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F1: Quais questões sobre o início da temporada 2026 ainda precisam de respostas?

Três primeiras etapas da temporada nos deram uma boa ideia da nova era, mas ainda há muita incerteza

Charles Leclerc, Ferrari

As novas regras da Fórmula 1 já foram testadas nas três primeiras etapas do ano (Austrália, China e Japão), mas algumas questões ainda não foram respondidas.

Leia também:

Regras da F1 para 2026 serão ajustadas, e quando?

As novas regras de 2026 têm recebido uma recepção mista até agora. Os pilotos tendem a gostar dos carros menores e mais ágeis, mas isso tem sido ofuscado pela maior ênfase na energia elétrica e pela consequente preponderância da gestão de energia.

Os pilotos estão abertamente insatisfeitos com a quantidade de táticas de economia e recuperação de energia que os novos carros exigem na classificação – lift-and-coast, reduzir a marcha nas retas, superclipping (carregar a bateria enquanto se acelera com pé embaixo). Uma consequência indesejada é que eles não aceleram mais nas curvas de alta velocidade.

As novas regras aumentaram consideravelmente a ação aos domingos, com 149 ultrapassagens oficialmente registradas nos três primeiros GPs – um número conservador, pois leva em conta apenas as mudanças de posição relacionadas a ultrapassagens na linha de chegada, excluindo a primeira volta. Isso é substancialmente mais do que as 63 ultrapassagens das provas de Melbourne, Xangai e Suzuka no ano passado.

No entanto, tem havido preocupações com as velocidades de aproximação entre carros que estão usando a potência elétrica e aqueles que a estão recuperando, preocupações essas que foram intensificadas pelo assustador acidente de Ollie Bearman em Suzuka. Além disso, Lando Norris relatou não conseguir controlar o gerenciamento de energia de seu próprio carro.

Uma primeira reunião ocorreu em 9 de abril sobre possíveis ajustes nas regras, tanto para o restante da temporada quanto para as próximas edições, com todas as partes interessadas programadas para se reunir novamente em 20 de abril, após uma reunião do grupo esportivo na quarta-feira (15) e uma reunião do grupo técnico na quinta-feira (16).

As possibilidades incluem reduzir a quantidade de energia elétrica que os pilotos podem utilizar e aumentar a quantidade de energia que podem recuperar durante superclipping.

Alguém vai desafiar a Mercedes pelo título?

George Russell, Mercedes

George Russell, Mercedes

Foto: Clive Mason / Getty Images

A nova era da F1 dificilmente poderia ter começado de maneira melhor para a Mercedes, que conquistou a dobradinha nas duas primeiras corridas, enquanto Kimi Antonelli venceu e George Russell terminou em quarto em Suzuka.

As 'Flechas de Prata' tiveram uma vantagem clara na classificação – 0s8 na Austrália, 0s35 na China e no Japão – e suas largadas ruins, especialmente em comparação com a Ferrari, acabaram sendo mais um pequeno obstáculo do que um verdadeiro empecilho.

A Scuderia acredita que pode diminuir a diferença graças ao mecanismo ADUO (Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização), segundo o qual as unidades de potência serão avaliadas após o sexto, o 12º e o 18º GPs da temporada.

A cada vez, os fabricantes que estiverem entre 2% e 4% abaixo da potência do melhor motor terão direito a uma atualização adicional, enquanto aqueles que estiverem mais de 4% abaixo receberão duas.

No entanto, tanto Charles Leclerc quanto o chefe de equipe Fred Vasseur deixaram claro que o SF-26 pode ser aprimorado em todas as áreas, não apenas no motor.

Enquanto isso, o desempenho da McLaren no GP do Japão foi animador, já que Oscar Piastri superou a dupla da Ferrari na classificação, assumiu a liderança na largada e terminou em segundo, mas a equipe de Woking está ciente de que continua sendo a terceira mais rápida por enquanto.

Quem sairá vitorioso na batalha do meio do pelotão?

Max Verstappen, Red Bull Racing, Pierre Gasly, Alpine

Max Verstappen, Red Bull Racing, Pierre Gasly, Alpine

Foto: Simon Galloway / LAT Images via Getty Images

Essa é uma pergunta um pouco complicada de responder, pois requer definir quem faz parte da batalha do meio do pelotão.

