F1: Por que Piastri ficou 'mordido' com Leclerc após o GP da Bélgica
"Se considerarmos isso aceitável... só o incentivo de saber que você pode deixar o mínimo absoluto de espaço para qualquer um e sair impune, não é agradável"
Piloto da Ferrari, o monegasco Charles Leclerc fez uma defesa de posição agressiva contra o australiano Oscar Piastri, da McLaren, mas não foi punido pelos comissários desportivos no GP da Bélgica de Fórmula 1.
Leclerc deixou pouco espaço para Piastri na frenagem para a curva Les Combes e colidiu com o australiano, que chegou a sofrer danos em seu carro por causa do toque em Spa-Francorchamps.
Os dois vinham lado a lado pela reta Kemmel na disputa pelo terceiro lugar, com Piastri se posicionando pelo lado de fora antes da Les Combes. Embora a McLaren ainda estivesse ao seu lado, Leclerc foi 'longe demais' para a esquerda na frenagem da curva à direita e acabou tocando no adversário. Pelo rádio, Piastri culpou Leclerc pela colisão: "Ele não me deixou espaço suficiente. Poderia ter sido um acidente enorme", disse o australiano.
"Do meu ponto de vista, eu fui espremido", relatou ele após o GP em Spa. "Acho que, em primeiro lugar, tivemos muita sorte de não causar uma batida maior, porque basicamente tocamos rodas no início da zona de frenagem. Não sei para onde mais eu deveria ter ido".
O incidente foi então investigado pelos comissários, mas não houve punição, conforme documento oficial da FIA: "Na aproximação da curva 5, o carro 81 tentou ultrapassar o carro 16 pelo lado de fora. O carro 81 estava parcialmente alinhado com o carro 16, mas o eixo dianteiro do carro 81 não estava à frente do eixo dianteiro do carro 16, e não havia possibilidade de o carro 81 concluir uma ultrapassagem a partir dessa posição".
"Na avaliação dos comissários, o carro 16 não empurrou deliberadamente o carro 81 para a borda da pista. O carro 16 seguiu a linha ideal antes da entrada da curva 5, movendo-se ligeiramente para a esquerda para abordar a curva 5, ocorrendo um contato lateral entre os dois carros", detalhou o despacho da Federação Internacional de Automobilismo após o GP.
Os comissários decidiram não tomar outras medidas nessas circunstâncias, mas Piastri não ficou satisfeito com isso. Embora ele não tenha pedido necessariamente uma punição imediata, afirmou que era o caso de "pelo menos uma bandeira preta e branca ou algo assim" -- ou seja, uma advertência para Leclerc.
"Porque, se considerarmos isso aceitável... quero dizer, uma coisa é ter esses contatos, mas só o incentivo de saber que você pode deixar o mínimo absoluto de espaço para qualquer um e sair impune, isso não é uma situação agradável, penso eu".
Depois, Leclerc também admitiu que a manobra foi um pouco "apertada demais", afirmando: "Felizmente, não teve impacto na minha corrida nem na dele". No entanto, como dito, houve danos no carro de Piastri.
O impacto na McLaren de Oscar
"Perdi partes do meu carro. A partir daí, a corrida ficou definitivamente mais difícil. O equilíbrio sofreu bastante no primeiro stint depois disso. No segundo stint, conseguimos compensar um pouco isso e o ritmo voltou a parecer melhor", explicou o australiano.
Segundo o chefe de equipe da McLaren, Andrea Stella, Piastri perdeu "entre cinco e dez pontos de downforce" devido à ausência do defletor. "E, quando você precisa encontrar ritmo forçando os pneus, naturalmente os pneus se degradam mais", disse ele.
"Acho que, se olharmos para a corrida de Oscar no primeiro e no segundo stint, dá para ver que ele precisa exigir muito dos pneus para se manter ali na frente, e os pneus acabam apresentando a conta no fim do stint."
Piastri terminou a corrida em quinto, atrás do britânico Lewis Hamilton, da Ferrari. Já Leclerc foi segundo, atrás do vencedor do último domingo, o italiano Andrea Kimi Antonelli, da Mercedes.
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