F1 - Stroll critica motor Honda da Aston Martin: "Estamos perdendo dois segundos" por volta
Canadense afirma que equipe britânica tem uma boa direção para o carro de 2027, mas vê motor como grande incógnita
Lance Stroll criticou publicamente o motor Honda usado pela Aston Martin desde o início da temporada 2026 da Fórmula 1, com o canadense afirmando que a unidade japonesa torna o carro "dois segundos mais lento" por volta.
A declaração de Stroll, incomum para os padrões do canadense, vem apenas dias após a Aston confirmar a manutenção dele e de Fernando Alonso como dupla para a temporada 2027.
Alonso sempre foi mais vocal sobre os problemas da Aston Martin em 2026, e do regulamento técnico desde ano como um todo. O AMR26 se mostra pouco competitivo, sempre andando no fundo do grid, mesmo introduzindo basicamente um novo carro na Hungria.
Com Adrian Newey supervisionando o carro, esperava-se grandes resultados, mas isso não aconteceu. A unidade de potência da Honda tem sido a principal culpada pelo baixo desempenho, embora a equipe tenha se esforçado para apresentar uma frente unida.
O próprio Newey tem evitado os microfones desde sua bizarra coletiva de imprensa no fim de semana de abertura da temporada, no GP da Austrália, onde, na prática, tentou jogara culpa na Honda por todos os problemas da equipe. Na Malásia, Stroll fez alusão aos planos para o próximo ano e expressou mais dúvidas sobre o ritmo de desenvolvimento.
“Acho que o carro vai melhorar bastante”, disse ele. “Temos um plano, uma boa direção. Sabemos o que precisamos fazer para aumentar o downforce do carro e tudo mais. Acho que a grande incógnita é o motor. Não sabemos como estaremos no início de 2027, então vamos ver".
“Estamos perdendo dois segundos [por volta] com o motor, então é difícil. Em pistas como Baku e Monza, quando você está perdendo dois segundos por isso, não há muito o que fazer. Quanto ao carro, sabemos que começamos tarde em comparação com os outros, no desenvolvimento para os novos regulamentos".
“Demos um grande passo em Budapeste. Acho que temos uma direção clara sobre o que precisamos fazer no desenvolvimento do carro, mas estamos perdendo entre um e dois segundos, dependendo das pistas, a cada fim de semana no motor. Não há muito que possamos fazer a respeito. Portanto, no momento, esse é realmente nosso ponto fraco".
Apesar das grandes expectativas, a Aston Martin ainda está competindo contra os Cadillacs na parte de trás do grid
Foto: Sam Bagnall / Sutton Images via Getty Images
A Honda revelou nesta semana que já aproveitou a segunda janela de Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização (ADUO). Como seu motor de combustão interna foi avaliado como estando mais de 4% abaixo do padrão de referência atual — o da Red Bull-Ford —, a Honda recebeu mais margem de manobra e recursos para fazer atualizações.
Embora inicialmente planejasse introduzir apenas uma atualização nesta temporada e concentrar sua atenção em uma unidade de potência amplamente revisada para o próximo ano, a Honda mudou de rumo e agora introduziu uma segunda atualização na forma de um turbocompressor aprimorado.
Entende-se que o atraso do turbo (turbo lag) havia sido um fator que contribuía para os problemas de dirigibilidade que ambos os pilotos vinham enfrentando.
Mas a captação e o uso de toda a energia elétrica permitida também continuam sendo um problema. Esses fatores são determinantes não apenas para a velocidade máxima em reta, mas também para o tempo durante o qual a unidade de potência é capaz de manter o impulso elétrico antes de entrar na fase obrigatória de redução gradual.
É claro que, como a Honda fornece apenas para a Aston Martin e não tem outras equipes com as quais comparar o desempenho usando a mesma unidade de potência, também pode ser que o AMR26 apresente maior resistência aerodinâmica. Quando a McLaren encerrou sua parceria com a Honda em 2017 e mudou para um fornecedor alternativo de motores, logo descobriu que seu carro era parte do problema.
“As pistas com retas longas são piores para nós”, disse Stroll. “Sabe, Budapeste foi provavelmente nossa melhor corrida do ano, com muitas curvas e poucas retas. Então, sim, precisamos trabalhar na dirigibilidade. Essa é uma grande limitação para nós, além da falta de potência nas retas".
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