FIA explica por que a F1 não pretende proibir algoritmos nas unidades de potência
Diretor de monopostos da entidade admite que sistema é complexo, mas afirma que bani-lo poderia agravar um dos principais problemas da temporada de 2026
Os algoritmos de autoaprendizagem das unidades de potência estão entre os temas mais polêmicos da temporada 2026 da Fórmula 1. Depois das críticas de Oscar Piastri, que classificou como "péssimo" o fato de um piloto poder ser prejudicado pelo próprio gerenciamento eletrônico do motor, a FIA explicou por que não pretende proibir esse tipo de tecnologia.
Segundo o diretor de monopostos da entidade, Nikolas Tombazis, eliminar esses algoritmos não devolveria o controle total aos pilotos e poderia, na verdade, piorar o chamado clipping — situação em que a energia elétrica se esgota antes do fim das retas, reduzindo drasticamente o desempenho dos carros.
Embora a F1 sustente que os fãs estão satisfeitos com as corridas de 2026, diversos pilotos têm criticado os novos regulamentos técnicos. Um dos principais debates surgiu após a classificação para o GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps.
Na ocasião, Piastri perdeu muito desempenho nas retas em relação ao companheiro de equipe, Lando Norris, sem que a McLaren encontrasse uma explicação imediata. Posteriormente, o chefe da equipe, Andrea Stella, revelou que ambos utilizavam praticamente as mesmas configurações de unidade de potência e atribuiu a diferença aos chamados "elementos de autoaprendizagem" do sistema.
Na prática, não se trata de inteligência artificial como ela é normalmente conhecida. O sistema utiliza algoritmos capazes de aprender continuamente durante a volta, adaptando a distribuição de energia sempre que detectam desvios em relação à estratégia considerada ideal.
O problema, segundo os pilotos, é que nem tudo está sob seu controle. Stella explicou que o sistema responde aos comandos do piloto, mas também sofre influência de fatores externos, como mudanças na direção do vento e nos níveis de aderência da pista.
Foi justamente esse cenário que levou Piastri a fazer duras críticas após a sessão classificatória.
"É péssimo. Não consigo dizer de outra forma. Quando as posições de largada são decididas por computadores que funcionam ou não, é uma maneira muito ruim de se fazer corrida."
Em conversa com um grupo seleto de jornalistas, entre eles o Motorsport.com, Tombazis afirmou compreender a insatisfação dos pilotos.
"É verdade, e os comentários deles são compreensíveis. Acho que isso é consequência do fato de a energia ser limitada e, por isso, a melhor forma de gerenciá-la se torna crucial. As diferentes estratégias de gerenciamento existem justamente por causa dessa limitação."
Por que a FIA é contra a proibição?
A discussão levantou uma questão natural: se esses algoritmos geram tanta controvérsia, por que simplesmente não proibi-los e devolver todo o gerenciamento de energia aos pilotos por meio de comandos no volante?
Afinal, o regulamento esportivo estabelece que "o piloto deve conduzir o carro sozinho e sem auxílio".
Para Tombazis, porém, essa solução seria simplista.
"Não acho que possamos chegar a esse extremo. Se o piloto pudesse utilizar toda a potência elétrica quando quisesse, ele consumiria toda a energia logo na saída das curvas. Os efeitos dos quais as pessoas reclamam seriam ainda mais evidentes."
Segundo ele, isso faria com que os carros atingissem a velocidade máxima ainda mais cedo nas retas e sofressem um *clipping* ainda maior, justamente o problema que equipes e pilotos tentam minimizar.
O dirigente também lembrou que existem limites para a quantidade de energia que pode ser utilizada e recuperada durante uma volta — o chamado delta do estado de carga (SOC).
"Essas limitações existem para evitar uma corrida armamentista entre as equipes. Não queríamos que fosse necessário desenvolver baterias muito maiores, o que deixaria os carros ainda mais pesados."
Diante da enorme complexidade das atuais unidades de potência, Tombazis acredita que seria praticamente impossível para um piloto gerenciar manualmente todas essas variáveis durante uma volta.
"Não acredito que um ser humano consiga controlar racionalmente todos esses parâmetros."
A situação pode melhorar?
Mesmo com a decisão da FIA de manter os algoritmos, mudanças já aprovadas para os próximos anos podem reduzir esse problema.
Piastri afirmou acreditar que nem mesmo o reequilíbrio da divisão de potência — que caminhará gradualmente para 60% de combustão e 40% elétrica até 2028 — eliminará a questão, já que ela faz parte da própria filosofia dos motores atuais.
Tombazis, por outro lado, vê a alteração com mais otimismo.
"Quando há um componente elétrico muito grande e você não pode contar com a bateria totalmente carregada durante toda a volta, o gerenciamento de energia se torna fundamental. Acho que o Oscar é um piloto muito inteligente, mas acredito que ele esteja destacando aquilo que mais o incomoda neste momento."
"Acredito que, quando chegarmos ao reequilíbrio, será um passo na direção certa. Vai eliminar completamente o problema? Não. Mas certamente será uma melhora."
O dirigente encerrou reconhecendo que o regulamento atual tornou a Fórmula 1 mais complexa do que a FIA gostaria.
"É complicado, sem dúvida. É mais complicado do que gostaríamos e concordo plenamente com as reclamações dos pilotos. Mas isso é consequência das características fundamentais destes regulamentos."
Bortoleto LÍDER da nova geração, ARMADILHA para Rafa Câmara, futuros de MAX e da F1: LITO CAVALCANTI
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