F1: Por que Russell não consegue acompanhar ritmo de Antonelli
Britânico se abriu sobre dificuldades para ser tão consistente quanto companheiro de equipe
George Russell vem enfrentando um desafio que muitos julgariam improvável pouco antes do início da temporada de 2026 da Fórmula 1. Quando a Mercedes surgiu como favorita nos primeiros meses do ano, o mesmo aconteceu com o britânico: experiente, já no time há alguns anos e, em 2025, muito superior ao novato Kimi Antonelli.
Mas, à medida que o italiano fez progressos substanciais em termos de desempenho – e em seu pacote geral como piloto – Russell teve dificuldades com o novo carro. A tal ponto que Antonelli é quem lidera a classificação dos pilotos, tendo vencido cinco GPs seguidos, um feito alcançado apenas por campeões até hoje.
É importante relembrar a 'maré de azar' enfrentada pelo britânico em alguns domingos, como o abandono por causa de uma falha no carro em Montreal e o drama das penalidades por excesso de velocidade no pitlane em Mônaco. Porém, fato é que Antonelli tem sido o piloto mais rápido na classificação, embora não por muito. O piloto de 19 anos lidera seu colega mais velho por 7-6, com a diferença média entre eles de apenas 0,084s no segmento final dessas sessões.
George Russell, Mercedes, Andrea Kimi Antonelli, Mercedes
Photo by: Andy Hone/ LAT Images via Getty Images
Mas a diferença não representa a realidade, já que na maior parte do tempo um piloto da Mercedes é de três a quatro décimos mais rápido que o outro – e, na maioria das vezes, esse piloto é Antonelli.
Após um GP da Grã Bretanha em que voltou a sofrer em relação ao seu companheiro de equipe, Russell foi claro ao dizer que tinha “coisas a melhorar” do seu lado e, quando o Motorsport.com lhe pediu para detalhar isso, ele respondeu de forma direta: “Simplesmente andar mais rápido. Para ser honesto, é tão simples quanto isso".
“O bom é que não saí de um único fim de semana – mesmo que difícil – confuso sobre onde está o ritmo. Isso tem ficado muito claro nos dados. Às vezes foi tão óbvio que Shov, nosso engenheiro-chefe [Andrew Shovlin], quase chamou de um problema do carro – está muito óbvio nos dados e pode ser resolvido", continuou.
“Já vi no passado, com outros pilotos ou companheiros de equipe, que se você está fora do ritmo fica quebrando a cabeça para entender por quê. Mas eu sei exatamente o porquê se eu não venço ou se não estou na pole. Não é uma questão de eu ter esquecido de repente como pilotar em um dia e me lembrar no seguinte. É só não conseguir colocar o carro no ponto ideal. No ano passado eu sentia que tinha uma taxa de acerto muito alta em termos de quantas vezes conseguia extrair todo o potencial do carro. Este ano, essa taxa é muito menor. É nisso que estou trabalhando”, explicou.
As dificuldades de Russell para encontrar o ponto ideal estão em parte relacionadas ao fato de que, segundo ele, esta é a primeira vez em sua carreira que ele teve de se desviar de seu estilo de pilotagem ideal. O novo maquinário é diferente do ano passado em todos os aspectos – menor, mais ágil e com a gestão de energia preponderante.
George Russell, Mercedes
Photo by: Eric Le Galliot
Como consequência, em vez de pilotar instintivamente, ele agora precisa pensar sobre isso e às vezes imitar o companheiro de equipe quando este é mais rápido. “É como se alguém pedisse para você desenhar a Mona Lisa e você tivesse a Mona Lisa ao seu lado; Você acha que conseguiria fazer isso de imediato?”, questionou Russell retoricamente. “Talvez, com prática, consiga".
“Com essas novas unidades de potência, novos pneus, novos carros, estou tendo que ajustar de uma forma que não tem sido adequada à minha pilotagem. Preciso pilotar de uma maneira que não pilotei em toda a minha carreira. E eu sei exatamente o que preciso fazer", acrescentou.
"Mas ir para a pista e conseguir fazer isso, quando pilotei por 20 anos de uma determinada maneira, a qual funcionou, e agora de repente funciona só 50% do tempo... Tentar reconhecer: OK, meu jeito normal vai funcionar neste fim de semana? Ou preciso adaptar minha abordagem? Se eu precisar adaptar minha abordagem, como faço isso? E como faço isso sendo rápido?", desabafou.
“Quando rendi no meu melhor nível simplesmente estava rendendo de forma subconsciente, nem sequer pensava em pilotar. E agora você precisa pensar, tentando fazer com que essas novas técnicas se tornem técnicas subconscientes. Esse é o desafio. Todos aqui estão no auge do seu desempenho e isso remete a esta conversa com [Charles] Leclerc, também a alguns dos desafios que ele está enfrentando. Não faz muito sentido – um dia somos tão competitivos, e no dia seguinte não somos", concluiu.
FUTUROS de MAX, Russell e GABRIEL: Empresário de RUBINHO na F1 analisa! G.Rodrigues, PIPO e Da Costa
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