F1: "Os pilotos não podem mais fazer a diferença", diz Verstappen sobre regulamento de 2026
Holandês acredita que as pessoas finalmente estão entendendo as críticas que ele tem feito desde antes da introdução das novas regras
Após o fim de semana de Spa-Francorchamps, um tema dominou a coletiva de imprensa e as entrevistas neste dia de mídia pré-GP da Hungria: a gestão de energia nos motores da Fórmula 1 2026, em especial os aspectos de inteligência artificial e algoritmos.
Oscar Piastri classificou como “porcaria” o fato de os pilotos poderem ser pegos de surpresa por algoritmos antecipatórios que se adaptam com base no que aprendem ao longo do tempo.
Isso significa que diferenças extremamente pequenas na ação do piloto podem afetar a gestão de energia mais adiante na volta, mas o mesmo se aplica a fatores totalmente fora do controle do piloto – como mudanças na direção do vento ou nos níveis de aderência.
Verstappen não quer criticar continuamente os regulamentos toda semana, e chegou a falar, na Bélgica, que certas pessoas fora da sala de coletiva de imprensa poderiam “atirar” nele se ele continuasse fazendo isso. Parecia que haviam tentativas de silenciar Verstappen, mas ele esclareceu o comentário em Budapeste: “Não, eu estava brincando.”
O holandês acredita, no entanto, que suas críticas não foram levadas a sério há alguns anos, mas que cada vez mais pessoas estão começando a entender o que há de errado com os regulamentos de 2026.
“Já venho dizendo o que penso sobre esses regulamentos há muito tempo. No começo, a maioria das pessoas dizia: ‘ah, ele está reclamando, deveria calar a boca’. Mas devo dizer que, nas últimas corridas, cada vez mais pessoas estão percebendo o mesmo que eu já vinha dizendo há muito tempo".
“E não se trata mais de eu não estar vencendo, é simplesmente porque me importo com o produto".
Segundo Verstappen, a forma como o produto é percebido também depende do tipo de torcedor. Os mais casuais podem curtir as corridas atuais como elas estão, mas aqueles que entendem os bastidores veem as coisas de maneira diferente.
“Claro, quando as pessoas ficam me perguntando isso, talvez nem sempre seja bem visto. Mas estou apenas falando o que penso, porque dá para perceber certas coisas que estão por vir".
“Às vezes as pessoas dizem: ‘sim, mas essa foi uma ótima corrida’. E então eu digo: ‘sim, mas não é muito realista a maneira como estamos correndo’. E aí você chega em algumas pistas e está pilotando com pouca potência para os padrões da F1. É um pouco doloroso, algo que eu já previa há anos".
Verstappen acredita que os pilotos mais rápidos do grid não conseguem mais fazer a diferença.
“Bem, é só uma questão de como você aciona o acelerador. Ao ser mais rápido nas curvas, você perde mais na reta seguinte, o que, claro, não é como deveria ser".
"Quero dizer, em qualquer tipo de categoria, se você ganha tempo nas curvas, isso representa uma melhora em sua volta. Normalmente, você não seria penalizado na reta. Agora, porém, você realmente precisa pensar: ‘Ah, tenho que usar uma marcha diferente, uma técnica de frenagem diferente ou uma maneira diferente de acelerar de novo’".
Segundo Verstappen, é exatamente por isso que muitos companheiros de equipe têm estado tão equilibrados este ano e que os pilotos mais rápidos não conseguem mais mostrar plenamente seu talento.
“Basicamente, isso neutraliza grande parte do tempo de volta, e é por isso, eu acho, que, em geral, vemos muitas disputas acirradas entre equipes e também entre companheiros, porque às vezes você não consegue fazer a diferença. Os pilotos não podem mais fazer a diferença porque isso simplesmente vai te penalizar na reta seguinte".
No Hungaroring, esse fator deve ter muito menos influência do que foi possível ver em Silverstone e Spa, já que o circuito é mais travado, o que permite maior regeneração.
Mesmo assim, Verstappen acredita que isso não muda fundamentalmente o problema, inclusive no que diz respeito às ultrapassagens. O holandês ganhou o prêmio de “Ultrapassagem do Mês” da F1 por sua manobra contra Lewis Hamilton na Áustria.
Quando perguntaram a Verstappen no pódio como ele havia conseguido aquela manobra, ele sorriu: “Apertei meu botão de boost e, de repente, tinha um pouco mais de potência do que o Lewis".
A F1 cortou essa parte de seus próprios canais nas redes sociais, mas, segundo Verstappen, ela resume perfeitamente como serão as ultrapassagens em 2026.
“É muito diferente. Eu realmente não gosto muito disso. Às vezes é até engraçado ver as pessoas na sua frente disputando, elas estão usando a bateria e, na verdade, sem fazer nada, você simplesmente as ultrapassa. Você simplesmente as ultrapassa na reta seguinte sem fazer literalmente nada".
“Então não é como deveria ser. Além disso, com essas asas abertas o tempo todo, você reduz bastante o arrasto ao seguir alguém. Claro, isso é feito por motivos óbvios, mas eu prefiro me posicionar no vácuo de alguém e depois talvez tentar uma ultrapassagem na frenagem ou algo assim".
“Agora, a ultrapassagem às vezes é feita no meio da reta, o que é um pouco estranho. O problema é que, claro, os verdadeiros fãs de corrida entendem isso. Quem não é fã acha legal porque vê mais ultrapassagens, mas não é real. Não é disso que se trata a corrida".
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