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F1: Pressão midiática acabou com 'dream team' da Copersucar, revela Emerson Fittipaldi

Única equipe brasileira da história da F1 tinha bons pilotos, dirigentes consagrados e até Adrian Newey como 'junior', mas projeto ruiu em ano promissor

Wilson Fittipaldi, Copersucar-Fittipaldi FD3

Foto de: David Phipps

Em 1980, Emerson Fittipaldi realizou grande ambição com a Copersucar de montar um 'dream team', tanto de pilotos quanto de equipe técnica na Fórmula 1. Não deu tempo, porém, de colher os frutos graças à pressão midiática e falta de patrocinadores, o que trouxe a ele e aos envolvidos no projeto uma das notícias mais chocantes de sua vida.

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Naquela época, ao anúncio do F8, que futuramente conquistaria dois pódios, estariam no cockpit ele, com toda a experiência de um bicampeão, e Keke Rosberg, que faturaria o Mundial dois anos depois, em 1982, pela Williams. Faltou para quem acompanhava de perto o entendimento de que o automobilismo é uma ciência de longo prazo.

Em entrevista ao podcast Beyond the Grid, Emerson Fittipaldi relembrou como se sentiu "realizado" em 1980 com a chegada de Peter Warr, que foi seu chefe de equipe na conquista de 1972, do finlandês e de nomes que, na época, ainda eram potenciais gênios - caso de Adrian Newey, que estagiou na Copersucar antes de se tornar um dos maiores engenheiros da F1.

"Para mim, era um dream team. Tínhamos o novo carro, que desenvolvemos como um ótimo carro, o Peter Warr e Keke Rosberg como companheiro de equipe, e Newey como um 'júnior' ainda", contou o bicampeão, antes de receber a notícia que o devastaria.

Equipe levou cinco anos para ter um 'dream team', que durou pouco tempo pelas notícias sobre a equipe na imprensa e preocupação de patrocinadores.

Equipe levou cinco anos para ter um 'dream team', que durou pouco tempo pelas notícias sobre a equipe na imprensa e preocupação de patrocinadores.

Foto de: David Phipps

"Em julho, o pessoal do marketing da Skol (que patrocinava a escuderia), ligou e disse que a imprensa brasileira, não a imprensa de corridas, mas a normal, que não entende do esporte, está destruindo o time", revelou. Essa má reputação midiática, segundo Emerson, contribuiu para a futura falta de patrocinadores.

"(Diziam que) eram cinco anos sem resultados que não justificavam continuar com o investimento", relembrou. "Tive essa notícia chocante em julho, quando anunciamos o F8. Na segunda, eu liguei para todo mundo e disse: 'Vou deixar o Keke sair, o Peter Warr, todo mundo'. Foi algo muito ruim, mas que faz parte do esporte".

Para Emerson, a temporada de 1980 e o F8 poderiam representar uma virada de chave para a Copersucar na F1.

Para Emerson, a temporada de 1980 e o F8 poderiam representar uma virada de chave para a Copersucar na F1.

Foto de: Simon Galloway / Motorsport Images

Emerson contou que tentou encontrar um patrocinador, mas a 'destruição' promovida pela imprensa naqueles anos tornou as vendas muito difíceis. Quem mais sofreu, segundo o bicampeão, foi seu irmão Wilson Fittipaldi, que se dedicou muito ao projeto e pilotou o carro na estreia da equipe, em 1975.

"Ele ficou doente por causa disso, porque sentia muito que era a vida dele. Naquele ponto, você tinha um bom time e não podia continuar", finalizou o ex-piloto, que fez suas últimas corridas na F1 a bordo do F8, o carro que poderia ter marcado o início de uma era vitoriosa para um time brasileiro.

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