Há um mês, a Red Bull provavelmente não teria sido incluída, mas o fato é que a equipe ocupa a sexta posição no campeonato de construtores com 16 pontos, junto da Haas (18), Alpine (16) e a própria equipe irmã Racing Bulls (14).

O ritmo da equipe na classificação é o pior desde 2015 em relação à concorrência, e a situação não é melhor nas corridas.

“Temos uma boa unidade de potência. O motor é bom. O chassi é péssimo. Somos simplesmente lentos nas curvas”, afirmou Isack Hadjar com frieza. “O único ponto positivo no momento é que consigo pilotar o carro rápido. Mas não temos nenhuma pista de como podemos tornar o carro rápido".

O chefe de equipe Laurent Mekies acredita que a Red Bull está pagando o preço por sua busca pelo título de 2025, mas, independentemente da causa, não há solução à vista – e a 'fuga de cérebros' da equipe está se agravando.

Pode-se supor que a situação no campeonato seja circunstancial, mas Pierre Gasly, da Alpine, na verdade superou ambas as Red Bulls na classificação em Xangai e Suzuka, com Bearman também terminando à frente na China.

A Racing Bulls também tem sido uma concorrente consistente na disputa por pontos com Liam Lawson e Arvid Lindblad – o que, coincidentemente, mostra que o motor Red Bull-Ford não é o culpado pelo desempenho da Red Bull –, de modo que a disputa pela quarta posição é um tanto imprevisível.

A Red Bull não será ajudada pelas Restrições de Testes Aerodinâmicos (ATR), com menos simulações em túnel de vento e CFD (Dinâmica dos Fluidos Computacional, ou túnel de vento virtual) em relação aos seus rivais devido ao seu terceiro lugar na classificação do ano passado; tendo terminado em último lugar em 2025, a Alpine desfrutará do maior número de testes até o final de junho, quando o sistema será reiniciado de acordo com a classificação provisória de 2026.

A Aston Martin e a Honda resolverão seus problemas?

Fernando Alonso, Aston Martin Racing

Fernando Alonso, Aston Martin Racing

Foto: Paul Crock / AFP via Getty Images

A era Honda da poderosa equipe Aston Martin teve o pior começo possível.

O bilionário proprietário Lawrence Stroll esperava que virar, na prática, um time de fábrica, desse à sua equipe a melhor chance de sucesso e de finalmente se tornar uma equipe de ponta, em meio a um investimento gigantesco em seu campus de Silverstone e contratações de alto nível. No entanto, o AMR26 projetado por Adrian Newey carece tanto de desempenho quanto de confiabilidade.

Na classificação, a Aston disputa com a novata Cadillac a penúltima fila do grid; nas corridas, a nova unidade de potência da Honda gerou vibrações devastadoras que danificaram bateria após bateria e suscitaram preocupações sobre a saúde dos pilotos, embora a situação tenha melhorado um pouco na última etapa em Suzuka, onde Fernando Alonso terminou a corrida – na 18ª posição.

A esta altura, é altamente provável que a temporada 2026 seja um fracasso para a Aston e a Honda, que estarão ansiosas para se concentrar no próximo ano o mais cedo possível, a fim de se recuperarem.

Verstappen vai deixar a F1 por não gostar das novas regras?

Max Verstappen, Red Bull Racing

Max Verstappen, Red Bull Racing

Foto: Mark Thompson / Getty Images

 Há uma chance nada desprezível de que Max Verstappen deixe a F1 em um futuro próximo – e a queda da Red Bull mencionada anteriormente não é o principal motivo.

O tetracampeão mundial tem sido um dos críticos mais veementes das novas regras da F1, particularmente da gestão de energia, e deixou claro que não está se divertindo no momento – o que é particularmente frustrante para ele, já que alertou sobre as falhas das novas regras já em 2023.

Os ajustes que serão feitos nas próximas reuniões terão um papel fundamental na definição do futuro de Verstappen dentro ou fora do campeonato mundial, já que o holandês busca diversão nas corridas de GT e deixou claro que tem decisões “vitais” a tomar.

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