F1: Wolff relembra 'demissão' de Hamilton e Rosberg após batida em 2016
Chefe da Mercedes detalhou como lidou com rivalidade dentro do time há uma década
Foto de: circuitpics.de
Dominante absoluta da temporada de 2026 da Fórmula 1 até aqui, a Mercedes já teve Kimi Antonelli e George Russell na posição mais alta do pódio este ano. Caso esse cenário continue, a tendência é que a competição interna fique cada vez mais acirrada, e essa não será a primeira vez em que dois pilotos do time alemão serão os principais rivais um do outro.
Há uma década, Lewis Hamilton e Nico Rosberg travaram uma das batalhas mais intensas da era moderna da categoria. Competidores desde o kart, o britânico e o alemão tornaram-se companheiros de equipe em 2013 e, em 2016, a rivalidade chegou ao auge. Quase 'inimigos' na briga pelo título, os dois provocaram algumas colisões evitáveis durante aquele ano.
Em nova entrevista ao The Athletic, do jornal The New York Times, o chefe de equipe Toto Wolff deu mais alguns detalhes sobre a forma como lida com rivalidades internas, revelando ainda ter cogitado demitir tanto Hamilton quanto Rosberg há 10 anos.
"Você representa a marca Mercedes e simplesmente precisa aceitar que não é tudo sobre você. É fato que eles são competidores. Nós aceitamos a competição. Aceitamos que eles corram um contra o outro, desde que respeitem certos limites. E isso é muito simples: não batam um no outro", começou.
Lewis Hamilton, Mercedes AMG F1 W07 Hybrid and Nico Rosberg, Mercedes AMG F1 W07 Hybrid collide on the opening lap
Foto de: Zak Mauger / Motorsport Images
"Eu nunca tive medo de deixar isso bem claro. Em 2016, Rosberg e Hamilton bateram, e depois bateram de novo. Então eu os demiti. Liguei para o diretor executivo, Dieter Zetsche (da Mercedes-Benz), e disse: “Escute, você precisa assinar isso". Ele me ligou de volta e falou: “Você está tornando os dois pilotos dispensáveis?” e respondi: “Sim, porque caso contrário eles não vão entender o quão importante é o interesse da marca e da equipe acima dos próprios interesses", falou.
Wolff então explicou que "a rivalidade pessoal deles tomou conta" e, o que a princípio era uma competição saudável, tornou-se animosidade, prejudicando a equipe como um todo.
"Nós enviamos um e-mail e dissemos: “No momento, vocês não fazem parte da equipe". Na quarta-feira, nós os chamamos e eu disse: “Meu problema é que não sei de quem foi a culpa". Porque isso é complexo. Como tudo na vida, nunca é 100% culpa de um lado. Então disse a eles que, se acontecer de novo, um dos dois terá que sair, e eu posso cometer um erro. Posso mandar o errado embora", acrescentou.
O chefe de equipe finalizou ressaltando a importância de que pilotos entendam o peso das próprias atitudes e decisões dentro do time. "Pessoas que precisam pagar suas hipotecas e trabalham nas fábricas da Mercedes, o que eles pensam? Que vocês dois batem um no outro porque não se gostam? Isso afeta diretamente a vida de duas mil e quinhentas pessoas. Quem vocês pensam que são?", concluiu.
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