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F1: Por que equipes 'do fundo' não conseguem seguir plano agressivo de atualizações como a Ferrari

Embora a Scuderia tenha sido alvo de escrutínio pelo desenvolvimento constante, o pelotão intermediário sabe que uma estratégia semelhante não é possível

Charles Leclerc, Ferrari, Lewis Hamilton, Ferrari

Os novos regulamentos introduzidos pela Fórmula 1 para a temporada de 2026 reiniciaram um ciclo de desenvolvimento que, em 2025, tinha a McLaren no topo da pirâmide. Agora, este lugar é ocupado pela Mercedes, vencedora de sete das nove etapas realizadas este ano.

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Embora a Mercedes tenha sido a força dominante nas fases iniciais da temporada, a Ferrari tem sido agressiva no desenvolvimento do SF-26, com o trabalho em Maranello começando a dar frutos com vitórias na Espanha e na Grã-Bretanha para Lewis Hamilton e Charles Leclerc.

Essa filosofia levantou suspeitas em todo o paddock, sobretudo por parte do chefe da Mercedes, Toto Wolff, que questionou se a Scuderia conseguiria permanecer dentro do teto orçamentário enquanto atualiza o carro com tanta frequência.

Líder da Ferrari, Fred Vasseur não ficou satisfeito com os comentários de Wolff. Questionado sobre por que acreditava que isso havia acontecido, o francês sugeriu que as "atualizações" da Ferrari estavam sendo interpretadas como algo maior do que realmente eram.

"Achei isso um pouco estranho, porque acredito que quanto mais desempenho você conseguir trazer no início, melhor. Todos nós trabalhamos nisso desde dezembro. Se pudermos introduzir algo logo no começo, fazemos isso. É melhor ganhar dois décimos durante cinco corridas do que apenas nas duas últimas", explicou Vasseur.

"Às vezes é difícil encontrar desempenho, outras vezes um pouco menos. Às vezes pode-se ter a sensação de que estamos trazendo uma grande atualização, mas é apenas uma modificação de algumas peças, nada mais", acrescentou. 

Frederic Vasseur, Ferrari

Frederic Vasseur, Ferrari

Photo by: James Sutton / LAT Images via Getty Images

Enquanto a Ferrari tem recursos para acrescentar melhorias gradualmente, assim como a Red Bull nas corridas recentes, equipes mais atrás no grid enfrentam um cenário bem mais complicado quando o assunto é desenvolvimento.

A Williams é um bom exemplo. A equipe começou a temporada de forma discreta, apesar da expectativa de dar um salto em relação ao pelotão intermediário. O chefe da equipe, James Vowles, explicou por que o time não consegue seguir a estratégia agressiva da Ferrari: "Mesmo que eu tivesse tudo no prazo e funcionando, nosso nível de eficiência não está no nível de uma equipe de F1 que tem uma forma de trabalhar estabelecida há 10 anos. Isso é apenas um fato por trás disso".

"A Williams, por exemplo, não tinha uma rede de fornecedores externos no nível ideal, simplesmente porque não havia dinheiro para pagar por isso. Durante 12 anos a Mercedes desenvolveu relações com os melhores fornecedores e garantiu que as melhores pessoas dessas empresas trabalhassem em seus projetos, com comunicação e métodos de trabalho eficientes. Parece básico, mas faz toda a diferença", adicionou.

Segundo Vowles, construir esse tipo de operação leva tempo, algo que nem sempre está prontamente disponível na F1. "Em dois anos, estou tentando construir algo que outras equipes levaram dez anos. Isso não acontece da noite para o dia. Ou seja, há uma perda de eficiência e pode ser em tempo ou em custo. Você pode escolher qual alavanca puxar, ou as duas", falou. 

James Vowles, Williams

James Vowles, Williams

Photo by: Alastair Staley / LAT Images via Getty Images

"Todas as equipes de ponta funcionam assim. Nosso trabalho em tudo isso é traçar um caminho para chegarmos a esse nível, ou até pensar de forma diferente deles e chegarmos lá. Mas acho que, fundamentalmente, para dois lados do grid, vai custar mais dinheiro e levar mais tempo para produzir peças", concluiu. 

A Aston Martin se viu bem no fundo do grid após um pesadelo no início da temporada, embora esteja à frente da estreante Cadillac em virtude de um ponto herdado no polêmico GP de Mônaco.

Atualizações mínimas foram adicionadas ao AMR26 desde o início do ano, mas espera-se um pacote abrangente para o GP da Hungria antes da pausa de verão.

Questionado sobre como a estratégia da Ferrari poderia ser possível e se a equipe de Silverstone poderia replicá-la com o próprio carro, o diretor de pista Mike Krack respondeu: "Isso depende do plano. No fim das contas, a decisão foi tomada. Vocês vão se lembrar de que não traremos [novidades] corrida após corrida após corrida".

"Se o plano deles era diferente, então era diferente. Se você traz uma atualização toda semana, precisa planejar isso com bastante antecedência. Você não pode dizer'Fui mal na Áustria e tenho uma atualização em Silverstone na semana seguinte'. Tudo isso segue um plano que levou muito tempo, no qual você leva em conta logística, produção, aspectos técnicos do circuito... Portanto, cada equipe tem seu plano e trabalha de acordo com suas condições", finalizou. 

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