F1: A vaga na Red Bull sobre a qual ninguém fala - e por que isso é bom
Após grande fim de semana em Spa, 'piloto B' da equipe principal taurina se consolida, enquanto júnior da academia 'pede passagem', ameaçando Liam Lawson
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Vamos voltar no tempo pouco mais de um ano, para março de 2025, para ser preciso. O cenário é o Shanghai International Circuit, onde acontece o segundo fim de semana de corrida da temporada daquele ano da Fórmula 1. Nele, o Motorsport.com ouve algo que inicialmente parece impossível de acreditar: a Red Bull está considerando uma troca de pilotos entre Liam Lawson e Yuki Tsunoda.
A primeira reação é de incredulidade. Como é possível substituir um piloto depois de apenas dois fins de semana de corrida? É verdade que as primeiras semanas de Lawson com a equipe principal da Red Bull tinham sido difíceis e, na China, ele até estabeleceu um recorde indesejado ao se tornar o primeiro piloto da Red Bull a se classificar na última fila do grid duas vezes no mesmo fim de semana, na sprint e na prova principal.
Mesmo assim, fazer uma mudança de piloto tão cedo na temporada parece quase impensável. Mas, após verificar com várias fontes no paddock, isso se revelou verdadeiro. Pouco depois do GP da China, a história é publicada: a Red Bull avança com uma troca de pilotos para colocar Tsunoda no RB21 já em Suzuka, palco do GP do Japão, corrida de casa do piloto e da então parceria de motores do time taurino, a Honda.
Infelizmente, apesar de todo o entusiasmo, o japonês também não consegue deixar uma impressão duradoura na Red Bull. E, assim que Isack Hadjar conquista seu primeiro pódio na F1 em Zandvoort com a Racing Bulls, o francês não pode mais ser ignorado: o quadro fica cristalino, também para o consultor de automobilismo da Red Bull na categoria, Helmut Marko. Dito e feito, Hadjar assumiu a vaga em 2026, 'às custas' de Tsunoda.
Embora a troca após a China tenha sido extrema até mesmo para os padrões da Red Bull, ela foi simbólica do que vinha acontecendo com o segundo assento da equipe havia anos. Antes de Lawson e Tsunoda, Pierre Gasly, Alexander Albon e, por fim, Sergio Pérez haviam sido vítimas disso. Em outras palavras, o assento ao lado de Max Verstappen havia se tornado uma verdadeira dor de cabeça para a equipe.
Lawson and Tsunoda were the two latest failures in the Red Bull second seat across 2025
Photo by: Peter Fox / Getty Images
Agora, Hadjar conseguiu quebrar isso. Ano passado, em Monza, ele disse: "2026 é uma questão diferente, porque é um recomeço total para a equipe. Não haverá essa conversa sobre a coisa do segundo carro. Isso não será mais uma questão, porque é um carro totalmente novo para todos". Questionado pelo Motorsport.com sobre se isso tornaria a promoção à Red Bull mais fácil, ele respondeu com confiança: "Muito mais fácil."
Suas palavras não se revelaram uma bravata vazia, mas realidade. Em média, Hadjar é apenas alguns décimos mais lento que Verstappen na classificação, e ele também entregou algo que a Red Bull vinha procurando desesperadamente: corresponder sempre que Verstappen está ausente lá na frente.
Todos no paddock estão falando de um assento da Red Bull, mas não da posição que esteve sob a maior pressão nos últimos anos
Começou imediatamente na Austrália, onde Verstappen caiu no Q1, mas Hadjar salvou o dia para a equipe ao conquistar um impressionante terceiro lugar no grid. Algo semelhante aconteceu em Mônaco, onde Verstappen abandonou cedo, mas Hadjar acabou subindo ao pódio. Embora depois tenha tido de entregar o troféu a Gasly, da Alpine, isso não diminui o desempenho do próprio Hadjar.
Ele cometeu um erro em Miami – talvez o único até agora – mas, tirando isso e seu abandono relacionado ao motor em Melbourne, Hadjar terminou todas as corridas entre os oito primeiros. É exatamente isso que a Red Bull quer ver de seu segundo piloto: terminar consistentemente entre os oito primeiros, entre as quatro equipes líderes, além de corresponder sempre que Verstappen não está lutando na frente.
A melhor performance de Hadjar com as cores da Red Bull até agora veio em Spa-Francorchamps, no último fim de semana. Após uma troca de motor e a consequente penalidade no grid, ele teve de largar da 21ª posição, mas fez uma excelente corrida para terminar em sexto.
Com pneus mais velhos, ele ainda conseguiu segurar a McLaren do atual campeão mundial Lando Norris, recebendo grandes elogios do chefe de equipe Laurent Mekies: "Acho que é a melhor corrida dele conosco, sem dúvida. E não é apenas um pico. Ele tem melhorado um pouquinho a cada corrida em termos de velocidade. Então ele traz velocidade toda vez que pilota. Hoje é mais um passo".
Mekies called the Belgian GP Hadjar's best Red Bull race so far as he went from 21st to sixth
Photo by: Pauline Ballet / Formula 1 via Getty Images
"Na verdade, este fim de semana é mais um passo, porque ele foi muito, muito rápido desde o TL1. E sim, nós o colocamos em uma estratégia um pouco incomum, que no fim, com o timing do safety car virtual, também lhe ofereceu a possibilidade de bater Lando. Então foi bom. Ele foi muito, muito forte. Seu ritmo era de top 3. Então estamos muito, muito felizes com seu progresso", arrematou Mekies.
Isso significa que todos no paddock estão falando de um assento da Red Bull, mas não da posição que esteve sob a maior pressão nos últimos anos. E o fato de ninguém estar questionando o lugar de Hadjar é o maior elogio que ele poderia receber neste momento.
Por outro lado, Lawson agora volta a enfrentar uma pressão, dessa vez até injusta: o neozelandês faz boa temporada com a Racing Bulls, mas a academia taurina vê com interesse o surgimento do búlgaro Nikola Tsolov, que lidera a F2 e 'pede passagem'. Do outro lado da garagem, Arvid Lindblad faz um ano de estreia decente e é uma aposta para o futuro, de modo que dificilmente será descartado agora. Ah, o grupo Red Bull na F1...
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