F1 - Para além do mesmo fim de semana: O trágico vínculo entre Ratzenberger e Senna
Piloto austríaco faleceu um dia antes do brasileiro na pista de Ímola, mas essa não é a única coincidência entre os dois
Em 2014, no 20º aniversário daquele fim de semana trágico na Fórmula 1, um grupo de fãs italianos organizou uma belíssima homenagem a Ayrton Senna no circuito de Ímola. O evento atraiu o interesse do público e da imprensa de todo o mundo, com uma exposição de carros e objetos utilizados ao longo da carreira do piloto brasileiro, além de uma emocionante peregrinação de milhares de pessoas até a curva Tamburello para um momento de reflexão e um minuto de silêncio exatamente na hora do acidente, algo arrepiante.
Mas o momento que mais me emocionou em um fim de semana repleto de emoções aconteceu no dia anterior, quando foi realizada uma homenagem a Roland Ratzenberger com a presença dos pais do piloto austríaco, Rudolf e Birgit, em uma sala ao lado dos boxes do circuito. Enquanto a mãe adotou uma postura mais reservada, o pai atendeu a todos com extrema simpatia.
Fiquei curioso ao ver a intensidade com que ele vivia aquele momento de uma lembrança certamente dolorosa. Conversamos depois e ele me explicou o quanto era importante para ele manter viva a memória do filho.
“Este meu trabalho em homenagem a Roland é um trabalho triste, mas que me poupou de um psiquiatra. Outras pessoas precisam de acompanhamento após um golpe como esse, eu não. Com minha esposa é diferente. Até hoje, ela tem dificuldades para lidar com o que aconteceu".
Roland Ratzenberger, Simtek
Foto de: Photo 4
Rudolf Ratzenberger admitiu também que, de certa forma, o acidente fatal de Ayrton Senna no dia seguinte ao de Roland acabou sendo fundamental para que isso acontecesse. “Nosso Ayrton e nosso Roland, nós os lembramos com tanto carinho. Não parece que já tenha passado tanto tempo”, observou.
Não se pode negar que a sucessão de acontecimentos no trágico fim de semana do GP de San Marino de 1994 fez com que a lembrança de Roland Ratzenberger fosse mais intensa do que a de outros pilotos que alcançaram resultados muito melhores do que os dele na F1 e também morreram na pista, como Luigi Musso, Peter Collins, Lorenzo Bandini e François Cevert, apenas para citar alguns vencedores de corridas.
O piloto austríaco disputava apenas seu terceiro fim de semana na F1, correndo pela equipe Simtek, estreante e com um orçamento muito modesto. Ratzenberger não havia conseguido se classificar para o GP do Brasil e chegou apenas em 11º lugar no GP do Pacífico, no circuito japonês de Aida. Um enorme contraste com o currículo de Senna, tricampeão mundial, correndo pela melhor equipe da época e um dos esportistas mais populares do planeta.
Acontece que a interrupção brutal de suas trajetórias no mesmo momento e lugar uniu os dois pilotos. Mas não havia apenas isso em comum: Ratzenberger era apenas três meses mais novo que Senna, também canhoto e um piloto extremamente popular no Japão. Lá, ele conquistou vitórias em diferentes categorias, como endurance, turismo e Fórmula 3000. Além disso, venceu as 24h de Le Mans com uma equipe japonesa em 1993, na categoria C2, terminando na quinta posição geral, um resultado notável.
Quando saiu da pista na curva Villeneuve, após perder o controle do carro devido a uma quebra no aerofólio dianteiro, Ratzenberger estava vivendo a realização do sonho que alimentava desde criança e corria para ver os carros passando rapidamente no circuito de Salzburgring, a poucos metros de casa. De família modesta, o austríaco financiou a fase inicial de sua carreira atuando como instrutor em escolas de pilotagem (trabalhava cinco dias por semana para correr aos sábados e domingos).
Ele passou pelo automobilismo de base na Inglaterra e conseguiu alcançar certa independência financeira correndo no Japão, mas as portas da F1 só se abririam graças ao apoio financeiro de uma empresa austríaca com sede em Mônaco, onde ele morava, assim como Senna.
No dia da corrida, o brasileiro planejava homenagear Ratzenberger com uma vitória. “Havia uma bandeira austríaca no cockpit da Williams e sabíamos que Senna queria ter homenageado Roland. Ficamos muito tristes por ele também ter falecido. Tudo ficou ainda mais amargo”, disse o pai, Rudolf Ratzenberger, em 2014.
Quem serão os ícones da F1 após VERSTAPPEN, HAMILTON e ALONSO? Bortoleto ÍDOLO? Miami, DRUGO e mais!
Ouça versão áudio do PODCAST MOTORSPORT:
ACOMPANHE NOSSO PODCAST GRATUITAMENTE:
Faça parte do nosso canal no WhatsApp: clique aqui e se junte a nós no aplicativo!
Compartilhe ou salve este artigo
Inscreva-se e acesse Motorsport.com com seu ad-blocker.
Da Fórmula 1 ao MotoGP relatamos diretamente do paddock porque amamos nosso esporte, assim como você. A fim de continuar entregando nosso jornalismo especializado, nosso site usa publicidade. Ainda assim, queremos dar a você a oportunidade de desfrutar de um site sem anúncios, e continuar usando seu bloqueador de anúncios.
Principais comentários