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F1 - Russell x Antonelli, Piastri x Norris: por que motores causam grandes diferenças de performance entre duplas?

Para o chefe da McLaren, isso é algo que foge do controle dos pilotos, e qualquer problema em pista pode afetar a performance de todo o fim de semana

Oscar Piastri, McLaren

Segundo o chefe da McLaren, Andrea Stella, a diferença de performance vista entre Oscar Piastri e Lando Norris não tem relação com a forma de pilotagem da dupla, mas sim com os algoritmos das unidades de potência atuais da Fórmula 1.

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Piastri se classificou dois décimos atrás de Norris em Spa, com praticamente todo esse deficit ocorrendo na reta entre a Stavelot e a chicane Bus Stop, durante a fase de redução de potência em que os carros estão ficando sem energia elétrica e já começam a desacelerar.

A explicação usual é que Piastri não conseguiu otimizar a forma como a bateria da Mercedes recuperava energia no setor anterior, com trechos como Pouhon e Fagnes sendo usados como “estações de recarga” na versão atual do regulamento. Mas, de acordo com o chefe da equipe, não havia necessariamente algo que o próprio australiano pudesse ou devesse ter feito de maneira diferente.

“Quando você chega a um circuito como este, que é muito sensível à potência, essas sensibilidades aos comandos de direção — quanto você acelera antes de uma determinada curva — ficam ainda mais evidentes”, explicou.

“E, comparando os companheiros, se eu comparar Lando e Oscar em suas melhores voltas no Q3, Oscar está perdendo tempo na reta final e em Blanchimont por motivos que não têm nada a ver com a pilotagem dele. Trata-se apenas de um pequeno desvio na forma como a unidade de potência foi operada".

Oscar Piastri, McLaren

Oscar Piastri, McLaren

Foto: Marc Fleury

Stella suspeita que algo semelhante esteja acontecendo na própria Mercedes, que não consegue explicar a diferença de performance nas retas entre um George Russell perplexo e seu companheiro Kimi Antonelli, que está em sua melhor fase.

“Acho que isso parece ser praticamente o mesmo nos dois carros da Mercedes. Quando você compara Antonelli e Russell, a situação se assemelha à de Lando e Oscar”, disse Stella.

“Trabalhamos muito em simulações offline. E agora, como equipe cliente, estamos na décima corrida e finalmente estamos obtendo as ferramentas para realmente simular antes do evento".

“Eu diria que a maior parte da conversa neste fim de semana tem sido sobre a otimização da unidade de potência . Mas não é como se isso [variasse] apenas entre equipe de fábrica e cliente. Porque, como eu disse antes, parece que há desvios até na mesma equipe, entre um piloto e outro.”

Stella acrescentou: “Acho que [Piastri] poderia ter sido um ou dois décimos mais rápido, se a unidade de potência tivesse se comportado como esperávamos".

Se tentar entender a distribuição de energia incrivelmente complexa de 2026 tem dado dor de cabeça, talvez haja algum consolo no fato de que isso tem confundido até mesmo engenheiros altamente treinados, com décadas de experiência no mais alto nível do esporte.

A principal razão é que esses motores elétricos não estão se comportando de maneira estável e previsível, pois todos estão aprendendo na prática. Eles constroem um banco de informações com base em dados coletados em corridas anteriores, para otimizar a distribuição de energia e prever as necessidades futuras de energia de curva a curva.

É por isso que qualquer pequeno desvio pode ser tão prejudicial. Piastri perdeu muito tempo de pista na sexta devido a um vazamento hidráulico, o que provavelmente o colocou, assim como o software de sua unidade de potência, em desvantagem.

Em sua primeira volta no Q3, ele saiu da pista e foi parar na brita. Isso não só arruinou seu tempo, mas também pode ter afetado o comportamento de sua unidade de potência para a segunda tentativa, prejudicando o australiano em diferentes momentos por causa de um pequeno erro.

Oscar Piastri, McLaren

Oscar Piastri, McLaren

Foto: Steven Tee / LAT Images via Getty Images

“Você não opera essas unidades de potência em um sistema de malha aberta, no qual eu poderia fazer uma simulação offline e dizer: ‘Ah, é assim que a potência elétrica será distribuída’, e ela seria sempre idêntica a si mesma”, tentou explicar Stella.

“Há uma grande parte que envolve cálculos em tempo real, e a unidade de potência, de certa forma, antecipa e calcula o que precisa fazer com base em alguns [parâmetros]. É por isso que não é tão fácil entender que tipo de cálculos foram feitos enquanto o carro estava em movimento".

Isso é especialmente difícil de entender para os pilotos, o que é uma das razões pelas quais eles têm se manifestado tanto sobre as regras de 2026.

Em vez de acelerarem a todo vapor e fazerem a diferença com sua dedicação nas curvas mais desafiadoras de Spa, a maior parte de sua atenção se concentra em otimizar as técnicas de frenagem e recuperação de energia para recarregar a bateria da forma mais eficiente possível.

Como Russell explicou após o quali: “Meu foco total nas últimas 36 horas tem sido a velocidade nas retas. Não tem sido no ajuste, nos pneus nem em nada disso, porque estamos todos tentando entender o que está acontecendo".

Como Stella explicou: “Isso não se deve apenas à influência que [o motor] exerce nas retas, mas também porque afeta os pontos de frenagem; se você tiver uma quantidade adicional de recuperação de [energia] antes de frear, então estará se aproximando da zona de frenagem 10 km/h mais devagar e seu ponto de frenagem muda".

“Isso é bastante difícil de dominar para os pilotos. Não se trata apenas de tirar o máximo proveito da unidade de potência, mas também porque as variações da unidade de potência afetam suas referências ao se aproximar de uma curva".

George Russell, Mercedes

George Russell, Mercedes

Foto: Sam Bagnall / Sutton Images via Getty Images

“[O software da unidade de potência] definitivamente aprende, mas as variações são tão pequenas que podem ocorrer de uma volta para a outra, mesmo que você tenha aprendido com as voltas anteriores".

Os pilotos estão sentindo que não estão mais apenas lutando contra seus rivais, os limites de aderência de seus carros e as leis da física, mas também contra os algoritmos de aprendizado de suas próprias unidades de potência.

A relativa falta de zonas de frenagem no circuito de alta velocidade de Spa — que seriam oportunidades naturais para recuperar energia — trouxe à tona a versão mais extrema das regras de 2026 e fez com que alguns pilotos ficassem ansiosos pela corrida da próxima semana no Hungaroring, com suas muitas paradas e arrancadas, em vez de um dos circuitos tradicionais favoritos dos pilotos.

FUTUROS de MAX, Russell e GABRIEL: Empresário de RUBINHO na F1 analisa! G.Rodrigues, PIPO e Da Costa

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