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Honda admite que reestruturação de seu projeto de F1 está por trás de crise com a Aston Martin

Fabricante japonesa afirma que mudanças na equipe explicam diferença em relação ao sucesso da era Red Bull

Adrian Newey, Aston Martin Racing

Durante o fim de semana de abertura da temporada de 2026 da Fórmula 1, grande parte da atenção da mídia se concentrou no número de baterias que a Honda tinha à sua disposição em Melbourne.

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Porém, naquela sexta-feira, Adrian Newey fez um comentário aparentemente não relacionado ao assunto, mas ainda mais interessante. O projetista revelou que a Aston Martin não sabia, até novembro de 2025, que o projeto de F1 da Honda estava em uma situação completamente diferente em comparação com os anos de glória com a Red Bull.

“Não, nós não sabíamos disso”, respondeu Newey na Austrália. “Só ficamos realmente cientes em novembro do ano passado, quando Lawrence, Andy Cowell e eu fomos a Tóquio para discutir rumores que começavam a sugerir que a potência-alvo original não seria alcançada para a primeira corrida".

“E daí surgiu o fato de que grande parte da equipe original não havia retornado quando eles voltaram com as atividades, então a resposta é não", acrescentou. 

Considerando que o acordo foi anunciado formalmente já em maio de 2023, a situação era surpreendente. As palavras de Newey sugerem que a Aston Martin não sabia exatamente no que estava se metendo na época, embora os membros da equipe enfatizem que a situação é mais complexa do que isso e que várias mudanças na liderança da Aston Martin tenham influenciado os acontecimentos.

O que está por trás do “mal-entendido” mencionado pela Honda?

Além disso, quando questionado sobre o assunto pelo Motorsport.com em Suzuka, o presidente da Honda Racing Corporation, Koji Watanabe, explicou que a situação se resumia, em parte, ao que ele descreveu como “um mal-entendido”.

“Basicamente, acho que é um mal-entendido”, disse ele. “Nossa política é rodar regularmente os engenheiros dos projetos de automobilismo para a produção em massa ou tecnologias mais avançadas, como jatos, eVTOL, hidrologia ou algo do tipo. Então, essa é [parte da explicação]: continuamos a fazer essa rotação desde o início". 

“Além disso, como eu disse, reconstruir a organização levou um pouco de tempo. Acho que essa era a preocupação dele, mas agora temos organização e talentos suficientes", continuou.

Koji Watanabe, President, CEO and Representative Director of Honda Racing Corporation

Koji Watanabe, presidente, CEO e diretor representante da Honda Racing Corporation

Foto de: Sam Bagnall / Sutton Images via Getty Images

As palavras de Watanabe requerem alguma explicação. Parte do mal-entendido é que as expectativas do mundo exterior eram muito altas, as quais ainda se baseavam no sucesso com a Red Bull e Max Verstappen, mas a realidade na Honda havia mudado significativamente desde então.

“Interrompemos as atividades na Fórmula 1 no final de 2021 e anunciamos o retorno em 2023, então houve um período em que nossas atividades na categoria foram bastante limitadas”, admitiu Watanabe. “Também levou algum tempo para reconstruirmos a organização e reiniciarmos o desenvolvimento para a Fórmula 1”. 

Nesse intervalo, muitos funcionários foram transferidos para outras divisões dentro da empresa. Isso dizia respeito principalmente à produção em massa de carros de rua, mas também a motocicletas, motos de corrida, foguetes reutilizáveis e até painéis solares – algo a que Newey se referiu de brincadeira em Melbourne.

Por várias razões, incluindo motivos pessoais, muitos membros da equipe original de F1 não retornaram ao projeto posteriormente.

Isso significa que a equipe agora tem uma composição significativamente diferente e carece da experiência em F1 dos anos da Red Bull. Uma segunda consequência é que a reconstrução do projeto levou mais tempo do que a Honda inicialmente previa.

A Aston Martin, logicamente, não poderia saber disso quando assinou o acordo em 2023, e exatamente isso faz parte do “mal-entendido” ao qual Watanabe se referiu em Suzuka.

Fernando Alonso, Aston Martin Racing

Fernando Alonso, Aston Martin Racing

Foto: Simon Galloway / LAT Images via Getty Images

No entanto, o presidente da HRC enfatizou que a colaboração entre a Aston Martin e a Honda está totalmente em funcionamento após uma fase de desenvolvimento desafiadora.

“A relação entre a Aston Martin Aramco e a Honda é bastante boa”, continuou ele. “Portanto, entre a equipe de desenvolvimento propriamente dita, como no caso da Honda, [Tetsushi] Kakuda é o líder do projeto da unidade de potência, e também Enrico-san [Cardile] pelo lado da Aston Martin, eles trabalham em estreita colaboração. Além disso, eu, o Sr. Stroll e Adrian Newey temos um relacionamento bastante bom, então não tenho nenhuma preocupação quanto a isso". 

Dito isso, ainda há muito trabalho a ser feito, tanto em termos de confiabilidade quanto para liberar o desempenho puro para 2026 e 2027. Além do aspecto humano, a situação atual também foi afetada pelo fato de que nem todos os problemas da Honda ficaram visíveis nas simulações de pré-temporada.

“O ponto mais difícil é que começamos o desenvolvimento um pouco mais tarde em comparação com os outros”, explicou Watanabe. “Além disso, nos testes no dinamômetro, a vibração está em um nível aceitável, mas, assim que a integramos no chassi real, essa vibração fica muito maior do que nos testes no dinamômetro. Portanto, é claro que apenas a unidade de potência não pode resolver o problema. Estamos trabalhando em estreita colaboração com a Aston Martin para resolver o problema, não apenas na unidade de potência, mas também em conjunto com o chassi".

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