F1: Qual é o próximo passo para Aston Martin e Honda após início turbulento em 2026?
A parceria entre a equipe de Silverstone e a marca japonesa segue para a China na esperança de avançar na solução dos problemas, um passo de cada vez
Após um 'batismo de fogo' com a Aston Martin no GP da Austrália, a Honda espera que a segunda corrida de sua unidade de potência da temporada 2026 da Fórmula 1 na China seja um fim de semana mais "normal".
A estreia da parceria da Honda com a Aston não poderia ter começado pior. Durante a pré-temporada, vibrações intensas do motor continuaram danificando as baterias, causando desconforto significativo aos pilotos e desencadeando outros problemas de confiabilidade.
Foi tão grave que a equipe tinha apenas duas baterias funcionais para usar em Melbourne, o que obrigou o time a ser extremamente conservador para não correr o risco de perder a abertura da temporada de 2026 por completo. Lance Stroll e Fernando Alonso completaram, juntos, apenas 18 voltas nas duas sessões de treinos de sexta-feira, enquanto Alonso mostrou melhora ao completar 20 voltas no TL3, mas Stroll ficou fora o dia todo devido a outro problema no motor.
Entender as complexas regras da unidade de potência de 2026 é como descascar uma cebola, e por não terem rodado a quilometragem necessária, tanto a Aston quanto a Honda ficaram muito tempo na camada externa, sem saber dos problemas mais profundos e falhas que ambos ainda nem tiveram chance de descobrir.
O problema relacionado à unidade de potência de Stroll no sábado foi um desses problemas que teria sido muito útil detectar em Barcelona ou Bahrein, e isso fez com que o canadense ficasse de fora da classificação e largasse no fim do grid. Alonso, por sua vez, se classificou em 17º, 2s4 atrás dos líderes e sete décimos longe de uma vaga no Q2.
No fim das contas, isso pouco importou, já que nem Stroll nem seu companheiro de equipe terminaram a prova em Albert Park. Estando significativamente fora do ritmo desde o início, ambos os pilotos foram chamados para uma longa pausa para fazer "ajustes" não divulgados, e depois foram retirados da corrida indefinidamente como precaução para preservar as poucas peças reservas que a Aston ainda tinha.
Lance Stroll, Aston Martin Racing
Photo by: Lars Baron / Getty Images
O único destaque da Aston foi a largada impressionante de Alonso, que fez uma arrancada emocionante até a curva 3, subindo temporariamente para o 10º lugar antes de voltar à posição natural do AMR26.
Com apenas alguns dias até os carros voltarem à pista em Xangai, parece haver pouco espaço para a Aston e a Honda fazerem melhorias radicais. Mas o número de voltas completadas pelos carros no domingo é pelo menos um pequeno sinal de progresso, por mais dolorosa que seja a situação atual da suposta super equipe.
Um ponto positivo é que o Motorsport.com apurou que há algum otimismo de que a equipe terá pelo menos uma bateria sobressalente disponível neste fim de semana.
Embora a Honda não possa fornecer peças extras com tão pouco tempo de antecedência, acredita-se que o pacote de baterias que ficou inutilizável na Austrália devido a problemas de comunicação entre os vários sistemas de gestão e controle possa ser recuperado.
Além disso, embora as vibrações da unidade de potência ainda estejam causando estragos no AMR26, a Honda ao menos conseguiu avançar na mitigação dos danos causados à bateria - como demonstrado no domingo.
A Aston precisará de muito mais do que um GP de testes para começar a explorar muito mais seu pacote, mas pelo menos é um começo - e uma melhoria crucial em relação à situação desesperadora em que se encontrava quando sua equipe chegou a Melbourne.
"Do ponto de vista das vibrações, estamos confiantes de que poderíamos ter completado toda a quilometragem na corrida. Isso é uma grande melhoria para a Aston Martin e a Honda. Esse foi um ponto muito importante para nós como equipe", disse Shintaro Orihara, gerente de pista da Honda e engenheiro-chefe de F1.
"Após os testes no Bahrein, Aston Martin e Honda trabalharam muito para encontrar uma solução. Então trouxemos algumas contramedidas aqui e encontramos um bom progresso em comparação com o Bahrein. Hoje construímos muita quilometragem".
O chefe de pista da Aston, Mike Krack, confirmou que a equipe não enfrentou problemas com a unidade de potência durante a corrida e provavelmente poderia ter terminado a prova se realmente quisesse.
"Não temos uma bola de cristal, mas estou bastante confiante de que poderíamos ter terminado", disse ele. "É de conhecimento comum que não temos muitas peças. Não havia muito a ganhar de onde estávamos e tomamos a decisão juntos de preservar as peças".
Mike Krack, Aston Martin Racing
Photo by: Zak Mauger / LAT Images via Getty Images
O que certamente parece ter desaparecido é a afirmação dramática feita pelo chefe da equipe Adrian Newey na quinta-feira de que os pilotos da Aston poderiam ter sofrido danos nos nervos das mãos se tivessem completado longos períodos de corrida.
Alonso logo descartou essa sugestão, dizendo "se estivéssemos lutando pela vitória, poderíamos ficar três horas no carro", e Krack afirmou que esse assunto não foi realmente um ponto importante na análise pós-corrida.
Mas o problema pendente é que as vibrações em si não desapareceram, e tanto a Aston Martin quanto a Honda terão que fazer de tudo para controlar a situação. A Honda está especialmente ansiosa para causar uma boa impressão em casa, no Japão, daqui a apenas três semanas, na terceira etapa da temporada 2026.
Por isso, há muito em jogo no GP da China, já que a Aston precisa aumentar ainda mais a quilometragem. Isso é especialmente importante porque é o único carro da Honda na F1, então já enfrenta uma desvantagem em relação a equipes como Mercedes e Ferrari mesmo nas melhores condições.
"Do Bahrein até aqui, fizemos grandes melhorias em termos de vibração da bateria", disse Orihara. "Então, na China, vamos focar em aumentar a quilometragem, coletar dados para melhorar nosso desempenho e também otimizar o gerenciamento de energia. É difícil dizer se conseguiremos grandes avanços, mas continuamos nos esforçando para melhorar nosso desempenho".
"Agora estamos confiantes para aumentar a quilometragem das baterias, então a próxima semana deve ser um fim de semana mais normal".
Embora soluções permanentes em Sakura ainda estejam distantes, acumular voltas na China permitirá que ambas as partes continuem descobrindo o AMR26 e a complexa unidade de potência, descascando a cebola uma camada de cada vez…
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