 km faz com que a energia necessária para alcançar o tempo de volta ideal tenha que vir de outras fontes. Como resultado, os carros sofrerão com a falta de energia em muitas curvas que antes eram extremamente desafiadoras e emocionantes de contornar.
Atual campeão mundial, Lando Norris mostrou-se pouco otimista sobre como será pilotar em um de seus circuitos favoritos com a atual geração de carros: "Certamente não vai ser a mesma Spa. Vamos ver como será em Pouhon (curva 10) e em algumas das outras curvas, mas com certeza não será o mesmo desafio que sempre foi".
Tetracampeão, Max Verstappen concorda com o britânico e disse que, apesar de ainda "amar" a pista belga, "vai ser mais uma corrida frustrante por causa da energia. Spa e Monza vão ser 'tristes'".
Spa Francorchamps
Fernando Alonso, piloto mais experiente do grid atual e bicampeão, fez coro aos demais campeões ao explicar que "se você usar toda a energia nessas duas retas, que é a estratégia ideal de uso de energia, então haverá um segundo setor de quase um minuto sem energia".
"E, sem nenhuma energia elétrica disponível nesse trecho, teremos significativamente menos potência do que no ano passado, talvez até menos do que um carro da F2, pois é o que acontece quando a entrega de energia é interrompida".
Menos corridas ioiô depois do GP da Grã-Bretanha?
A corrida em Spa pode, na verdade, ser mais 'direta' do que foi em Silverstone, onde as retas foram muito convidativas a corridas ioiô e geraram uma série de voltas iniciais agitadas, com os pilotos ultrapassando e sendo ultrapassados novamente, antes de se estabelecerem em um ritmo.
"Silverstone foi 'aleatório'", disse Piastri. "A quantidade de concentração necessária nas primeiras voltas para simplesmente evitar bater nas pessoas foi enorme. É muito difícil por causa da tentativa de usar o botão de boost, de julgar se você deve usar a bateria agora ou mais tarde, em lugares como Silverstone, onde há quatro ou cinco retas diferentes ao longo da volta em que você pode usá-lo".
Silverstone's British Grand Prix offered plenty of battery induced wheel-to-wheel action.
Photo by: Sam Bagnall / Sutton Images via Getty Images
Spa parece que será um desafio relativamente mais simples, nem que seja porque existe uma estratégia bastante óbvia para lidar com a longa aceleração que vai da La Source (Curva 1) até Les Combes (Curva 5). Depois de recuperar energia durante a frenagem, os pilotos terão de usar toda a carga disponível na subida da reta Kemmel (entre curvas 4 e 5) para atingir a velocidade máxima antes de recorrer ao chamado superclipping.
"Provavelmente será até simples, porque você gasta todo o pacote da Curva 1 até o fim da reta Kemmel de qualquer forma, a menos que queira deixar todo mundo passar por você", disse Piastri. "Então é uma estratégia bastante simples".
O terceiro setor parece ser mais complexo, porque, embora tenha várias curvas, nenhuma delas exige grandes zonas de frenagem. Isso pode levar as equipes a sacrificar a antes temida curva dupla a esquerda Pouhon (curva 10 e 11) em nome da gestão de energia.
Do ponto de vista da pilotagem, essa perspectiva está longe de ser empolgante, mas ela oferece opções estratégicas para a longa aceleração até a chicane final, Bus Stop (curvas 18 e 19).
Mas, até que as mudanças na equação energética previstas para 2027 tenham um impacto maior na recuperação de energia, o desafio continua. Segundo Oliver Bearman, piloto da Haas, locais como Spa e Silverstone agora foram temporariamente 'substituídos' pelo Red Bull Ring ou pelo sinuoso Hungaroring, onde podem andar no limite por causa das muitas zonas de frenagem para recarregar a bateria.
"Do ponto de vista de um piloto, se você me perguntasse no ano passado onde eu preferiria correr, seria aqui. Este ano eu diria provavelmente Hungria e Áustria, o que parece loucura, mas é assim que é", disse Bearman.
Mas o jovem britânico também sentiu que 2026 está fazendo dele um "piloto melhor", então, em vez de ficar abatido, ele se concentra em encontrar uma vantagem de desempenho ao lidar com os regulamentos atuais melhor do que os rivais.
"A forma como você aborda algumas curvas muda porque em algumas você tem o dobro de potência", explicou ele. "Em algumas você realmente precisa se concentrar em sair bem. Em outras isso não importa tanto, porque tem uma saída com apenas 500 cavalos de potência em vez de 1.000, por exemplo. Então é interessante e definitivamente está nos ensinando muito. Por mais que gostemos de reclamar, isso está nos tornando pilotos melhores".
Photo by: James Sutton / LAT Images via Getty Images
Já Hamilton ofereceu uma opinião diferente da de Bearman, dando mais importância à qualidade da corrida em si do que à pilotagem: "Para mim é exatamente o oposto. Essas são as pistas pelas quais eu espero ansiosamente, mesmo que sejamos mais lentos".
"Mônaco é um lugar deslumbrante, um país lindo, uma pista incrível para uma volta de classificação, não importa que carro pilote. Mas é a corrida menos agradável porque você não consegue ultrapassar. Para mim, minha empolgação não é a classificação, é a corrida. Batalhar com as pessoas e correr roda a roda, tentando superar e ser mais esperto do que os pilotos com quem você está competindo. Pressionar, defender, todas essas coisas. Isso é corrida, é o que eu procuro. Quando você vai a corridas e não consegue fazer isso, não é o mais satisfatório", completou.
Com alterações a caminho em 2027, Norris considerou uma pena que Spa entre em um esquema de rodízio, sendo realizado uma vez a cada dois anos, sem GP da Bélgica em 2028 ou 2030.
"Se você perguntar a todos os pilotos, provavelmente está entre nossas três ou cinco melhores pistas do calendário. Portanto, também é uma pena que vá passar a ser a cada dois anos ou seja lá como for", acrescentou ele. "Eu adoro aqui. Acho que todos os pilotos adoram aqui. Mas também gostamos de pilotar carros que não dependem apenas da bateria. Não temos muita voz nessas coisas, então é assim que é".
Reportagem adicional de Ben Vinel
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