F1 - Red Bull explica pedido de revisão do ADUO: “Nenhuma amostra de dados indica vantagem sobre Mercedes”
Laurent Mekies também esclareceu que a equipe austríaca não se opõe à forma como o sistema está estruturado, mas contesta a fonte dos dados da FIA sobre motores
O primeiro período de Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização (ADUO) da Fórmula 1, que abrange as corridas até o GP do Canadá, continua a dominar as discussões no paddock. A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) informou todos os fabricantes sobre os resultados em Mônaco, mas ainda não houve um anúncio público, especialmente após a contestação da Red Bull.
Isso porque uma fabricante — no caso, a Red Bull-Ford Powertrains — ficou extremamente insatisfeita com o resultado inicial e solicitou à FIA uma análise adicional. O procedimento consiste principalmente em revisar os dados coletados para garantir que todos os sensores e medições utilizados na avaliação estejam corretos.
A questão parece ser mais profunda, especialmente em relação à forma como o sistema ADUO foi concebido. As medições levam em conta apenas o motor de combustão interna (ICE), enquanto as concessões de desenvolvimento disponíveis para os fabricantes que se qualificam ao ADUO vão muito além desse componente. Esses benefícios também podem ser aplicados a elementos como a bateria e o MGU-K.
Essa, no entanto, não é a principal preocupação do time de Milton Keynes, como esclareceu o chefe de equipe da Red Bull, Laurent Mekies, quando questionado pelo Motorsport.com.
"Estamos totalmente de acordo que as regras determinam que a hierarquia de potência dos motores de combustão interna deve ser estimada dessa forma. Não vemos nenhum problema nisso", disse após o GP da Espanha. "Todos concordamos com esse princípio."
Quando afirma que todos concordaram com isso, Mekies faz referência às discussões realizadas em 2025. Na época, o diretor de monopostos da FIA, Nikolas Tombazis, explicou que estava aberto a adotar critérios mais complexos para as medições. No entanto, equipes e fabricantes optaram por manter o sistema o mais simples possível, baseando a avaliação exclusivamente na potência do motor de combustão interna (ICE).
Resultados na pista “perfeitamente” alinhados com a sensibilidade à potência do motor de combustão interna
A Red Bull quer, principalmente, entender melhor os dados utilizados pela FIA para estabelecer a hierarquia dos motores, com Red Bull no topo, Mercedes tendo uma oportunidade de atualização, e Ferrari, Audi e Honda, recebendo duas.
“Certamente gostaríamos de ter uma conversa mais aprofundada, pois não vemos uma única amostra de dados que indique que teríamos uma vantagem sobre nossos amigos da Mercedes”, acrescentou Mekies.
Laurent Mekies gostaria de ter uma “conversa mais aprofundada” sobre o ADUO
Foto: Erik Junius
Se os resultados da FIA permanecerem inalterados, a Red Bull poderá se ver em uma posição difícil. A Mercedes poderia, teoricamente, optar por não usar seu token até depois das próximas avaliações do ADUO, ou usá-lo na parte elétrica da unidade de potência, o que poderia manter a Red Bull no topo do ranking e, na prática, deixá-la em xeque-mate.
Mekies está ciente dessa possibilidade, e é por isso que quer ter certeza de que os números da FIA estão corretos antes que uma decisão final, com consequências a longo prazo, seja tomada.
“Certamente, seria preciso ter extrema certeza na forma como se avalia a hierarquia dos motores a combustão interna (ICE), a fim de ter a confiança necessária para atribuí-la à equipe dominante e não à equipe que está perseguindo a equipe dominante”, continuou Mekies quando questionado pelo Motorsport.com.
“Especialmente quando se observam variações relativas de desempenho de um traçado para outro que são perfeitamente consistentes com a sensibilidade à potência dos motores a combustão interna".
A Red Bull enfatiza que sua própria avaliação parece corresponder aos resultados em pista.
“Você vai para o Canadá, com alta sensibilidade à potência do motor a combustão interna (ICE), e nos classificamos em sexto. Você vai para Mônaco, com baixa sensibilidade à potência do ICE, e nos classificamos a apenas 0s04 da pole. Você vai para Barcelona, novamente com alta sensibilidade à potência do ICE, e nos classificamos em sexto mais uma vez".
“Não vemos uma única amostra de dados em que nos avaliemos melhor do que a concorrência, muito menos estejamos consistentemente acima dela".
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